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Secretário de Saúde descarta contratação de OS para gerenciar UPA de Cidade da Esperança

Data: 09 janeiro 2013 - Hora: 18:34 - Por: Roberto Campello

Quando estiver em funcionamento, a UPA de Cidade da Esperança atenderá a demanda de até 800 atendimentos. Foto: Wellington Rocha

A placa anunciando a construção da Unidade de Pronto Atendimento da zona Oeste de Natal, em Cidade da Esperança, colocada em frente à unidade, pela administração passada, contrasta com a realidade. Na placa, a frase “a Prefeitura está cuidando da saúde” não condiz com a atual situação da saúde pública no município de Natal. Enquanto as Unidades Básicas de Saúde em Natal passam por dificuldades em relação a problemas estruturais, falta de medicamentos e de profissionais, a UPA da Cidade da Esperança está concluída desde o mês de junho do ano passado, à espera de equipamentos e profissionais para ser inaugurada. A atual gestão ainda não tem uma definição a respeito do início do funcionamento da UPA de Cidade da Esperança, mas descartou a possibilidade de contratação de uma Organização Social (OS), como a A.Marca, que administrou a UPA do Pajuçara.

A estrutura da UPA de Cidade da Esperança está toda pronta, embora precise passar por algumas adequações, como a sala da farmácia, que ficou pequena e deve ser ampliada. As salas já estão sinalizadas. Consultórios, salas de classificação de risco, salas de raio-X, observação adulta e infantil estão todas prontas esperando apenas os equipamentos e os recursos humanos para começar a prestar serviço à população. A entrada do prédio ainda precisa ser adaptada para poder se adequar a acessibilidade dos pacientes com deficiência física ou com dificuldade de locomoção.

O secretário municipal de Saúde, Cipriano Maia, que assumiu a gestão há nove dias, disse que ainda está revendo os processos referentes à UPA de Cidade da Esperança, mas já pode adiantar que, embora o prédio esteja aparentemente concluído, ainda será necessário fazer algumas adequações antes de o prédio ser liberado para funcionamento. “Falta um ponto de ambulância do Samu, a questão da acessibilidade e de equipamentos contra incêndio. Vamos verificar essa situação com a empresa, ver o que realmente está acontecendo e aí tomar as providências cabíveis”, disse Cipriano Maia.

Em relação à gestão da UPA de Cidade da Esperança, Cipriano Maia descartou a possibilidade de contratação de uma empresa para gerenciar a unidade. O secretário disse que a Prefeitura de Natal deverá realizar, nos próximos meses, concurso público para contratação de profissionais que irão trabalhar na UPA. “A gestão da UPA da Cidade da Esperança será pública. Não haverá terceirização na gestão”, garantiu o secretário de Saúde de Natal.

Hoje, Natal não dispõe de nenhum Hospital Municipal de grande porte. O atendimento médico de urgência e emergência, de responsabilidade da Prefeitura de Natal, é realizado na Unidade Mista de Saúde de Cidade Satélite, que sofre com problemas na estrutura, na Unidade Mista de Mãe Luiza e no Hospital dos Pescadores, além da UPA de Pajuçara, que realiza uma média de 400 atendimentos diários. Em funcionamento, a UPA de Cidade da Esperança deverá desafogar os corredores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, pois com a possibilidade de 800 atendimentos diários, corresponde a dois hospitais Walfredo Gurgel.

A UPA da Cidade da Esperança contou com investimentos de R$ 4.093.176,85, com mais R$ 1 milhão para equipamentos. A nova unidade será maior que a Unidade de Pronto Atendimento do Pajuçara em funcionamento, e a estimativa é que a nova UPA realize cerca de 800 atendimentos de baixa e média complexidade por dia. Será necessário R$ 1,5 milhão por mês para garantir manutenção.

O secretário estadual de Saúde, Isaú Gerino Vilela, cobrou da Prefeitura de Natal a abertura da Unidade de Pronto Atendimento de Cidade da Esperança. “O município precisa dar sua resposta em relação ao atendimento de urgência e emergência naquilo que é de sua responsabilidade. Se todos fizerem sua parte conseguiremos diminuir a quantidade de pacientes nos corredores do Walfredo Gurgel, pois só o funcionamento da UPA de Cidade da Esperança corresponde ao dobro do atendimento realizado diariamente no Walfredo Gurgel”, destacou. Ele disse também que as UPAs de Parnamirim e de Macaíba já estão prontas apenas esperando os municípios colocarem elas para funcionarem.

Isaú Gerino disse ainda que o município de Natal já teria recebido o repasse federal, fruto do convênio assinado com o Ministério da Saúde, para a compra de equipamentos e o funcionamento da UPA da Cidade da Esperança. O secretário de saúde do município informou ainda não ter conhecimento deste repasse.

A primeira previsão era de que a UPA da Cidade da Esperança fosse inaugurada em março de 2012. A prefeita Micarla de Sousa adiou o início dos atendimentos para maio do ano passado e hoje permanece fechada sem qualquer previsão de inauguração. “Não tenho informações quando vai começar a funcionar, mas a estrutura está pronta há muito tempo”, disse o vigilante de plantão. O vigilante disse que, nesta terça-feira (8), uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde esteve no local para visitar o local.

 

Terceirizados ameaçam parar

Os funcionários da empresa Safe que prestam serviço à saúde pública estadual realizam uma assembléia na manhã desta quinta-feira (10), às 8h30, em frente ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel para definir os encaminhamentos da categoria. Eles ainda não receberam os salários referentes ao mês de dezembro que deveriam ter sido pagos até esta terça-feira (8).

A empresa alega que ainda não recebeu os valores referentes ao mês de novembro. O mês de dezembro tem até o dia 30 de janeiro para ser pago. Como não há repasse para o 13º dos trabalhadores, como está previsto no contrato, a empresa usou o dinheiro que tinha em caixa para quitar essa dívida não tendo mais como honrar os salários de dezembro. De acordo com o dono da empresa que teve uma reunião com o setor financeiro da Sesap, o Governo diz que a previsão de pagamento é apenas quando for aberto o orçamento do Estado, o que em geral ocorre em março.

Com a paralisação dos terceirizados todos os serviços dos grandes hospitais serão reduzidos, pois os setores de copa e cozinha não poderão funcionar reduzindo a alimentação para os plantonistas que por sua vez manterão apenas 30% dos serviços funcionando.
A falta de pagamento por parte do Governo do Estado aos seus fornecedores vem causando outros transtornos na saúde pública. Há três meses sem pagar a empresa de informática Salux, os trabalhos estão prejudicados. A empresa é responsável pela recepção e pelos Setores de Arquivos Médico e Estatísticas (Same), setores que fazem os boletins médicos, as fichas e a evolução dos pacientes. Sem os programas utilizados tudo voltou a ser feito na mão, aumentando o tempo gasto e a possibilidade de erros e perdas dos históricos dos pacientes. Os hospitais mais prejudicados são o Walfredo Gurgel e o Santa Catarina.

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