Secretário de Turismo faz defesa da Copa em Natal

O Governo do Estado, ao que parece, começa a assimilar o pequeno, mas devastador artefato montado pela Associação Brasileira da…

O Governo do Estado, ao que parece, começa a assimilar o pequeno, mas devastador artefato montado pela Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Rio Grande do Norte (ABIH/RN), contra o que considerou “descaso” das autoridades com o destino RN.
A bomba explodiu na sexta-feira (12) com a divulgação de uma pesquisa mostrando que a opinião pública já identifica o Governo do Estado como grande responsável pelos péssimos números de turismo este ano.

Os estilhaços, que também sobraram para a Prefeitura de Natal, entraram mais na carne ao questionarem o legado da Copa do Mundo. Isso não foi escrito, mas dito verbalmente. Segundo o presidente da ABIH/RN, Habib Chalita, a Copa em Natal pode transformar-se num fiasco, já que as obras de sustentação do evento estão claramente atrasadas e o segmento hoteleiro, que fica com 15% do dinheiro oriundo do fluxo de turistas, enxerga nuvens negras no horizonte.

Neste sábado, o secretário estadual de Turismo, Renato Fernandes, reagiu. Disse que foi um erro incluir a Copa do Mundo no pacote das críticas. “Dizer que ela será um tiro no pé é ignorar que, por ocasião do evento, teremos 20 mil jornalistas na cidade e 400 emissoras de tevê de todo o mundo aqui dentro transmitindo as partidas e mostrando Natal para o planeta”, afirmou Fernandes.

Dizendo-se igualmente preocupado com o atraso em algumas obras de mobilidade, o secretário comentou que o legado de que tanto se fala não deixará de ter recursos garantidos depois que a Copa receber a última partida no estádio Arena das Dunas, previsto para 13 horas do dia 24 de junho de 2014.

“Esses financiamentos federais, garantidos mediante as contrapartidas do estado e do município, continuarão pactuadas antes e depois da Copa do Mundo e isso ninguém vai mudar”, advertiu.

Fernandes não quer polemizar com o setor hoteleiro. Mas pediu paciência em relação a outros itens da pauta do setor, como a desoneração do querosene de aviação, medida que contribuiria para captar novos voos para o destino.

“Estamos trabalhando nessa desoneração agora especificamente para o voo charter nacional e até o final deste mês há boas perspectivas de adotarmos a redução da alíquota do QAV em bloco entre todos os estados nordestinos, já que o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal nos impede de fazê-lo isoladamente”, afirmou.

A argumentação do secretário para atenuar as declarações do presidente da ABIH/RN se baseia num raciocínio sobre perdas e ganhos. E pergunta: “Quando conseguiríamos, por vias normais, ter os olhos do mundo voltados para Natal, além de financiamentos federais para obras se não fossemos uma das 12 sedes da Copa de 2014?”

Ontem, em casa, se recuperando de um forte resfriado, o secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Natal, Fernando Bezerril, comentou a pesquisa da ABIH/RN de forma sucinta. “O prefeito Carlos Eduardo voltou a administrar Natal há 200 dias e posso garantir que estamos correndo para arrumar a casa”.

Um dos mentores da pesquisa patrocinada pela ABIH, o empresário George Gosson, garantiu neste sábado que o hotel de 216 apartamentos que o seu grupo projeta na Avenida Salgado Filho, bem próximo ao novo estádio Arena das Dunas, será concluído a tempo para a Copa do Mundo.

Preocupado com o andamento das obras de mobilidade, Gosson não escondeu a preocupação com o retorno do investimento que consumirá R$ 35 milhões – metade de recursos próprios e a outra metade do Banco do Nordeste.

A inquietação do empresário está focada em algo que vai além da Copa – está na estagnação da economia estadual e seus reflexos sobre o turismo corporativo.

“Nosso empreendimento terá um grande espaço para receber convenções e a iniciativa foi em grande parte alavancada com os progressos que viriam com a Copa de 2014″, afirmou.

Embora reconheça que Natal ainda é uma capital fortemente movida pelo chamado turismo de lazer, Gosson entende que é preciso associar progressivamente a isso o lado corporativo, capaz de render ocupação hoteleira e movimentar o turismo nos períodos de baixa temporada.

Sobre a pesquisa da ABIH/RN George Gosson explicou que ela foi motivada pela necessidade de entender como o próprio natalense enxergava o turismo como atividade importante para a economia e gerador de emprego, renda e riqueza.
“Os resultados mostraram que a população entende que o turismo é vital para o desenvolvimento e deseja ver seu estado mais divulgado”, resumiu.

De acordo com a pesquisa patrocinada pela ABIH/RN, 55% dos 800 ouvidos consideram a atividade turística “muito importante” e 33,88% importante. E 43% acham que o Governo do Estado não incentiva o turismo como devia, enquanto 42% têm a mesma opinião sobre a presença da Prefeitura de Natal.

Um dado interessante da pesquisa quando é perguntado o que se considera uma prioridade da prefeitura na tarefa de atrair turistas e a resposta de 47,3% vai para a limpeza urbana, com o cuidado das praias com 31% e (novamente) a divulgação com 25,6%.

Compartilhar:
    Publicidade