Sandro dispara: “Carlos Eduardo é o inimigo número 1 dos estudantes”

Vereador do PSOl critica decisão da Prefeitura de vetar passe livre e cobra da Câmara a derrubada do veto

Sandro Pimentel afirma: “Carlos Eduardo precisa de tratamento psicólogico. O problema dele é psicológico, não político”. Foto: Elpidio Junior
Sandro Pimentel afirma: “Carlos Eduardo precisa de tratamento psicólogico. O problema dele é psicológico, não político”. Foto: Elpidio Junior

Ciro Marques
Repórter de Política

A Câmara aprovou, o prefeito vetou. A Prefeitura mandou um novo projeto, a Câmara aprovou de novo, mas o prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), inacreditavelmente, vetou mais uma vez. O resultado da sequência de aprovações e vetos? A insatisfação dos vereadores e o início das articulações na Câmara para a derrubada do veto. “Hoje mesmo já vou começar a conversar com alguns parlamentares para que não aceitemos esse tipo de atitude”, afirmou Sandro Pimentel (PSOL).

A insatisfação de Sandro Pimentel não é para menos. Ele foi um dos vereadores propositores de emendas aprovadas no projeto. “O projeto da Prefeitura previa duas passagens por dia para cada estudante, o que dava em torno de 44 passagens por mês. O que propusemos foi aumentar esse número para 60, para que o estudante possa também utilizar esses créditos quando tiver realizando atividades extras. A emenda foi aprovada na Câmara, mas foi agora vetada pelo prefeito. O curioso é que já sabemos que a Prefeitura deve enviar um projeto semelhante, já incluindo essa emenda, mas com a única alteração: que serão 60 passagens, mas só mediante aprovação da direção da escola”, explicou Sandro Pimentel.

Esse novo projeto do passe livre deve ser enviado à Câmara Municipal até o final da semana. “O que o prefeito mostrou com essa atitude é que está preocupado apenas com a autoria do projeto. Ele quer a todo custo que o povo de Natal saiba que o projeto é dele. Afinal, como é que uma emenda é aprovada, ele veta e depois manda um projeto já contendo a emenda que ele vetou? Carlos Eduardo, realmente, precisa de um tratamento psicológico, porque essa atitude dele é de uma sandice sem tamanho. O problema do prefeito não é político, é psicológico”, sugeriu Sandro Pimentel.

O vereador do PSOL, no entanto, ressaltou que não está preocupado com essa questão de autoria, por isso, até votaria o projeto do prefeito se não tivesse uma questão em específico nela: o fato da aprovação só ser feita mediante a permissão da direção da escola. “Isso é mais uma humilhação para o aluno, ter que pedir, se sujeitar a isso e, mais uma vez, se submeter aos caprichos da direção da escola. Carlos Eduardo mostra que é o inimigo número 1 dos alunos de Natal”, ressaltou Pimentel.

Diante da oficialização do veto do prefeito, o segundo ao projeto passe livre, os vereadores “de oposição” já antecipam que vão se articular para, pelo menos esse, ser derrubado pela Casa Legislativa. “Se os vereadores forem coerentes, vão derrubar o veto. Vou conversar”, ressaltou Sandro Pimentel.

 

HISTÓRICO

É importante lembrar que o parlamentar do PSOL foi um dos propositores do primeiro passe livre aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Natal. O projeto, que previa a gratuidade para todos os estudantes de Natal, fosse de escola pública ou privada, da rede privada ou pública municipal, estadual ou federal, foi vetado integralmente pelo prefeito. O motivo alegado para isso foi o alto custo (R$ 36 milhões por ano) e mais algumas “inconstitucionalidades” do projeto.

A Câmara manteve o veto do prefeito, derrubando a decisão que havia sido aprovada por unanimidade por eles. Para amenizar os ânimos e os protestos sociais, a Prefeitura enviou uma nova matéria que por ser enviada por ela, acabava com o “vício” de iniciativa, e tinha também um baixo custo (apenas R$ 2 milhões por ano). A matéria foi discutida e emendada. Agora, o texto foi vetado pelo prefeito, que promete enviar um terceiro projeto para a Casa Legislativa.

 

Maurício Gurgel afirma: “Câmara precisa mostrar independência e derrubar veto”

A situação do passe livre em Natal serve para mostrar uma coisa: os estudantes, realmente, não são a prioridade do prefeito Carlos Eduardo Alves. A análise é do vereador Maurício Gurgel (PHS), mais um crítico da decisão do chefe do Executivo municipal de vetar o projeto que ele mesmo enviou para a Câmara Municipal de Natal.

“O primeiro projeto aprovado pela Câmara custava R$ 36 milhões. Esse agora que a Prefeitura enviou, apenas R$ 2 milhões e, com as emendas, passou apenas para R$ 2,7 milhões. Eu até vejo justificativa no veto ao primeiro projeto, mas o segundo é totalmente viável, até porque a Prefeitura de Natal arrecada mais de R$ 7,5 milhões por ano só de multas de trânsito”, analisou Maurício Gurgel.

“Isso é uma questão de prioridade. O prefeito mostra com mais esse veto que essa questão dos estudantes, do passe livre, não é uma prioridade”, afirmou Maurício Gurgel, ressaltando que o veto não se justificaria porque as emendas foram simples e também não representavam um aumento tão considerável nos preços.

“Sem contar que esse custo é bem menor que o que está se prevendo. Afinal, o projeto do passe livre da Prefeitura é apenas para estudantes da rede municipal e, nesse caso, a grande maioria mora perto da escola onde estuda, ou seja, nem precisa pegar ônibus”, acrescentou Maurício.

É importante lembrar que o projeto da Prefeitura do passe livre foi inspirado na gratuidade dada aos estudantes de João Pessoa e custeada pelo Município. Lá, assim como o projeto previa para Natal, apenas alunos da rede pública municipal de ensino e até o 9º ano teriam direito a gratuidade, o que representava um universo de menos de 7% do total de estudantes da capital potiguar.

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