São só “rolezinhos”

Editorial da Folha de S. Paulo “Não perco meu tempo em manifestações, os políticos vão continuar roubando”, afirma Lucas Lima,…

Editorial da Folha de S. Paulo

“Não perco meu tempo em manifestações, os políticos vão continuar roubando”, afirma Lucas Lima, 17, frequentador dos chamados “rolezinhos”. Ele garante que, em dois desses eventos recentes, beijou “16 ou 17 meninas”.

Os encontros servem, segundo as convocações nas redes sociais, para “zoar, rolar umas paqueras, pegar geral e se divertir”. Realizados em shoppings centers paulistanos, atraem centenas de adolescentes, em geral da periferia.

A despeito de seu caráter festivo e despretensioso, a novidade logo incomodou lojistas, consumidores e políticos. Durante os “rolezinhos”, os adolescentes, divididos em vários grupos, caminham ou correm pelos corredores do centro de compras, cantando funk.

Não é só o corre-corre que assusta. Houve casos isolados de furto e depredação, que obviamente devem ser punidos. Além disso, diante de qualquer multidão, e de um fenômeno que só agora começa a se compreender, chega a ser automática a reação defensiva que, a princípio, muitos tiveram.

Passado o susto inicial, no entanto, essas reuniões poderiam, sem nenhum prejuízo, ser incorporadas à rotina da cidade.

Alguns proprietários de shoppings não pensaram dessa maneira. Imaginando que os “rolezinhos” ameaçavam a segurança de clientes e lojas, recorreram à Justiça para impedir sua realização.

Pior, alguns juízes consideraram bem fundamentada a preocupação e fixaram multa de até R$ 10 mil a quem participasse de determinados encontros. Em certos casos, jovens foram proibidos de entrar nos estabelecimentos.

Decisões desse tipo são indefensáveis. Baseiam-se na maldisfarçada e injusta noção de que moradores da periferia, reunidos em grupos, pretendem furtar ou roubar.

Embora privados, os shoppings são locais de acesso público. Funcionam menos como a casa de um particular e mais como hotéis ou restaurantes. Podem, se quiserem, criar regras para os clientes –por exemplo, dizendo que não aceitarão pessoas em trajes de banho.

Tais normas, porém, precisam valer para todos, e sua aplicação prática pode facilmente se confundir com crimes de preconceito.

De resto, como defender a priori que jovens, por serem da periferia, perturbarão a paz pública? Se incorrerem nessa contravenção, devem ser punidos, assim como se cometerem um crime mais grave. O veto prévio, todavia, tem natureza claramente discriminatória.

Dadas as intenções originais, esses eventos, como testemunho das transformações por que passa o Brasil, dificilmente fariam mais que evidenciar a carência de espaços públicos de convívio social.

A exemplo do que se deu com as manifestações de junho de 2013, no entanto, a reação destemperada da polícia, desta vez auxiliada pelo Judiciário e apoiada por proprietários de shoppings, pode dar aos “rolezinhos” uma dimensão que eles não têm –ou não tinham. (FSP)

 

Henrique é o cara
O deputado estadual Agnelo Alves (PDT) declarou ontem que seu sobrinho Henrique Eduardo Alves (PMDB) tem hoje uma condição política tão especial para ser candidato a governador, que nem mesmo o pai, Aluizio Alves, teve na década de 1960.

Bate-papo
Agnelo fez a declaração numa conversa gravada no Portal No Ar, ontem à noite, onde respondeu perguntas minhas, de Ricardo Rosado, Rubinho Lemos, Ciro Marques e Ilana Albuquerque. Disse também que espera que Carlos Eduardo um dia seja governador.

O candidato
O empresário e ex-senador Fernando Bezerra (PMDB) vai aos poucos assumindo o perfil de candidato ao governo do estado. Já teria confessado a amigos que se eleito fará um governo de recomposição da máquina pública e não disputará uma reeleição.

O adversário
O vice-governador Robinson Faria (PSD) retornou quarta-feira de São Paulo, onde participou de reuniões com a direção nacional da legenda sobre os caminhos a tomar na campanha de Dilma Rousseff e nas eleições regionais. Ele quer uma chapa com o PT.

Na sombra
O ex-deputado Carlos Augusto (DEM) segue fiel à decisão que tomou quando assumiu a chefia do gabinete civil do governo da própria mulher, Rosalba. Não concede entrevista à imprensa, preferindo as costuras discretas com prefeitos e lideranças.

Senadora
Não será fácil ao PMDB local manter uma aliança eleitoral com o PT. A petista Fátima Bezerra voltou a declarar, em recente entrevista, que a candidatura ao Senado não é dela e sim uma missão partidária. O partido quer maioria nas duas casas do Congresso.

Violência
Alguns motoristas e cobradores de ônibus questionam o próprio sindicato da categoria, que tem defendido a tese de que os assaltos diminuíram no setor. Para esses profissionais, os dados são falsos e todos reivindicam uma ação urgente do governo.

Mais Polícia
A governadora Rosalba Ciarlini precisa dedicar mais atenção à cidade de Macaíba, praticamente abandonada pelo sistema de segurança pública e hoje com um índice de assassinatos na estratosfera. É preciso mais policiamento e estrutura para os agentes.

Mais acessos
Quais são as obras de mobilidade urbana para ampliar a ligação entre Parnamirim e Natal? Quais são as melhorias que estão sendo feitas no aeroporto Augusto Severo? Por acaso esqueceram que é por ali que entrarão os milhares de turistas da Copa?

Amistoso
Horas depois de Barack Obama pedir conselhos ao primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, para a seleção dos EUA ganhar a Copa, o time perdeu o amistoso, ontem, contra o São Paulo por 2 x 1. Os gols paulistanos foram de Rogério Ceni e Osvaldo.

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