Se continuar com Rosalba, PMDB comandará Recursos Hídricos, Idema, Caern e Agricultura
- Em conversas com lideranças políticas do interior, o secretário-chefe do Gabinete Civil do Governo do Estado, ex-deputado Carlos Augusto Rosado, tem declarado com muita convicção que o PMDB potiguar permanecerá pelos próximos dois anos integrado ao bloco multipartidário que garante apoio à gestão da governadora Rosalba Ciarlini.
- E, ao detalhar o porque dessa sua segurança quanto à fidelidade peemedebista, mesmo com o ministro Garibaldi Filho vez por outra fazendo ameaças públicas de rompimento, Carlos Augusto Rosado informa aos seus interlocutores que “está tudo sob controle”, em função de acertos com o deputado federal Henrique Eduardo Alves, presidente do Diretório Regional do partido.
- Entre os tais acertos, estaria a entrega ao PMDB de duas importantes pastas do Governo do Estado (a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e a Secretaria da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, ambas de porteira fechada, ou seja, com todos os órgãos que compõem suas estruturas, tais como o Idema, a Caern, a Emater, a Emparn, etc.), as quais disporão este ano de recursos orçamentários superiores a R$ 1 bilhão.
- Por sinal, confiando no sucesso desse acordo político da governadora Rosalba Ciarlini com o deputado Henrique Alves, o atual presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Rio Grande do Norte (Faern), empresário José Álvares Vieira, já vem se articulando para ser o indicado para a pasta da Agricultura.
Marcelo Passos recorrerá ao MPE pedindo
um TAC para salvar o “Programa do Leite”
- O presidente do Sindicato dos Produtores de Leite, Carnes e Derivados do Rio Grande do Norte (Sinproleite), agropecuarista Marcelo Passos Sales, anuncia que até amanhã encaminhará aos promotores de justiça que cuidam da Defesa do Patrimônio Público um ofício denunciando o total desvirtuamento do “Programa do Leite” do Governo do Estado, criado para apoiar e desenvolver a bacia leiteira potiguar mas que hoje contribui para destruí-la.
- Marcelo pedirá aos promotores que investiguem a procedência do leite que é beneficiado pelas empresas de laticínios para ser vendido ao Governo, pois com certeza se comprovará que a maior parte do produto não é originário das vacarias do Estado nem da região Nordeste, havendo sérias suspeitas de que se trata de leite em pó, que apenas passa por um processo de reidratação.
- Por dia, o Governo chega a adquirir cerca de 150 mil litros de leite tipo C, embalado em saquinhos plásticos, para distribuição gratuita às famílias carentes cadastradas nos 167 municípios do RN.
- O que o presidente do Sinproleite reivindicará ao Ministério Público é que este, ao se convencer do desvirtuamento do “Programa do Leite”, proponha às autoridades do Poder Executivo a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), através do qual se comprometam a redirecionar os recursos do programa (cerca de R$ 70 milhões por ano) para a aquisição tão somente de leite “in natura” produzido pelos produtores rurais do próprio Estado.
- Se esta meta não for atingida, diz Marcelo que passará a defender a pura e simples extinção do “Programa do Leite”.
Produtores de camarão entram em estado de alerta
- Desde o início desta semana as entidades representativas dos produtores de camarão em cativeiro em todo o Brasil demonstram preocupações, diante do anúncio de que o Ministério da Pesca e da Aquicultura poderá autorizar grandes importações de crustáceo congelado (variedade “Pleoticus muelleri”) procedente da Argentina.
n Esta manhã, o presidente da ABCC (Associação Brasileira dos Criadores de Camarão), engenheiro de pesca Itamar Rocha, encaminhou mensagem eletrônica aos produtores que integram a entidade nos seguintes termos:
- “Sobre os boatos de que já foram liberados ou de que já estão vindos os containers com o camarão da Argentina, repasso o e-mail do setor da Sanidade da SEMOC – MPA, onde está explicado o trâmite do processo que pode resultar na autorização das importações.
- “Portanto, não repassem informações ou boatos plantados premeditadamente para enfraquecer nossas posições que, para desespero desses arautos do apocalipse – que a todo custo querem prejudicar nosso setor – FICAM PLANTANDO FALSAS NOTÍCIAS. Mantenham-se firmes na defesa dos nossos propósitos.”
- Em anexo à sua mensagem aos carcinicultores, Itamar Rocha enviou informe da Coordenação Geral de Sanidade Pesqueira do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), no qual se informa que, apesar de ter havido parecer favorável à importação, ainda estão sendo aguardados os certificados do governo argentino relativos ao atendimentos dos requisitos zoosanitários para que seja autorizada a importação e estabelecida uma cota anual, tudo isso tendo ainda de ser submetido às rígidas normas do Ministério da Agricultura.
- O receio dos produtores de camarão em cativeiro é que a entrada do camarão argentino no mercado nacional venha a provocar desequilíbrio entre a oferta e a procura, o que poderá redundar em aviltamento de preço.
Crítica ao ministro da Pesca e Aquicultura
- A correspondência do presidente da ABCC aos carcinicultores tem mais um adendo, relativo à opinião dele sobre a viagem que esta semana o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, está fazendo à Argentina. Diz Itamar:
- “Caros amigos,
- “Como vocês podem ver na reportagem abaixo, constante do site do MPA, o Ministro Crivella e sua vasta comitiva ficaram encantados com a visita que fizeram a instalações frigoríficas de pescado na Argentina.
- “Será que algum desses ‘espertos’ em processamento de pescado já visitou um frigorífico de camarão ou de peixes no Brasil? Claro que não, inclusive porque as mais de 40 Unidades que (…) operavam no Brasil, gerando mais de 10 mil empregos para mulheres, hoje se resumem a pouco mais de uma dezena, mesmo assim, deficitárias.
- “É, amigos, a nossa Presidenta não vai à luta para vender nosso pescado e o nosso Ministro não se cansa de viajar para comprar mais peixes (Noruega, Argentina e a próxima viagem é à China e Israel). Enquanto isso, as Unidades de Beneficiamento da Potiporã e o da Compescal, por exemplos, cada uma com capacidade para processar 60 mil kg/dia, que juntas já empregaram 1.200 mulheres, mas que hoje, pela perda de competitividade das exportações, sem nenhuma preocupação ou intervenção do MPA, tiveram esse número reduzido para menos de 500 mulheres, que agora correm o risco de perder seus empregos.
- “Evidentemente que se nos mobilizarmos e pressionarmos nossos representantes no Congresso Nacional e esclarecermos nossos Governadores e Prefeitos, especialmente os dos Estados e cidades litorâneos de que essa farra pode não se concretizar. Como, aliás, conseguimos derrubar a iniciativa da mesma equipe técnica da SEMOC/MPA, à época da Ministra Ideli Salvatti, que havia dispensado a ARI, autorizando a importação do camarão da Argentina. Posteriormente, esses mesmos técnicos da SEMOC/MPA, elaboraram uma ARI para o Pleoticus muelleri, de forma tão amadora e apressada que colocaram a bandeira da Argentina na capa do Documento oficial do MPA, fazendo o Ministro Crivella passar vexame, a qual contestamos e mais uma vez foi derrubada.
- “Mas como esse pessoal não se emenda, o que deixa claro que existem outros interesses não republicanos por trás desse movimento, voltou-se à carga, desta feita junto com a VIVENDA DO CAMARÃO, utilizando como pano de fundo a Presidenta Dilma e sua colega da Argentina, como as verdadeiras mentoras dessa decisão, como se fossemos acreditar que 5.000 toneladas/US$ 50 milhões representassem um negócio da China, que justificasse o envolvimento da nossa Presidenta!
- “Por isso, amigos, não temos dúvida de que se nos mobilizarmos e atuarmos junto aos nossos governantes (Governadores e Prefeitos), políticos (Deputados Estaduais, Federais e Senadores), bem como à academia e à imprensa reverteremos essa equivocada e deliberadamente prejudicial decisão, que concretizando-se afetaria não só a carcinicultura, como a pesca extrativa de camarão, caranguejos e lagostas.
- “(…) não podemos aceitar passivamente que um pequeno grupo que representa interesses contrariados se arvore no direito de cometer um verdadeiro crime de lesa-pátria. Afinal de contas estamos defendendo a sobrevivência de atividades que geram mais de 100.000 empregos, no nível mais baixo da cadeia social”.


