Santos escapando

A aura do passado fez o Santos evitar um vexame retumbante. Uma final de Campeonato Paulista entre Penapolense e Ituano.…

A aura do passado fez o Santos evitar um vexame retumbante. Uma final de Campeonato Paulista entre Penapolense e Ituano. Seria a consumação da falência dos campeonatos estaduais e da boca banguela do futebol brasileiro, tapada à força com dentaduras frouxas pela mídia e pela cartolagem no ano da Copa do Mundo.

O famoso Trio de Ferro da capital – Corinthians, São Paulo e Palmeiras -, sucumbiu em derrotas bisonhas. Os narradores, comentaristas e apresentadores sacam justificativas das cuecas e exaltam a “ascensão” do futebol interiorano. Boi escuta duas semanas e não dorme com uma conversa desse tipo. É o fracasso, é a estiagem de jogador, é o terror vencendo a arte.

O Santos buscou na atmosfera nostálgica a força para superar o Penapolense, que há 20 anos ciscava pela terceira divisão regional. Seria delicioso rir do malabarismo verbal dos sábios da telinha tentando empurrar goela adentro do telespectador, uma final digna de torneio de várzea com os 22 jogando descalços.

Sobrou o Santos que exalta com exagero natural dos delirantes, o promissor menino Geuvânio, batizado desta forma porque o escrivão do cartório errou na hora de escrever Giovanni, camisa 10 do Peixe em meados dos anos 1990 e conhecido por exibir desempenho notável em uma partida e desaparecer nas três seguintes. Na seleção brasileira em 1998, não tocou na bola durante a estreia contra a Escócia.

É fato que houve desastre de gravidade similar. Há 24 anos, em plena depressão pelo fracasso da seleção brasileira de Lazaroni na Copa do Mundo, Bragantino e Novorizontino disputaram a decisão, com vantagem para o primeiro tino. Para se ter uma ideia do sofrimento da época, pedia-se Neto, o comentarista que os jovens pensam que jogava o que diz e repete, liderando o escrete.

O Santos de Geuvânio encara o Ituano. Legal. Se o Flamengo não tem resolvido logo, o Vasco de Pedro Ken seria vice de novo. Perdendo para a Cabofriense no Campeonato Carioca. Está morrendo a caneladas o futebol patropi, a pachecada é que não quer admitir.

 

Copa do Brasil

Qualquer prognóstico que não seja a classificação de ABC e América na Copa do Brasil será imprudente. O ABC enfrenta a Desportiva Ferroviária em casa, com duas vitórias (mesmo sem jogar algo convincente), o apoio da torcida e o principal fator, o Estádio Frasqueirão. Vai depender, claro, do público que se dispuser a sair de casa para ver o jogo.

América

O América começa contra o Boavista fora de casa e, no mínimo, saberá do que vai precisar fazer no jogo da volta. É proibido a dormência dos 4×0 tomados do Ceará pela Copa do Nordeste em Fortaleza. O Boavista não é o time que disputou o Campeonato Carioca e, ainda se fosse, todos os campeonatos estão nivelados. Por baixo.

Um fuzileiro

Agora vamos ver se boleiro acostumado a peitar árbitro local vai ser macho domingo no clássico ABC x América. A arbitragem será de Marcelo de Lima Henrique, ex-policial militar e fuzileiro naval, uma espécie de Coronel Nascimento, personagem do filme Tropa de Elite, só que apitando futebol.

Nata da força

Um fuzileiro naval é a nata da força guerreira. Nos Estados Unidos, quando a cuíca começa a roncar, Barack Obama passa um rádio e aciona os gentis rapazes dos Mariners e dos Seals, brutamontes capazes de destruir exércitos em táticas infalíveis. Osama Bin Laden virou comida de peixe depois de ser encontrado por esse pessoal.

Na Copa

Ninguém pense que é brincadeira: com a presença dos EUA em Natal na Copa, é possível que Mariners em seus helicópteros Black Hawk dotados de potentes fuzis de calibre 7.62 sobrevoem a cidade. Delegação esportiva é considerada grupo vulnerável a atentado pelo sistema de segurança dos Estados Unidos, muito, muito parecido com o nosso.

Mal nas urnas

Ainda sobre fuzileiro, se é valente em campo e fora dele, na política o árbitro Marcelo de Lima Henrique levou cartão vermelho. Candidato a vereador pelo PV do Rio de Janeiro, dois anos atrás, obteve a estrondosa votação de 226 eleitores. O seu “poder de convencimento” nas ruas e no guia eleitoral não agradou ao povão.

Rodrigo Silva, a dúvida

Rodrigo Silva fez sua melhor temporada jogando pelo ABC no ano passado quando marcou 30 gols. Acaba de ser dispensado pelo Criciúma, no qual conseguiu fazer a rede balançar uma vez em 2014. Seu nome aparece como um dos reforços cotados para o alvinegro na Série B. Se ele voltar, vai tirar a dúvida: se foi uma fase maravilhosa ou se não passa de ocasional. Ou se nasceu para jogar no ABC, a exemplo de vários ídolos do passado.

Arthur até novembro

A torcida do América respira satisfeita com a notícia dada pelo presidente Gustavo Carvalho: o camisa 10 Arthur Maia, autor de um dos mais belos gols do futebol potiguar, driblando o Globo desde a sua área, fica no clube na Série B.

Lusa em Mossoró

Fossem outros tempos, valeria a pena ir ver a Portuguesa em Mossoró contra o Potiguar pela Copa do Brasil. A Lusa, uma espécie de Alecrim de São Paulo, formou grandes esquadrões. Dos seus quadros saíram craques: Djalma Santos, Ipojucã do Expresso da Vitória do Vasco, Julinho Botelho, o segundo maior ponta depois de Garrincha, Enéas, que quando não dormia, arrebentava, e o inesquecível Denner.

Diferença continental

Você assiste a Barcelona 1×1 Atlético de Madrid pela Champions League num canal, sai mexendo no controle remoto e cai no Esporte Interativo mostrando Moto Clube x Santa Quitéria pelo Campeonato Maranhense. Quebrar o aparelho de TV sai muito caro. Mas dá vontade.

Memória

Jogo duro (0x0) entre ABC e Botafogo de João Pessoa, dia 2 de abril de 1978 pelo Campeonato Brasileiro, com 8.993 torcedores pagando ingresso no Estádio Almeidão. O destaque do Botafogo era o futuro campeão mundial Anselmo, do Flamengo, mais conhecido pelo murro dado no chileno Mário Soto do que propriamente pelos gols marcados.

Times

ABC: Hélio Show; Orlando, Pradera, Cláudio Oliveira e França; Baltasar, Danilo Menezes e Maranhão Barbudo (Zezinho Pelé); Noé Silva, Jorge Costa e Noé Macunaíma (Erasmo). Botafogo: Salvino; Bira, Altino, Deca (Gil Marques) e Mendes; Nelson, Nicácio e Hamilton (Dau); Chico Alves, Zé Carlos Olímpico e Anselmo.

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    • Rogério Diniz

      Rubinho, como joga bola esse tal de Artur Maia…..
      E não êh só pelos gols,, não sei se vc teve oportunidade de assistir um jogo dele no campo….
      O cara chama o jogo a partida inteira, não se esconde, tem a insanidade de dar carrinho marcando o lateral na linha de fundo do campo do América….
      Da gosto de ver jogar, me lembra os grandes que já pisaram nós gramados nas terras do índio poty…
      Tenho lido que o Otávio (Abc) também vai na mesma toada.
      Não perco o clássico de domingo por nada…

      Farinha( ETFRN)
      Kkkkkkkkkkkkkk

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