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Saúde, poder e mando

Data: 28 janeiro 2013 - Hora: 18:05 - Por: Vicente Serejo

Parece uma lei de ferro, Senhor Redator, de tão inamovível. Um traço de estilo dos que, uma vez leitos, se acham acima do bem e do mal. Ao poder, cheio de certezas, não ocorrem dúvidas e o mando não acorre ao exercício da indagação. Seria natural se a postura não acabasse por desgastar a riqueza de visão dos governantes. É como se no terceiro milênio o autoritarismo ainda insistisse em governar fechado no gabinete sem abrir as janelas para ver e ouvir o rumor forte que vem das ruas.

A questão da saúde com as fraturas de tantas contradições expostas é bem o exemplo do alto preço que um governo pode pagar no terceiro milênio, da comunicação instantânea via redes sociais, e das novas janelas que se abrem. E se a esses antolhos acrescentar, como parece, a onisciência e onipresença, tanto pior. Como se a consciência crítica, individual e coletiva, não fosse além do voto. O seu grave risco é perder a sintonia com os auditórios que mesmo invisíveis olham e ouvem tudo.

Não diria, por parecer um jogo simplório de comparação, que no município o governo se faz a partir de elementos menos complexos. Mas, de qualquer forma, há um olho no olho, um fio de convivência quase pessoal entre governo e governados, a partir de um complexo de poder que se resume ao prefeito, o delegado e o padre. O governo estadual, num regime democrático, lida com os outros poderes e os estamentos sociais politicamente organizados, num concerto de vozes coletivas.

Por isso a saúde tem sido um teste a céu aberto. Depois de consumir um ano e meio e dividir com a gestão anterior um fracasso público que não era seu, o governo teve coragem de decretar a calamidade e o mérito de reunir, em 24 horas, num pacto de solidariedade, quase duas dezenas de instituições. Algumas delas de forma tão temerária, como a OAB e o MP, que até hoje pagam o preço do silêncio melancólico que acabou amordaçando os dois esteios mais fortes na defesa da cidadania.

Até ali, o governo acertou. Mas, ao longo dos seis meses decisivos, a calamidade ultrapassou o limite do calamitoso e ficou caótico. A ponto de três vezes ser denunciado nacionalmente pela tevê Globo, rompendo a barreira de suavização que estranhamente tem marcado o jornalismo da afiliada local, como se fosse possível conviver com o desumano e o descalabro no trato da coisa pública. O caos saiu às ruas, legendado por arquivos da campanha eleitoral quando foi prometida uma solução.

O que faz o governo de uma médica deixar a situação da saúde se agravar a ponto de faltar o material indispensável a um hospital de urgência, dispensado de todas as formalidades pelo estado de calamidade que decretou de próprio punho? Só há uma resposta: o mando. A determinada obstinação de não abrir as janelas para ouvir o rumor das ruas. A teimosia de olhar a realidade interpondo nas janelas a peneira da falsa ética. Como fez agora. Na vã esperança de tapar o sol da opinião pública.

 

TENSÃO
Por até ser que os ventos do verão e a habilidade política dissipem as tensões entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário por conta dos vetos contra a Justiça. Mas a tensão aumentou nas últimas horas.

ESTILO
Foi rápido e eficiente o Governo Rosalba Ciarlini na solidariedade ao povo do Rio Grande do Sul. Se fosse assim o povo deste Rio Grande, o do Norte, não estaria com uma gestão tão caricata nas ruas.

LEMBRAM – I
Esta coluna avisou semana passada que o fogo contra Henrique Alves era pemedebista temperado com azeite de dendê da Bahia, lembram? Tai Gedel Vieira na Época tirando seu couro pelas costas.

ALIÁS – II
Desde que perdeu a campanha em Salvador que Gedel, ex-amigo de Henrique, vem pondo a culpa na cúpula do PMDB por não garantir o suporte durante a luta. E o PMDB ficou com esse nó nas tripas.

NEURA – I
O editorial da edição de janeiro da revista ‘Brasileiros’ é na defesa total do cientista Miguel Nicolelis e seu Instituto de Neurociência contra a má vontade dos que, de Macaíba a São Paulo, não o aceitam.

CÃES – II
Assinado pelo diretor de redação, Hélio Campos Mello, o editorial ‘A Caravana Passa’, afirma que Nicolelis paga o preço do sucesso, como o tenista Gustavo Kuerten e o pianista João Carlos Martins.

LENDA
A beleza da advogada Priscila Gimenez, no silêncio misterioso de sua mansão às margens de Porto Mirim tem feito nascer, sob o sol sensual do verão, a flor do desejo proibido. Como numa lenda…

CENÁRIO – I
Não deixou de ter traços de palanque político o palco da celebração da festa de Nossa Senhora dos Navegantes, domingo, na Redinha, com presença dos atores principais que atuarão nas lutas de 2014.

QUEM – II
Lá estavam Wilma Faria, Fátima Bezerra, Robinson Faria, Garibaldi Filho, Hermano Morais, Carlos Eduardo Alves e Felipe Maia. Além de umas poucas outras figuras de menor expressão cenográfica.

ALIÁS – III
Chamou a atenção: lá estava o vice Robinson Faria, mas o governo foi representado pelo secretário Luiz Eduardo Carneiro Costa. Convenhamos: o gesto foi de um estilo deselegantemente lampiônico.

SILÊNCIO – IV
Diferente da platéia de autoridades na posse do prefeito Carlos Eduardo, o povo humilde da Redinha não vaiou o representante da governadora Rosalba Ciarlini, mesmo tão abandonado pelo seu governo.

FORÇA – V
Antes de iniciar a missa o padre fez a elevação do Santíssimo, desceu do palco e foi caminhando até a capelinha da vila. O povo todo, de costas para os políticos, seguiu o Ostensório rezando e cantando.

PEDIDO – VI
O vigário da Redinha pediu ao prefeito Carlos Eduardo que a Procissão dos Navegantes voltasse a fazer parte do calendário de festas religiosas da cidade. Hoje o governo e prefeitura negam o apoio.

SERÁ – VII
A deputada Fátima Bezerra atraiu os olhares de alguns populares. Seu ar piedoso, de tal e absoluta contrição, deu a entender que Nossa senhora dos Navegantes tinha acabado de assinar a ficha do PT.

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