Santa Eulália – MARCO DE ALMEIDA EMERENCIANO, advogado (malmeme@yahoo.com.br)
No texto da semana passada tratei de falar um pouco sobre as catedrais em Barcelona, com ênfase a de Santa Maria Del Mar, exemplar do gótico catalão, situada no bairro da ribeira barcelonês. Deixei a perspectiva para, no de hoje, desenhar algumas linhas sobre a catedral de Santa Eulália ou de Barcelona. E sobre a biografia da santa, também.
Fui buscar dados históricos e vi que sua biografia indica que foi presa durante as perseguições do imperador Diocleciano quando adolescente. Diante do tribunal confessou sua fé. Teria sido martirizada junto com Santa Júlia de Mérida. Foi torturada para renegar a sua fé e oferecer sacrifícios aos deuses romanos e como se recusasse foi condenada o martírio tendo sido queimada viva em 304, em Mérida. Alguns estudiosos acham que Santa Eulália de Barcelona e Santa Eulália de Mérida teriam sido a mesma pessoa, mas cada cidade reclama como tendo sido de lá a sua santa e as histórias variam. Assim, apesar de serem muito similares, a Igreja julgou por bem considera-las duas santas, com festas distintas. Santa Eulália de Barcelona tem sua festa celebrada no dia 12 de fevereiro. Santa Eulália de Merida em 10 de dezembro. Ela nasceu em 290 na Espanha e foi morta em 304, em Mérida, daí a provável confusão.
Geograficamente falando, a catedral de Santa Eulália de Barcelona está situada no centro da cidade, na entrada do bairro gótico, que dá acesso à praça de Sant Jaume, sede do executivo municipal e estadual, ou da Generalitat, como é conhecido o governo da Catalunha. É considerado o ponto limite da cidade velha. Não distante de exemplares modernistas como o ‘Palau de la Música Catalana’, famoso pelos vitrais e azulejos coloridos.
A Catedral é o símbolo da diocese de Barcelona, seu templo principal e mãe de todas as igrejas do arcebispado. Barcelona teve três basílicas ao longo de sua história. As obras da atual catedral gótica iniciaram-se em 1298 durante o reinado de Jaime II e foram praticamente acabadas em meados do século XV sendo rei de Aragão Alfonso V. Enquanto a antiga basílica românica ia sendo demolinda – possivelmente com não muito cuidado por conservar as peças artísticas – se construía majestosa, a gótica.
A construção da catedral gótica durou cento cinquenta anos, destacando-se três etapas: a primeira com o planejamento de todo o edifício com duas portas laterais com estruturas arcaicas de origem italiana, além do espaço para três naves com a mesma altura. Chamam atenção, a mim particularmente, as dez capelas laterais, o presbitério com seu altar maior, a cripta e o cruzeiro. A segunda etapa se caracteriza pelo prolongamento das três naves com as capelas laterais. Estas têm uma galeria superior, com tal disposição que parecem mais duas naves, e dá a sensação de que o templo diverge mais do que converge, dando uma amplitude e uma iluminação que são próprias do gótico catalão. Na terceira etapa se construiu a parte inferior. A fachada principal é a obra mais recente da catedral no final do século XIX e princípios do XX.
Não poderia deixar de destacar a festa comemorativa ao dia de Santa Eulália, em Barcelona. São vários dias de celebrações e converte-se em um evento cívico. Desfiles de figuras gigantes, fogos, jogos e muita alegria. Este ano de 2013, a cidade de Barcelona, pioneira em iluminação urbana não funcional desde a exposição universal de 1929, exibirá um festival de luzes nos edifícios públicos durante os dias da festa. Eulália é um nome forte nos quatros cantos do mundo.


