“Saí do PR porque João Maia ameaçou intervenção”, revelou Renato

Renato Fernandes era secretário de Turismo e deixou o Governo a pedido do PR

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O ex-secretário de Turismo do Rio Grande do Norte, Renato Fernandes, pediu desfiliação do Partido da República na última segunda-feira, após ter tido sua indicação para uma candidatura a vice-prefeito na chapa encabeçada pela ex-prefeita Claudia Regina (DEM) negada pela direção estadual da legenda.

Segundo Fernandes, o presidente do diretório estadual do PR, deputado federal João Maia, ameaçou intervir no diretório do PR em Mossoró, caso o diretório indicasse Seyssa Praxedes, esposa de Fernandes, para vice de Claudia Regina.

“Nós saímos do PR. Pedi afastamento. João disse que se nós insistíssemos com a candidatura a vice ele promoveria uma intervenção no diretório. Eu não quis passar por essa vergonha e disse a ele também que eu não faria com que ele passasse por esse constrangimento de intervir no PR e por isso e deixei o PR”, justificou disse Fernandes.

O imbróglio começou com uma reunião na última segunda-feira, quando a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e a pré-candidata a prefeita de Mossoró Claudia Regina estiveram com Renato Fernandes, que é uma tradicional liderança política do PR na capital do Oeste.

Na oportunidade, ficou acertado que, para as eleições suplementares de Mossoró, que ocorrerão no dia 4 de maio, o PR manteria a parceria eleitoral com o DEM, conforme aconteceu na eleição passada, quando o partido de João Maia apoiou a eleição de Claudia Regina.

Ao saber dos rumos que o PR estava para tomar em Mossoró – as convenções ocorrem na próxima sexta-feira – o presidente estadual do PR, deputado federal João Maia, acionou o presidente do diretório municipal, Marcelo Rosado, e solicitou que ele interviesse para garantir o apoio do PR à pré-candidata do PSB, deputada estadual Larissa Rosado.

Ontem mesmo, Rosado deu declarações à imprensa, afirmando que a aliança do PR em Mossoró será com Larissa, e não com Claudia Regina. Vencido e com autoridade desfeita dentro do PR, Renato Fernandes decidiu deixar a legenda. “Não imaginei que ia ter intervenção. Fui convidado para ser vice-prefeito, aceitei, mas João disse que não aceitava. Ele disse que, se eu insistisse, ele promoveria a intervenção. Eu não quis esse constrangimento”, disse Fernandes.

COERÊNCIA

Para Fernandes, a mudança de posição política do PR em Mossoró não se justifica, uma vez que está sendo feita, radicalmente, há pouco mais de apenas um ano após as últimas eleições, quando o PR apoiou a candidata do DEM contra a candidatura do PSB. “Há um ano fui convidado por Larissa para ser seu vice. João não deixou. Disse que era para estar com Claudia. Agora, fui chamado para ser vice de Claudia, e ele disse que não; que temos que estar com Larissa. Como justificar para o eleitor que temos uma posição agora, mas que, um ano atrás, era outra? É preciso um mínimo de coerência”, afirmou Fernandes.

Renato Fernandes sustenta ainda que, como líder estadual do PR, o deputado federal João Maia sempre afirmou que a legenda tinha características municipalistas, onde prevaleceria a vontade do diretório municipal em detrimento da estadual e onde as realidades locais sobrepujariam as regionais. “João sempre disse que o PR era municipalista, que o diretório estadual não interferia nos diretórios municipais”, observa Fernandes.

A saída de Renato Fernandes, recentemente, da Secretaria de Turismo, segundo o próprio, serve bem para mostrar a coerência dele em contraponto com a falta de coerência de João Maia. “Acabei de entregar o cargo de secretário por coerência partidária. O PR deixou o governo e eu saí. A governadora pediu para eu ficar na secretaria. Mas eu disse que era uma indicação do PR, por isso me senti obrigado a seguir a orientação do partido”, contou.

No tocante às eleições suplementares em Mossoró, Renato Fernandes disse que vai participar da campanha em favor de Claudia Regina. Quanto ao futuro partidário, ele informou que já recebeu convites para se filiar a outras legendas. “Não me considero líder. Tenho um pequeno grupo. Vou dar um tempo, para decidir se continuo na política”, afirmou.

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