Segundo a Polícia Federal, o tráfico de maconha supera o de crack e cocaína no RN

Superintendente da PF, Kady Takahashi, revela que apreensão da erva também é crescente e preocupante

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Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Desde o início do ano, a Polícia Federal (PF) tem feito um trabalho extensivo para inibir o tráfico de drogas no Rio Grande do Norte. Apesar de todos os entorpecentes estarem na mira da PF, o superintendente do órgão no Estado, Kady Takahashi, contou que a droga que é mais apreendida no RN não é nem a cocaína e nem o crack.

“Nós estamos percebendo um aumento significante na quantidade de maconha que está circulando dentro do Rio Grande do Norte. O crack é um problema muito grande, sabemos que muitas cidades apresentam o problema do crack. Porém, temos uma grande dificuldade de prender as quadrilhas que fazem o tráfico de crack, pois elas são bem organizadas. Muito mais organizadas do que o pessoal que trabalho no tráfico de maconha. O foco é voltado para combater qualquer tipo de droga, mas o êxito é maior na apreensão de maconha”, destacou.

Questionado se uma possível legalização da maconha iria acabar com o tráfico, Takahashi disse não saber, mas que a discussão tem que ser muito bem realizada. “Se for legalizada, vamos deixar apenas de reprimir o consumo e não o tráfico. A droga que for comercializada tem que ter uma origem legal e não ilícita. Se for liberada a venda e o consumo, a origem vai ter que ser devidamente esclarecida, caso contrário o tráfico de drogas vai continuar da mesma forma”.

Em relação ao consumo de drogas na Universidade Federal do Rio grande do Norte, que levou recentemente a uma discussão sobre uma possível liberação da maconha dentro da entidade, Takahashi se esquivou e disse nunca ter recebido nenhuma reclamação para inibir o consumo na UFRN. “Hoje é ilegal. Temos ordens para inibir qualquer tipo de consumo ou tráfico em qualquer espaço. Quando tem algum tipo de incidente na UFRN, a reitoria imediatamente nos comunica e vamos resolver. Até hoje a reitoria não nos procurou para inibir qualquer tipo de situação de drogas na universidade”.

De acordo com Kandy, o trabalho feito para apreender as drogas conta até mesmo com apoio internacional. “O mais importante para conseguir pegar os traficantes é o trabalho de inteligência. A investigação é muito grande. Recebemos informações da PRF, Força Nacional, Polícia Civil e Militar e também de órgãos internacionais. Recebemos denúncias da própria população, informações de outras investigações. Com todo esse trabalho, acabamos nos deparando com os traficantes”.

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Como exemplo dessa parceria, nessa sexta-feira (11) a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 99 kg de maconha que estavam em três malas em um táxi que estava passando por São José de Mipibu. As suspeitas, identificadas como Renata Virgínia Mendes, de 35 anos e Natália Tereza da Silva, de 21 anos, afirmaram que haviam sido contratadas por uma pessoa em Recife para fazer o transporte da droga e que receberiam, cada uma, o valor de R$ 1.500,00.

Também na noite dessa sexta, uma ação da Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc), no bairro da Redinha, Zona Norte da capital, resultou na prisão em flagrante de três homens e uma mulher acusados de comercializarem drogas. Com eles a polícia apreendeu cocaína, sacos plásticos para embalar a droga, três balanças de precisão e a quantia de R$ 985. Os presos foram identificados como sendo o balconista Diego Marcos Albano, 26, vulgo “Batata”, Rodrigo Alexandre Silva de Freitas, 33, Paulo Henrique Bonfim Pinto, 22, e Wellen Jéssica da Silva, de 18 anos. As prisões aconteceram após denúncia anônima. A Polícia Civil recebeu informações de que durante a tarde, dois ocupantes num veículo tipo Ford Ka, cor preta, placas MYX 8635, iriam fazer uma entrega de drogas nas proximidades do Aquário Natal, na praia da Redinha Nova. A equipe da Denarc foi ao local e após diligências avistou o citado veículo trafegando pelo Conjunto Jardim das Flores, na Redinha, onde estavam os três acusados.

Macon

Quando os suspeitos pararam o carro em frente a uma residência, os policiais os abordaram e revistaram, sendo encontrados com eles alguns pacotes contendo cocaína. Com isso, receberam voz de prisão em flagrante. Em seguida, os policiais seguiram até a casa da companheira de Diego Marcos, Wellen Jéssica, onde foram encontrada mais certa quantidade de cocaína dentro da bolsa dela. Ela também foi presa e conduzida à Denarc. Todos foram autuados por tráfico e associação para o tráfico de drogas. Cada trouxinha de cocaína era vendida pelos traficantes ao preço de trinta reais.

10Mac

Usuário ou traficante?

Desde 2006, quando a nova lei antidrogas entrou em vigor, os “usuários” de drogas passaram a ser tratado de forma diferente dos traficantes, não podendo mais serem privados de liberdade por tal ato. As penas agora podem ser três: Uma simples advertência sobre os efeitos das drogas, a prestação de serviços à comunidade e medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

“Tudo vai depender da situação. Não existe uma quantidade específica para se identificar se a pessoa que está com a droga é um traficante ou apenas um usuário. Claro que dependendo da quantidade, fica mais evidente. Por exemplo, ninguém vai ter 1 kg de maconha para consumo próprio. Quando pegamos a pessoa com uma pequena quantidade é feito um termo circunstancial, que é enviado para a justiça. Lá o juiz responsável pelo caso irá analisar a situação e definir a punição cabível de acordo com a gravidade da situação”, explicou Kandy Takahashi.

Armas de brinquedo

O assalto sofrido pelo soldado Anderson Ferreira no último dia 4 de abril, quando um grupo de adolescentes utilizou uma arma de brinquedo para render o PM, roubar a pistola dele e logo em seguida disparar contra o policial, que perdeu a visão do olho esquerdo, reacendeu a discussão em relação à comercialização desse tipo de arma.

De acordo com o superintendente da Polícia Federal do Rio Grande do Norte, Kandy Takahashi, esse tipo de comércio é crime. “Comercializar, adquirir, importar e utilizar armas de brinquedos que simulem armas de verdade é terminantemente proibido pela legislação brasileira. Isso se configura em crime de “Simulacro de Arma de Fogo”. Quem for pego infringindo essa determinação, sofrerá a sansões judiciais de acordo com a gravidade do caso”, destacou.

Ainda segundo Kandy, essas armas são constantemente usadas em ações criminosas de vários tipos. “É muito comum usarem essas armas para conseguirem entrar em agências de Correios e também em Lotéricas. As pessoas que trabalham nesses estabelecimentos até já sabem que muitos utilizam armas de brinquedo, mas elas são tão parecidas com as verdadeiras, que ninguém vai ficar conferindo”.

Para acabar com esse tipo de comércio, fiscalizações são feitas constantemente em mercadorias que entram no Estado, além de inspeções nos principais pontos de venda da cidade. “O que nós fazemos é uma fiscalização bem rígida em camelódromos e em mercadorias. A maior parte desses produtos vêm do Paraguai, então já montamos uma estratégia para inibir esse tipo de situação.”, explicou Takahashi.

Já em relação ao porte de arma de fogo “real”, o superintendente conta que, desde 2007, as normais estão mais rígidas para conceder esse tipo de benefício. “Antigamente, qualquer pessoa que se sentisse ameaçada podia vir na PF e pedir o porte de arma que geralmente ele seria concedido. Porém, agora está diferente. O porto só será concedido em último caso, de maneira excepcional. Se o sujeito está sendo ameaçado, levou um tiro na rua. Ele vem aqui e vamos avaliar o caso. Vamos observar se ele tem capacidade de manusear a arma, tanto tecnicamente quanto psicologicamente. Se for o caso, iremos conceder o porte. Lembrando que para juízes, policiais, Ministério Público e alguns outros cargos, o porte já faz parte do cargo”.

No que diz respeito ao registro, Takahashi afirma que a situação é bem mais simples e a grande maioria das pessoas pode conseguir. “São situações diferentes, quem tem registro não necessariamente tem o porte. O porte é quando a pessoa pode utilizar a arma fora de sua residência, o registro é para a pessoa ter uma arma em casa. Aí é mais simples. Fazemos a avaliação psicológica e técnica. A pessoa vai na loja, compra a arma e vem aqui fazer o registro. Se a pessoa não tiver nenhum problema com a justiça, é bem provável que consiga o registro.”. “Não tenho certeza sobre o valor, mas é algo em torno de R$ 80 para conseguir o porte e o registro”. As armas que podem ser utilizadas por civis são de calibre 38, 380 e 22, as demais são de uso restrito. “Ainda tem um dado curioso. Todos os pedidos de porte e registro de arma passam por mim e eu nunca recebi um pedido de uma mulher, sempre foram de homens”, destacou Kandy.

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