Sebo vermelho celebra quase três décadas de existência

O Sebo Vermelho começou com o acervo particular de 600 livros que Abimael havia acumulado até os 21 anos de idade

Aos 29 anos, o Sebo Vermelho nasceu em 1990 com apenas 600 exemplares de livros nas estantes. Foto: Wellington Rocha
Aos 29 anos, o Sebo Vermelho nasceu em 1990 com apenas 600 exemplares de livros nas estantes. Foto: Wellington Rocha

Com 29 anos de existência completados neste mês, o Sebo Vermelho e seu criador Abimael Silva ostentam uma história de pioneirismo: primeiro sebo a tornar-se editora, primeiro a organizar uma feira exclusivamente de sebos no Brasil, dentre outras conquistas. Uma delas é o alcance da marca de 400 títulos lançados pelo selo Sebo Vermelho neste mês.

Quando Abimael começou a editar livros, havia somente mais três selos no Estado: Editora Clima, Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Edufrn) e Coleção Mossorense. Mas nos últimos dez anos, pipocaram novos selos editorais locais, desde Jovens Escribas até a Editora Tribo – com surgimento mais recente.

Outra característica comum é que a iniciativa tem sido predominantemente jovem. “Nos últimos dez anos surgiram mais de dez editoras. Natal proporcionalmente é a capital do Nordeste que mais publica livros ou pelo menos está entre as três que mais publicam certamente. É uma coisa muito boa porque são garotos com 20 anos”, considerou o sebista-editor. Para efeito comparativo, Abimael contou que começou a publicar livros com 27 anos de idade.

No entanto, nem a dedicação nem a garra juvenil são suficientes para alargar a ponte entre os novos autores locais e o público de forma massiva. Pelo menos não nas livrarias tradicionais. Segundo Abimael Silva, as grandes redes de livrarias oferecem todo tipo de resistência para ceder alguns centímetros de suas prateleiras nas lojas da cidade. “Editar um livro na é tão difícil nem tão caro, o mais difícil e caro é a distribuição”, disse.

O desaparecimento das livrarias genuinamente potiguares também contribui para essa distância entre leitor e autor local. “Essas livrarias de Shopping não entendem nada de autores do Rio Grande do Norte”, criticou Abimael Silva. As dificuldades são tantas que inviabilizam o negócio.

Em uma delas, Abimael havia oferecido alguns de seus títulos para vender. O responsável pela loja só aceitaria se fossem publicações de Câmara Cascudo. Quando Abimael foi entregar os exemplares, outra dificuldade foi imposta: só poderiam ser títulos de Cascudo publicados em São Paulo. “Nem fazendo uma promessa para padre Cícero e Padre João Maria você consegue empurrar um livro. Isso é um desserviço à cidade”, acentuou Silva.

Alternativas

Ele acredita que iniciativas do poder público podem modificar essa realidade. Na cidade de Recife, por exemplo, uma lei municipal determina que parte da vitrine de qualquer livraria seja destinada a autores pernambucanos. Segundo Abimael, a lei já existe há oito anos. Mas por aqui ainda predomina a máxima: “quanto maior a livraria, maiores são as dificuldades do autor local”, avaliou.

Nada mais natural do que usar os sebos para escoar essa produção. Mas restaurantes, bares, bancas e até motéis também entram no circuito de vendas. “Conversando com um amigo meu dono de um motel, ‘vamos deixar uns três livrinhos aqui'”, contou o sebista. O gênero do livro também correspondia com a atmosfera do local, poesia erótica (Falo, de Paulo Augusto).

Só no Sebo Vermelho, ele avalia que cerca de 40% dos clientes vão à procura de autores locais. Portanto, público existe. Abimael classifica a estrutura do Sebo Vermelho como “a primeira e a maior vitrine de autores do Rio Grande do Norte. Aqui tem 70 metros só de autores norte-rio-grandenses”, descreveu.

29 anos

O Sebo Vermelho começou com o acervo particular de 600 livros que Abimael havia acumulado até os 21 anos de idade. Isso porque o então bancário queria trabalhar numa livraria. Nada mais prático do que montar a sua própria. Em 1990, o Sebo Vermelho tornou-se editora e com essa história já ganhou até prêmio de literatura local com o livro Dormência (Lisbete Lima de Oliveira). Boa parte da produção editorial é sobre história, ou de figuras públicas ou da cidade. Hoje a estimativa é que existam 60 mil exemplares no sobrado localizado na avenida Rio Branco.

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