“Sarauterapia” do Conselho de Odontologia do RN completa 10 anos

Música, poesia e contação de história transformam vida de pessoas

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Há exatamente uma década, o evento que começou como sarau lítero-musical no auditório do Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Norte (CRO/RN) transformou-se em “Sarauterapia”. Não foi intencional, mas aos poucos foi aparecendo casos de pessoas que espantaram seus males com a participação contínua nessa atividade cultural.

Todas as primeiras e terceiras quartas-feiras do mês cerca de 30 pessoas movimentam o CRO/RN com declamação de poesia, música, contação de histórias e até esquetes teatrais das 18h às 21h. O conselho fica na Rua Múcio Galvão, no bairro do Tirol.

A entrada é gratuita, aliás, segundo o coordenador do “Sarauterapia” é um abraço fraterno. “Eu fico logo na entrada e quando a pessoa chega dou logo um abraço. Já quebra um pouco o gelo, porque a pessoa pensa que vai ser aquela coisa formal, mas não é nada disso. Isso é justamente para caracterizar o humanismo”, disse Rubens Barros de Azevedo, coordenador do evento.

A mudança do nome foi motivada pelos casos que mostram como o sarau ajudou na superação de doenças. Um desses casos é do casal Derci e José Luiz. Segundo o coordenador do evento, ela tem a doença de Alzheimer, que afeta principalmente a memória recente. O marido tinha gagueira.

Em boa parte do evento, a atenção de Dona Derci fica dispersa. Mas quando chega a hora da apresentação dela, há uma transformação. “Quando chega a vez dela, ela levanta canta, sem consultar nada, só pela memória. Ela morou em Lisboa muitos anos, ela gosta muito de fado”, contou o coordenador.

O marido de Dona Derci também apresentou muitas mudanças. “O marido dela era gago e simplesmente perdeu a gagueira, ele se transforma”, disse. Além disso, José Luiz passou a produzir muito mais poesias que anteriormente.

O delegado aposentado da Polícia Civil do Rio Grande do Norte Maurílio Pinto de Medeiros também é um dos participantes ilustres do Sarauterapia do CRO/RN. Depois que se aposentou, o delegado sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) há treze anos. Agora, ele sempre participa do evento cultural. “Ele faz questão de toda primeira e terceira quarta-feira do mês estar presente”, acrescentou Rubens Azevedo.

A Sociedade dos Poetas Vivos e Afins (SPVA) é uma das principais parceiras do evento desde o início, fornecendo poetas para movimentar a atividade. “O poeta precisa de local de espaço para mostrar sua arte sua sensibilidade”, considerou.

Logo na entrada, além do abraço, os participantes colocam seus nomes em uma lista pelo menos para se apresentar ao grupo. Mas não necessariamente precisa apresentar algo. As sessões da terapia por meio sarau não possui contra-indicações para as idades ou classes sociais. “Tem um participante que diz que tem do varredor ao doutor”, comentou.

O projeto deu tão certo que se espalhou por mais outros lugares. Hoje há saraus na segunda sexta-feira de cada mês na Academia Norte-Rio-Grandense de Odontologia. Na livraria Nobel, a atividade acontece no último sábado de cada mês. “Eu não consigo entender nenhuma instituição fechada em si mesma. Se você está inserida em cada comunidade, essa comunidade tem que participar. A distância abismal que existe em a odontologia e a comunidade é por culpa da própria instituição que se fecha”, articulou o coordenador.

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