Seedorf recusa vinho, assume papel de ‘chato’ no Bota e critica jornalistas

Holandês lembra que nem todos seguiam seus conselhos: 'Era reconhecido pelo profissionalismo que muitos colegas não têm'

Holandês, agora como técnico do Milan, diz que é preciso dar exemplo aos seus comandados. Foto:Divulgação
Holandês, agora como técnico do Milan, diz que é preciso dar exemplo aos seus comandados. Foto:Divulgação

Entre treinos e partidas com o Milan, Clarence Seedorf encontrou um tempo livre em sua agenda para abrir o jogo. Técnico há pouco mais de um mês, o holandês concedeu entrevista ao jornal “Gazzetta dello Sport” na última terça-feira. Escolheu um restaurante em Milão para a ocasião e surpreendeu quando já foi pedir as bebidas. Mesmo depois de ter pendurado as chuteiras, ele não bebe vinho – na verdade, nenhuma bebida alcoólica faz parte de seu cardápio.

Papo vai, papo vem, e Seedorf lembrou de sua passagem pelo futebol brasileiro. O ex-jogador admitiu fazer papel de “chato”.

“No Brasil, eu era feliz, estava muito bem, era reconhecido pelo profissionalismo que muitos colegas não têm. No Botafogo, por exemplo, eu era aquele que enchia o saco dos outros. Eu costumava aconselhar os jogadores a fazer isso e aquilo, algumas vezes eles ouviam e as coisas aconteciam, outras vezes não davam bola. Agora os jogadores precisam me ouvir forçadamente, ou até por amor, porque no fundo é para o bem deles”, disse.

O holandês também aproveitou a oportunidade para criticar jornalistas em geral.

“Vocês jornalistas são tão apaixonados por táticas e sistemas, falam disso por horas. Mas você sabe qual é a verdade? No futebol moderno há apenas sistemas para o jogo defensivo. No ataque há fluidez total, seis jogadores que movem e trocam de posição com frequência sem que haja um ponto de referência. Por isso, perguntas sobre o estilo de jogo me irritam! Durante a minha carreira, eu gastei no máximo € 500 com jornais. Eu gosto de me auto-avaliar, mas não gosto de ser influenciado por outros que só te criticam sem entender nada”.

Confira abaixo outros trechos da entrevista:

Cabeça de atleta 
Pelo amor de Deus, não há nada para comemorar (ao oferecerem vinho). Eu nunca toquei numa bebida alcoólica de qualquer maneira, sempre jantei bebendo água. sou fã de água natural e além disso tenho de estar muito atento ao físico, deixei de jogar há dois meses. Preciso manter a minha forma agora que tenho mais responsabilidades como treinador

Estratégia anti-crise
Temos de sair da crise na Itália e no Milan. Não se trata de ser positivo ou não, mas temos de ser realistas. Eu tenho um plano que é simples: quero que meus filhos vivam em um mundo melhor, com valores verdadeiros. E para isso é fundamental educar através do esporte, não só o futebol. Não vamos abordar só as circunstâncias, não me interessam os episódios de descriminação, o azar ou o resultado parcial. O que interessa é o final. Me interessa a essência e a possibilidade que o jogo de equipe triunfe por razões justas.

‘O meu Milan sorri’ 
Os jogadores têm de reencontrar a convicção em si próprios. Por isso mudei os ritmos de treino. Quero que joguem, riam e si divirtam. Durante os treinos técnicos, nunca sou muito exigente com os erros, demonstro sobretudo o que é que fizeram bem. Foram dez minutos bons? Ótimo, mas que amanhã podem ser 20, depois 30, e por fim um jogo inteiro. É preciso partir sempre de onde funcionou.

Fonte:Globo.com

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