Secretário de Cláudia afirma que Larissa usou “máquina impressionante” na eleição
Na acirrada eleição para prefeito de Mossoró, quem foi o fraco e quem foi o forte? A vencedora Claudia Regina (DEM), ou a derrotada Larissa Rosado (PSB)? Para o secretário de Comunicação da Prefeitura de Mossoró, Julierme Torres, quem abusou política e economicamente foi Larissa, que contou com uma “máquina impressionante” e o apoio do presidente nacional do PSB, governador de Pernambuco Eduardo Campos. Já Claudia Regina, segundo Torres, teve uma campanha de “muita dificuldade”, mesmo com os apoios da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), tradicional liderança da cidade, e da então prefeita, Fafá Rosado (DEM).
Em contato com o Jornal de Hoje, Torres rebateu as declarações da deputada Larissa Rosado, que afirmou, nesta semana, em entrevista ao Jornal 96, da FM 96, que o poderio econômico do governo do Estado e da Prefeitura de Mossoró mudou os rumos da eleição em Mossoró em seu desfavor e em benefício da candidata de Rosalba e Fafá. Embora tenha liderado as pesquisas durante a campanha toda, chegando a ter mais de 20 pontos de vantagem sobre Claudia, Larissa perdeu o pleito por uma diferença de cinco mil votos.
“Estranhamos muito a afirmação da candidata derrotada. Porque ficou claro, para quem conhece e acompanhou a campanha de Mossoró, que houve diferença de recursos e de poder econômico em favor de Larissa e não de Claudia”, afirmou o secretário de Comunicação da Prefeitura de Mossoró. Segundo o auxiliar da prefeita Claudia Regina, isso restou comprovado “porque várias lideranças políticas, que sempre acompanharam a governadora Rosalba e a prefeita Fafá, de vários partidos, migraram para a oposição de forma muito brusca, que não tivemos condições de dialogar, em função dos argumentos riquíssimos que a oposição utilizou para atrair essas pessoas”, afirmou.
Na guerra de informações, Julierme Torres acrescentou que foi “desproporcional a estrutura de campanha” de Larissa Rosado, muito maior do que a de Claudia, e que “a candidata derrotada veio para a eleição de Mossoró com uma máquina impressionante, o governador de Pernambuco, e eles diziam, nas entrevistas, e na cidade, que dinheiro não era problema na campanha de Larissa”, afirmou. “Ao contrário, a campanha da prefeita Claudia teve muita dificuldade, inclusive, de manutenção de estrutura básica de campanha”.
Por fim, o secretário disse ainda que houve manipulação de pesquisa por parte da campanha de Larissa Rosado. “Nunca antes se viu manipulação de pesquisas eleitorais. O jornal O Mossoroense só publicou pesquisa duas vezes na sua história. Uma em 1988, dando vitória de Lahyre Rosado com diferença de oito pontos sobre Rosalba e ele perdeu. A outra vez foi agora, com Larissa vencendo Claudia. Então, se houve abuso de poder econômico, foi pela oposição”, concluiu.
JURÍDICO
O advogado Emanoel Antas, da defesa de Claudia Regina, afirmou hoje que as ações que são imputadas à governadora Rosalba Ciarlini em todos os processos eleitorais advindos de Mossoró são administrativas e não eleitorais. Ele disse que o fato de Rosalba ter lançado ou inaugurado obras em Mossoró no período da campanha não significa que ela tenha revertido isso em benefício da campanha de Claudia.
“A governadora, em outro momento, como política, agiu pedindo votos para Claudia, mas por esse motivo não poderia deixar de administrar o Estado. Assim como a presidente Dilma gravou no programa de Larissa mensagem pedindo voto para ela, e lançou obra em Mossoró (Complexo Viário) e ao mesmo tempo pediu voto para Larissa e nem por isso entendemos que foi ato ilícito ou improbidade, da mesma forma que Rosalba”, disse Antas.
Ele destacou que, ao todo, são 11 processos movidos contra Claudia Regina pela coligação adversária. “Em todos eles tem atos repetidos. Três deles falam do avião que a governadora utilizou para vir a Mossoró realizar atos de governo. Sobre outros fatos, como inauguração de uma praça, na realidade, a praça não foi inaugurada porque não poderia haver inauguração no período. Houve retirada de tapumes da praça municipal. E outro fato, como a nomeação de servidor público, isso faz parte do poder discricionário da governadora, mas foi imputado como ato ilegal da parte dela, quando, na realidade, faz parte da administração”.
Ainda segundo o advogado, os processos contra Claudia Regina contêm fatos muito frágeis para condenar. “Entendemos que na decisão do processo 313, há uma fragilidade muito grande, e houve equívoco do magistrado, porque não há um só ato imputado a Claudia ou a Wellington. Todos os atos são imputados à governadora, quando, na realidade, são atos da administração e não tinham o cunho político”, afirmou.
Em contrapartida, a deputada Larissa, segundo o advogado, enquanto candidata, possui diversas ações na Justiça eleitoral pelos atos cometidos como abuso na mídia que é de sua propriedade, os jornais O Mossoroense, a TV Mossoró e a Rádio Resistência. “Esses atos dela tiraram a isonomia do pleito. Ela passou um ano sendo falada nesses jornais positivamente e Claudia passou seis meses sendo falada negativamente”.
O advogado conclui afirmando que há um vício na condenação da prefeita Claudia, publicada nesta segunda-feira e que determinou o seu afastamento da prefeitura – revertido por recursos. “Esses vícios se dão por terem imputado diversos atos a Rosalba, sem que ela tenha participado do processo. Rosalba não teve o direito ao contraditório e à ampla defesa, e, mesmo assim, fatos de improbidade administrativa foram imputados indevidamente, e atos ilícitos foram imputados indevidamente, mesmo sem ela ter conhecimento do processo e direito ao contraditório”, finalizou.
Advogado de Larissa: “A governadora perdeu a nobreza do cargo”
O advogado Marcos Araújo, que defende juridicamente a candidata derrotada Larissa Rosado (PSB), afirmou nesta manhã, durante entrevista ao Jornal da Cidade (94 FM), que na campanha eleitoral em Mossoró, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) perdeu a nobreza do cargo, numa referência à atuação decisiva da chefe do executivo do Rio Grande do Norte na campanha da prefeita Claudia Regina (DEM).
“A gente diria, como os franceses, que a governadora perdeu a Noblesse Oblige, a nobreza do cargo”, afirmou o advogado, tal a forma exagerada com a qual Rosalba assumiu a campanha de Claudia Regina, como líder de um grupo político. “Na verdade, ela assumiu a campanha, ela tomou para si, nos últimos meses. Ela demonstrou que é a líder do grupo político, e ela é a maior liderança política de Mossoró, e ela tomou para si a responsabilidade de fazer essa virada, só que ela fez de forma indevida”, afirmou.
“Nas madrugadas, no bairro Santo Antônio, a governadora visitava as famílias, em um Fiat Uno, pedindo voto, e aí se sabe, com as acusações, inclusive, de barganha de oferta de cargo. Uma das ações, inclusive, tem que ela fez uma nomeação em período eleitoral para uma filha de uma pessoa que estava para se definir pela campanha de Larissa Rosado, que era o Chico da Prefeitura, e ela fez a nomeação para diretora do Detran aqui em Natal”, afirmou o advogado, durante sua entrevista ao Jornal da Cidade.
Segundo Marcos Araújo, além do abuso de poder político e econômico, as eleições em Mossoró foram “maculadas” e “viciadas” pelo financiamento ostensivo de empresários com interesses na máquina administrativa. Ele afirma que houve “derramamento de dinheiro”, além de obras e promessas da governadora e da prefeita Fafá Rosado (DEM). Tudo junto, na sua avaliação, alterou a normalidade democrática.
“Todo cidadão mossoroense sabe como se deram as eleições. Obviamente as eleições de Mossoró foram viciadas, porque foi maculada a vontade popular por um abuso escrachado do uso da máquina administrativa do governo do estado e da prefeitura, além do financiamento de empresários com interesses na máquina administrativa do município, em que se houve um derramamento de dinheiro, de obras, de promessas e com atuação direta da governadora do estado, da prefeita e outras pessoas; isso alterou a normalidade democrática e fez com que Mossoró tivesse um pleito viciado”, afirmou Marcos Araújo.
Marcos Araújo é autor de quatro Ações de Investigação Judicial Eleitoral que tramitam na Justiça Eleitoral com denúncias de abuso do poder político e econômico na sucessão mossoroense. É dele, por exemplo, a ação que resultou na cassação da prefeita Claudia Regina e do seu vice, Wellington Filho (PMDB) na última sexta-feira, em decisão do juiz da 33ª Zona Eleitoral, José Herval Sampaio. Nesta ação, a coligação trata especificamente da atuação da governadora durante a campanha.
“A governadora, quando foi a Mossoró, não foi como cidadã, apenas para opinar, mas como ativista política, financeira e tudo mais”, contou, desfiando um punhado de fatos que, se forem provados, são graves e poderão resultar na cassação definitiva da prefeita Claudia e do seu vice. Apenas na ação que teve sentença na semana passada, segundo ele, são 76 fatos. Marcos Araújo disse que a presença da governadora na campanha foi tão avassaladora que chega a se confundir com o “Estado sou Eu”, de Luis XIV.
“Não tenho dúvida, em absoluto, e qualquer eleitor, qualquer cidadão que esteve em Mossoró sabe, que o governo do estado praticamente se transferiu e a governadora, todos os discursos dela, ela dizia que o povo tinha que votar em Cláudia Regina, porque se não votasse em Cláudia Regina ela não faria nada por Mossoró. E aí as expressões são específicas: ‘é a rosa que faz’. A governadora era quem fazia, não o estado do RN. ‘A rosa só faz isso’. A rosa é uma personificação imprópria da pessoa da governadora no estado do RN, uma expressão indevida que nos leva ao obscurantismo do século XIII, século XIV, do rei Luís XIV, o “L’État c’est moi”: O estado sou eu. Então, é como se o estado do RN não fosse o povo e não pertencesse ao povo”.
Sobre as provas dos atos ilegais, Marcos Araújo afirmou possuir abundantemente. “O que nós estamos acusando é abuso de poder econômico. Doações nós temos vários filmes, fitas de doações de cadeiras de rodas. Teve uma empresária em Mossoró que doou muita coisa, abusivamente, nós tivemos entregas, de uma só vez, de 150 bicicletas, é uma coisa desproporcional e descomunal”, afirmou.
Marcos Araújo defendeu a sentença do juiz José Herval Sampaio, alvo de críticas de aliados da prefeita Claudia Regina. “O juiz eleitoral, como acompanhou bem esse pleito, ele apenas deu o cumprimento à Lei. Obvio que algumas pessoas hoje, e fazem isso por conta da política, por interesses mesquinhos, têm tentado desacreditar o juiz sentenciante. O juiz sentenciante é um jovem juiz, com mestrado em direito constitucional, é doutorando, tem uma qualidade técnica muito boa, a sentença é mais de 90 laudas, ele fez embasada em mais de 1000 páginas de documentos e provas”, disse o advogado.
Além das ações de investigação judicial eleitoral, foram interpostos por Marcos Araújo um recurso contra diplomação com ação de impugnação do mandato eletivo, uma impugnação, e uma representação pelo artigo 30, que é a captação ilícita de recursos para a campanha e por gastos indevidos. “Para se ter uma ideia, mesmo depois de encerrada a campanha, a candidata prestou contas e a prestação de contas tem doações até 16, 18 de outubro, quando a Lei diz que só é permitido doações até o dia da eleição”, afirma o advogado. “Então, mesmo depois da eleição, ainda se saiu fazendo captação de recursos financeiros para a campanha”.
Apesar de apresentar fortes fatos, segundo Marcos Araújo, suas ações são secundadas, já que o Ministério Público está à frente de várias outras ações. “O MPE, sabendo do abuso de poder econômico e financeiro em Mossoró, ajuizou 11 ações, algumas delas, inclusive, com captação ilícita. O MP fez um flagrante em um depósito de material de construção: uma pessoa foi lá no MP e deu uma ordem a um agente e esse agente foi com uma promotora nesse depósito, dizendo que queria receber uma ordem de cimento da candidata Cláudia Regina e recebeu o cimento, e nessa hora foi dado o flagrante e tudo o mais”, relatou.
Márcia: “Interferência de Rosalba foi forte e espero Justiça”
A presidente do diretório do PSB em Natal, deputada estadual Márcia Maia, prestou solidariedade hoje ao diretório do PSB em Mossoró, que lançou a candidatura da deputada estadual Larissa Rosado (PSB) a prefeita da cidade. Márcia Maia confirmou a interferência da governadora Rosalba Ciarlini na campanha mossoroense e disse esperar que a Justiça tome as providências cabíveis.
“Fiquei impressionada com a adesão, o apoio e o envolvimento da população de Mossoró na campanha da deputada Larissa, inclusive todas as pesquisas a apontavam como vencedora. Nós vimos a presença ostensiva da governadora Rosalba Ciarlini usando, inclusive, o avião do governo, para ir por diversas vezes – 56 vezes em 30 dias – de Natal para Mossoró. Isso já demonstra, por si só, a presença constante da governadora na campanha da adversária, além de outras provas que se tem de abuso de poder político, econômico, na cidade de Mossoró”.
Márcia Maia disse que apesar de toda a presença da governadora e do poder econômico e político, achava que o resultado seria favorável a Larissa Rosado. “Eu fiquei surpreendida pelo resultado, até porque vi até 15 dias antes da eleição a demonstração de apoio, de carinho, de adesão, à campanha da nossa companheira Larissa Rosado. Mas, aconteceu o resultado e nós aceitamos democraticamente”, afirmou, durante entrevista à FM 94.
Segundo a deputada, a interferência da governadora “foi muito forte”. “A interferência foi muito forte. Algumas pessoas me diziam que depois que a governadora entrou na campanha o resultado iria mudar, porque a governadora iria fazer com que o resultado mudasse e isso era a opinião de alguns mossoroenses que eu encontrei aqui em Natal e até em Mossoró também, dizendo que ela ia mudar o resultado. Eu não sabia da ostensividade e de tudo o que a governadora estava fazendo com a sua equipe, indo para a casa de correligionários de Larissa, rasgando fotografias, aparecendo em noticiários aqui em Natal, aquilo foi uma coisa absurda”.
Márcia Maia relembrou o fato, emblemático segundo ela, da chegada de Rosalba a uma casa, rasgando a fotografia de Larissa de repente, de uma hora para a outra, e já deixando lá a fotografia da candidata dela, que era Cláudia Regina. “Isso foi noticiado aqui em Natal. A demonstração de abuso de poder econômico, político, isso aconteceu em Mossoró e todo mundo sabe, agora vamos aguardar a decisão da justiça”, concluiu.
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