Segredo de polichinelo – Walter Alves

Revelação de um empresário paulista, após cerco insistente de três jornalistas e a interferência de um deputado tucano interlocutor do…

Revelação de um empresário paulista, após cerco insistente de três jornalistas e a interferência de um deputado tucano interlocutor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Do setor da indústria, o empreendedor, discreto nos comentários políticos, teimava em se esquivar. Sugeriu que fossem procuradas outras pessoas que conheciam o assunto. Mas, pela credibilidade do personagem, o trio da imprensa – dois profissionais de São Paulo e um de Brasília – queria a palavra dele.

Mudou de opinião, porém, depois de o parlamentar do PSDB, também ligado ao governador Geraldo Alckmin, garantir que o assunto havia vazado.

Trata-se de uma pesquisa contratada por uma associação de classe com o intuito de avaliar o efeito da substituição de Dilma Rousseff por Lula da Silva. A possibilidade da troca de candidatos, como é sabido, fora levantada pela cúpula do PT e apoiada por fortalecidos contingentes do PMDB, PSD e PR.

Conforme os índices do levantamento, o cenário pouco mudaria. Apenas seria reduzida a maioria das intenções de voto de Marina Silva. O novo fenômeno bateria o ‘padrinho’ de Dilma em três dos cinco maiores colégios eleitorais. Lula só venceria na Bahia (10,1 milhões de votantes) e equilibraria no Rio de Janeiro (12,1 milhões). Marina ganharia em São Paulo (32 milhões), Minas Gerais (15,2 milhões) e Rio Grande do Sul (8,4 milhões).

Focos de atração

Tendência do voto é repaginada em dois estados do Nordeste.

Em Pernambuco, Paulo Câmara (foto), candidato do PSB, ameaça a liderança de Armando Monteiro, neto, (PTB) no embate para governador.

Câmara tem como avalista de sua causa a viúva de Eduardo Campos, Renata.

Fernando Bezerra Coelho, da mesma aliança, aproxima-se do petista João Paulo na corrida ao Senado.

No Ceará, o favorito Eunício Oliveira (PMDB) perde seis pontos percentuais na disputa para o governo – caiu de 47% para 41%, segundo o Datafolha. O rival Camilo Santana (PT), apoiado por Cid Gomes (PROS), titular (reeleito) do Executivo, subiu de 19% para 31%.

A previsão é que haja segundo turno. Além do crescimento de Santana, Eliana Novais (PSB) crava 4% e Ailton Lopes (PSTU), 2%.

Para o Senado, o tucano Tasso Jereissati está absoluto: 54% das pessoas entrevistadas pelo instituto prometem votar nele. O segundo colocado – Mauro Benevides, filho (PROS) – contabiliza 20%. Outros aspirantes: quatro pontos somados.

Passou do ponto

Dilma Rousseff perde voto e a noção de absurdo.

É demais comparar Marina Silva a Fernando Collor, correligionário da Presidente, e a Jânio Quadros, um impostor.

A senhora Silva é monocórdica, mas tem juízo e dignidade. Aliás, quem, com menos de 40 anos, lembra-se de JQ?

– Sexta-feira, o vice-presidente da República vai a Natal para falar em comício do candidato peemedebista ao governo do Rio Grande do Norte. Michel Temer é aliado histórico de Henrique Eduardo Alves.

– Amanhã, Aécio Neves faz campanha em Minas Gerais. Se perder em sua terra, o tucano entra em processo de desconstrução político-eleitoral.

– Improvável que antes do primeiro turno da eleição haja reunião da dobradinha de CPIs da Petrobras. A propósito, o senador Vital do Rêgo, filho, (PMDB), presidente das duas comissões de inquérito, está mal como candidato a governador da Paraíba. Diz o Ibope que ele tem 4% das intenções de voto.

– Consensual, não, mas considerável, sim. Eduardo Jorge (PV) tem o melhor desempenho nos debates dos presidenciáveis na tevê e nas entrevistas à imprensa. É bom nas respostas destemidas.

– Marina Silva toma a rota do Rio Grande do Sul, amanhã. Para em Porto Alegre e, na sequência, vai à Feira Agropecuária de Esteio.

– Para refletir: “Sempre tive amor pelo fragmento. No inacabado está um elogio ao mundo imperfeito, e isso me interessa” (Antonia Pellegrino, escritora brasileira).

Compartilhar:
    Publicidade