Secretaria de Saúde registra dois casos de Raiva por morcegos em Natal

Casos foram registrados nos bairros de Ponta Negra e Neópolis

Ursula-Torres-AQ

O Departamento de Vigilância Sanitária em Saúde e do Centro de Controle de Zoonoses confirmaram dois casos de Raiva registrados em Natal através da transmissão por morcegos. Primeiros casos do ano na capital potiguar, os registros foram identificados em pessoas residentes nos bairros de Ponta Negra e Neópolis, pertencentes ao Distrito Sanitário Sul. Apesar da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) descartar o risco de proliferação da doença, devido ações de profilaxia, é importante que a população fique atenta.

As pessoas que tiveram contato com os morcegos infectados foram encaminhadas ao Hospital Giselda Trigueiro, referência em todo o Rio Grande do Norte no tratamento de doenças infectocontagiosas. De acordo com Úrsula Torres, bióloga e interina da Gerência Técnica do Centro de Zoonoses, as pessoas estão fora de risco.

A situação epidemiológica da Raiva em Natal não é diferente da situação do Brasil, que apresenta aumento no número de pessoas atendidas pelo serviço de saúde devido a contatos ou agressões por morcegos. “Entretanto, essas duas pessoas não tiveram registro de agressão pelos morcegos. Já foram medicadas e não apresentam situação de risco. Todas as medidas para evitar a proliferação da doença estão sendo tomadas”, informou.

Os morcegos (quirópteros) estão listados como os principais transmissores de Raiva no Brasil, considerados pela sua crescente participação no chamado ciclo aéreo da Raiva. O risco da transmissão da doença para humanos e animais de estimação existe devido à proximidade dos morcegos às residências.

A principal via de transmissão da Raiva é o contato com a saliva contaminada de um animal doente, mais habitualmente através de lesão da pele do indivíduo, uma vez que o vírus não penetra pela pele íntegra. O modo mais comum de transmissão é a mordedura, mas o contato do vírus com soluções de descontinuidade da pele ou com membranas nasal, bucal ou ocular também são passíveis de contaminação.

“Por isso é importante que todos fiquem atentos, principalmente, com os cuidados na saúde dos animais de estimação, como cães e gatos, que mantêm um contato mais íntimo com as pessoas”, explica Úrsula. Uma das formas de evitar a contaminação dos animais pela Raiva e consequente contaminação no homem é levando os bichos de estimação para a vacinação.

A campanha de vacinação em Natal acontece sempre na segunda semana de setembro, mas o Centro de Zoonoses fica aberto ao público durante todo o ano para aplicação da vacina anti-rábica. “As pessoas não precisam esperar a campanha. Basta nos procurar que faremos a aplicação da vacina do animal”, destacou a bióloga Úrsula Torres.

Sintomas

Nos humanos, o vírus da Raiva tem atração pelo sistema nervoso central, alojando-se frequentemente no cérebro. A encefalite, inflamação do encéfalo, é o resultado final da instalação e multiplicação do vírus no sistema nervoso central. Os sintomas da Raiva são todos decorrentes deste acometimento do cérebro, provocando confusão mental, desorientação, agressividade, alucinações, dificuldade de deglutir, paralisia motora, espasmos musculares e salivação excessiva.

O comportamento dos animais infectados pelo vírus é diferente. No cão, além de anorexia, a doença pode provocar desatenção e desobediência ao dono. Nessa fase ocorre um ligeiro aumento de temperatura, dilatação de pupilas e reflexos corneanos lentos. Em consequência das próprias características dos felinos, o primeiro ataque do gato é feito com as garras e depois com a mordida. Encefalites, intoxicação e traumatismo cranioencefálico são considerados diagnósticos diferenciais.

Quanto ao morcego, deve-se ressaltar que o animal tem hábito noturno e é considerado suspeito de estar infectado com o vírus da raiva quando for encontrado em horário e local não habitual, como por exemplo, caído no chão durante o dia ou à noite.

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