Samu comemora pioneirismo e resultados da UTI Móvel para crianças

Com relação aos atendimentos, a maioria está relacionada à parada cardíaca e de depressões respiratórias

Samu-Metropolitano-Leste---Claudio-Macedo--JA

Acidentes graves, desastres, suspeitas de infarto, intoxicações, engasgos ou outras demandas que necessitem de socorro imediato. Nestes momentos de dor e desespero, um nome é o mais lembrado entre os que precisam de ajuda: o Samu.

Inspirado em um sistema francês, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência começou a funcionar no Brasil em 2003 através de parcerias do Ministério da Saúde com os Executivos estaduais e municipais, com a finalidade de promover o atendimento pré-hospitalar à população. Para isso, não importa onde o paciente esteja – em casa, na rua, no trabalho -, pois o serviço possui unidades adequadas, entre elas, motolâncias, veículos 4 x 4 e até o auxílio de helicóptero. Além do atendimento pré-hospitalar, o Samu também acaba diminuindo a superlotação das emergências nos hospitais.

As ligações são atendidas por telefonistas que anotam dados do local da demanda e todas as ligações são gravadas. Na sequência, o caso é comunicado ao médico que faz a regulação e presta orientações relativas aos primeiros socorros. É este profissional que também decide o tipo de ambulância a ser enviada. Nas cidades brasileiras onde o serviço é disponibilizado, o telefone para solicitá-lo é o 192, com ligação gratuita.

No Rio Grande do Norte, o Samu RN 192 é sediado na BR-304, no município de Macaíba, a 14 quilômetros da capital Natal. Para a atuação em todo o Estado são mais de 40 ambulâncias de suporte básico, incluindo oito unidades de suporte avançado (UTIs móveis), duas motolâncias utilizadas em Parnamirim, mais uma ambulância de suporte básico extra para eventos, quatro unidades 4×4 para áreas de difícil acesso e o auxílio do helicóptero Potiguar 1. Em breve se unirá à frota a R23, unidade de resgate e desencarceramento, que vai atuar junto com o Corpo de Bombeiros para retirar pacientes das ferragens.

O atendimento feito pelo Samu 192 RN abrange 75% do Rio Grande do Norte e para 2014 a meta é atingir 87% da população potiguar. Ao todo, são 25 bases descentralizadas no Estado, cobrindo, aproximadamente, 60 municípios do Rio Grande do Norte.

Considerado referência no Nordeste e pioneiro em diversos projetos, o Samu RN ainda é um dos poucos do país a possuir o Samuzinho, unidade de suporte avançado (UTI móvel) adaptada com incubadora para atender pacientes neonatais e crianças, sendo a maioria vítimas de paradas cardíacas e de depressões respiratórias. A unidade de suporte avançado possui aparelhos exclusivos como estetoscópio, desfibrilador e monitor cardíaco específicos. Para minimizar o clima de atendimento hospitalar, a unidade é decorada com motivos infantis.

Segundo o coordenador médico do Samu 192 RN, Cláudio Macedo, a iniciativa tem o objetivo maior de prestar um atendimento exclusivo para este tipo de público, mas de uma forma humanizada. “É um trabalho difícil, mas é muito gratificante. As mães destes bebês e crianças estão desesperadas e procuramos passar para elas que seus filhos estão sendo tratados com muito carinho. Tenho muito orgulho de fazer parte do Samu, desde o início, e fico até emocionado quando meu pai chega para alguém e diz que tem um filho que é médico do Samu”, revelou Cláudio, que é plantonista e também faz parte da equipe do Samuzinho.

 

PIONEIRISMO

Cada ambulância de suporte básico conta com um condutor socorrista e um técnico de enfermagem, para atender casos clínicos e de trauma de menor complexidade. Já as ambulâncias de suporte avançado possuem médico e enfermeiro, além de equipamentos como um cardioversor, bomba de infusão, respirador mecânico e outros aparelhos de reanimação e trauma, bem como medicamentos mais específicos.

A enfermeira Priscilla Meireles relatou que antes das saídas das ambulâncias é realizada toda a checagem dos equipamentos. “Testamos os aparelhos como os monitores, oxímetros, o ventilador mecânico, oxigênio, tensiômetros. Tudo tem que estar me perfeita ordem para não haver imprevistos”.

Um das inovações do Samu 192 RN é o chamado Autopulse, máquina que realiza automaticamente massagens cardíacas. Em todo o Nordeste, o Samu RN é o único a possuir o equipamento voltado para vítimas de parada cardíaca súbita e que tem um custo médio de R$ 120 mil.

O coordenador médico Cláudio Macedo explicou que o Autopulse pressiona a região torácica da melhor maneira possível, otimizando e tornando o salvamento mais preciso. “A Sociedade Americana de Suporte Cardiológico preconiza as massagens perfeitas e é comprovado que no atendimento dessas vítimas a massagem é o mais importante. Com o Autopulse as respostas nas paradas cardíacas são com mais facilidade. Basta colocar na região torácica do paciente e ele se adapta e realiza as compressões de forma precisa, o que evita sequelas”.

Enquanto as massagens feitas por socorristas mantém a pressão cardíaca em, no máximo, 25%, a efetividade do Autopulse chega a 80%. De acordo com especialistas, mesmo que a equipe seja altamente qualificada e seja realizada a troca dos profissionais que realizam as compressões torácicas, a cada dois minutos, o equipamento só para se a bateria acabar, sendo que a mesma dura cerca de uma hora, e ainda há uma bateria extra.

 

MOTOLÂNCIAS

Outro grande reforço do Samu RN são as motolâncias, também conhecidas como Mikes. Esta moto especial funciona como uma ambulância de suporte básico, que chega para os primeiros socorros, enquanto é aguardada a UTI Móvel. A motolância do Samu RN atua em parceria com outra motolância do Corpo de Bombeiros, seguindo o que preconiza o Ministério da Saúde. João Machado e Costa Soares, ambos técnicos de enfermagem do Samu RN e Bombeiros, respectivamente, são parceiros na luta diária pelo salvamento de vidas.

“Temos material de trauma como talas, ataduras, colar cervical e soros. Também realizamos atendimentos clínicos de emergência e levamos maletas com tensiômetro, oxímetro e desfibriladores, equipamentos que salvam vidas”, disse João Machado, que tem 12 anos de Samu e um longo currículo de cursos de salvamento. Um dos principais, como ele conta, foi realizado no Vale do Ribeira, em São Paulo, trecho de rodovias e com altos registros de acidentes automobilísticos. “Foram 30 dias e 430 horas de treinamento em politraumatizados. Cada vítima que atendemos, temos muito respeito, porque só elas sabem a dor que estão passando. Inclusive proibimos fotos em atendimento, evitando a exposição”, completou Machado.

E como o pioneirismo é uma constante no Samu 192 RN, os Mikes do Rio Grande do Norte também são pioneiros, no Nordeste, na utilização de jaquetas infláveis, que inflam em milésimos de segundo, caso o condutor sofre uma queda. “Elas possuem um sistema de gás e são conectadas a um mosquetão. Mas é preciso um puxão forte para o acionamento. Se o piloto for arremessado, a jaqueta faz a proteção da cervical e toda a parte do tórax e da lombar, bem como evitam escoriações”, explicou Costa Soares.

 

LINHA DE FRENTE

O dia a dia frenético dos profissionais de saúde que estão na linha de frente do Samu RN não é nada fácil. O misto de emoções que varia entre o salvamento e perda de vidas faz destes profissionais verdadeiros super-heróis. Um bom exemplo é o médico Charleston Cruz, que começou no Samu RN há seis anos, época que foi estagiário do então coordenador geral do serviço e hoje secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Fonseca.

Com atuação em UTIs de unidades 24 horas, como UPA de Pajuçara, Hospital dos Pescadores e plantões de UTI no Walfredo Gurgel, o médico contou o que significa para ele o trabalho no Samu RN. “É muito bom salvar vidas e saber que você é diretamente responsável por isso, junto com a sua equipe. Mas quando cheguei aqui foi complicado e passei uns três meses para conseguir me adequar e olha que já tinha experiência até com terapias intensivas. O Samu exige muito, já que atende desde a obstetrícia até a pediatria. Também trabalho em outros lugares, mas aqui é muito gratificante e você sente o reconhecimento da população”.

O médico também relata que há diferenças entre o atendimento feito pelo Samu RN e o Samu Natal. “O Samu RN é mais completo e exige bem mais, porque você tem que compensar o paciente, deixando-o estável, para um transporte mais demorado. No Samu Natal as condutas são mais simples e menos arriscadas. Muitas vezes salvamos três ou quatro pacientes e ficamos eufóricos de tanta felicidade, mas quando um morre ficamos arrasados, mesmo sabendo que fizemos o nosso melhor”.

O coordenador médico Cláudio Macedo fala sobre a motivação desta brava equipe, que não mede esforços para que vidas não sejam interrompidas. “Espírito de ajuda e solidariedade todos têm, além de nossa equipe ser integrada. Mas o nosso grande diferencial é o comprometimento e cada um sabe que um dia alguém de sua família ou bem próximo pode ser atendido. Somos muito bem treinados e temos amor e respeito pelo que fazemos”, finalizou.

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