Secretaria de Saúde altera jornada de trabalho e servidores reclamam

Trabalhadores marcaram assembleia para analisar possibilidade de uma nova greve da categoria

Luiz Alberto Fonseca, da Sesap, vai denunciar servidores que realizaram manifestação na Unicat. Foto: José Aldenir
Luiz Alberto Fonseca, da Sesap, vai denunciar servidores que realizaram manifestação na Unicat. Foto: José Aldenir

Marcelo Lima

Repórter

 

Os servidores da Saúde estadual realizarão amanhã uma assembléia com a possibilidade de aprovar um indicativo de greve. O motivo são as mudanças na jornada de trabalho dos servidores da área administrativa. Em vez de um plantão seguido de 12 horas, os servidores agora terão sua jornada fracionada por determinação da Secretária de Estado de Saúde Pública (Sesap).

As novas escalas de trabalham começam a valer a partir de 1º de setembro deste ano. Ontem, houve uma manifestação em frente à Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) na qual os servidores demonstraram sua insatisfação. A Sesap condenou o ato público.

Segundo a secretaria de saúde, a manifestação interrompeu o fornecimento de insumos essenciais para o funcionamento de unidades de saúde e o atendimento in loco das pessoas. Segundo o coordenador-geral em exercício do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN), Manoel Egídio Silva Júnior, vários insumos continuam em falta nos hospitais, mesmo sem nenhuma mobilização em frente à Unicat.

“O que está faltando não é de hoje não, é de 15 a 20 dias atrás”, disse o sindicalista. Um desses itens são ataduras. A Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) é responsável não só por medicamentos, mas também insumos como as ataduras. Além disso, o coordenador-geral ressaltou que o abastecimento é feito por terceirizados. “Essa parte de descarregar e carregar caminhão é o pessoal terceirizado que faz”, disse.

A Sesap também informou que iria encaminhar o acontecimento para a promotoria de Defesa da Saúde Pública do Ministério Público Estadual. O sindicato diz que é salutar uma investigação na área. “É bom que o Ministério Público investigue mesmo a falta de medicamentos”, rebateu Egídio.

Impasse

Com o fracionamento da jornada de trabalho dos servidores de serviços administrativos, eles cumpriram dois turnos de quatro horas com intervalo para almoço em vez de 12 horas seguidas. Dessa forma, os servidores passarão a dar mais que dois a três plantões por semana como atualmente ocorre.

Conforme o titular da Sesap, Luiz Alberto Fonseca, os servidores não cumpriam as doze horas seguidas. “O trabalho administrativo é mais flexível. Às vezes, os servidores chegam às 9h, mas não ficam até as 21h. E já saiam para almoçar. A secretária só está regulamentando uma situação que já existia. Isso era um desperdício de força de trabalho. A secretaria não vai abrir mão disso”, afirmou o secretário.

Para o sindicato, isso vai prejudicar, por exemplo, o atendimento na Unicat, que ocorria em um turno corrido. Além disso, os trabalhadores se sentem prejudicados. “Nós não recebemos o auxílio transporte nem vale alimentação”, argumentou o sindicalista.

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