SAUDADE DE OUTROS CARNAVAIS…

É isso mêrmo, minha gente! Danô-se tudo; vira e mexe; torna a virá e a mexê na mente do véi…

É isso mêrmo, minha gente! Danô-se tudo; vira e mexe; torna a virá e a mexê na mente do véi poeta matuto cum nome de americano; e no fim de tudo; meu fíi e minha fia; todas essas inconchembrança se vira numa simpres palavra; SODADE… E p’rú falá in sodade; o sodoso poeta Pinto de Monteiro-PB; custumava dizê qui: Essa palavra sodade,/ ôiço derna de criança./ Sodade de amô ausente;/ num é sodade; é lembrança./ Sodade só é sodade;/ quando se perde a isperança… E razões sobradas, tinha o mestre Pinto, ao enfatizá isso de fóima tão simpres e verdadêra… No causo do título do texto de hoje; a sodade é sodade “de mêêêrmo”; pois nóis já num tem a isperança de vê de novo, o querido Bum Bum, c’á sua Tribo de Índios Guaranís, que ensaiava no quintal da sua casa, na Av.7, no Bairro do Alecrim; já num se tem a isperança de vê de novo, o sodoso Severino Galvão na sua indumentára de Rei Momo, ao lado do também sodôso Tota de Zé Herôncio, êsse trajado de Rainha de Xiranha e Zé Areia, vestido de Rei Araticum… Já num se tem mais a isperança da matinê duis sábo de carnavá, no salão devidamente ornamentado, do Casarão de Dona Maria de Oliveira Barros; a eterna Dona Maria Boa, campinense de nascimento e natalense de coração (Atenção, meu subríin neto, Vereador Rafael Heute da Motta; tá passada a hora de Dona Maria de Oliveira Barros tê o seu título de Cidadã Natalense, mesmo que “in memorian”…). Da mêrma fóima, qui também merece esse título, o cearamirinense Duruca (Êsse eu num sei o nome de Batirmo…), que tanta irreverênça e alegria deu aos nossos carnavá… Otávio ainda está vivinho da silva, mode arrecebê cum totá merecimento, essa honraria tombém… O corso era na Av. Deodoro; os bailes no Palácio dos Esportes eram memoráveis; inté disfilá dirigindo uma Kombi de meu pai, cum ais porta aberta e o sanfonêro Zé Minininho e sua turma dento, no corso; eu disfilei e Mucivan, qui foi motorista da CAERN, ia na frente da Kombi, de biquíne prêto, cum duas laranja inchendo o soutian; e meu cunhado Adiel de Lima, fazendo àis vêiz de Mestre Sala prá Mucivan… Uis assalto, naquela época, num levava nadica de nada da gente; dêxavam, isso sim; aquêle gostíin de “quero mais” , junto c’á vontade qui o ano se passasse logo e vinhesse o carnavá do ano siguinte… E a Bagunça duis biritêro da Budega de Floriano, esquina da Rua Apodí cum a Princesa Isabel ? Teve um ano qui Luiz de França fêiz o “istandarque” assim: Turma da ATECUB; e mais abaixo, estava escrito: LEIA AO CONTRÁRIO… Isso, na menhã do domingo de carnavá, eu menino ainda, fugido de mamãe, vinha acumpanhando “êsses fulião”, quando o Cel. Mário Cabral me pegô puro braço e me dixe; a mim e ao sodôso Prêntice Bulhões, qui tava mais eu:

– Vão prá casa “qui o pau vai falá francêis”!…

E nóis num fiquemo mode vê o fim da “incriquibulação”!…

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