Seis meses de estado de calamidade não resolveram problemas na saúde

Rede municipal segue com problemas como suspensão das cirurgias cardíacas pediátricas

UPA de Cidade da Esperança entrou em funcionamento com a contratação de pessoal temporário, mas  pediatria ainda não foi aberta por falta de profissionais. Foto: Heracles Dantas
UPA de Cidade da Esperança entrou em funcionamento com a contratação de pessoal temporário, mas
pediatria ainda não foi aberta por falta de profissionais. Foto: Heracles Dantas

Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

 

Os seis meses de estado de calamidade pública na Rede Municipal de Assistência à Saúde de Natal – que terminou no domingo passado, dia 26 de janeiro -, não foram suficientes para solucionar os problemas crônicos que se arrastam na saúde pública municipal. Apesar dos avanços, as estruturas físicas de algumas unidades básicas de saúde ainda são precárias, a falta de profissionais compromete o funcionamento de serviços essenciais, a Maternidade Leide Morais permanece fechada para reforma e as cirurgias cardíacas pediátricas estão suspensas por falta de pagamento. Em contrapartida, nesse período, a Secretaria Municipal de Saúde conseguiu abrir a Unidade de Pronto Atendimento de Cidade da Esperança, na zona Oeste de Natal, e completar as equipes médicas do Programa Saúde da Família, através do programa do Governo Federal, Mais Médicos.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o Plano de Ação que complementou o Decreto de Calamidade Pública previa o investimento de R$ 8 milhões, sendo R$ 5 milhões do Orçamento Geral do Município (excedente do Fundo de Participação dos Municípios), para investimento na rede básica, e os outros R$ 3 milhões do Ministério da Saúde, para serem aplicados em equipamentos, reformas e manutenção dos serviços especializados, além da aquisição de insumos e material médico-hospitalar. No Plano de Ação, a Secretaria elegeu seis eixos principais de atuação: Infraestrutura Física e Manutenção; Assistência Farmacêutica, Equipamentos e Material Permanente; Acesso aos Serviços de Saúde; e Recursos Humanos.

Durante os seis meses, a Secretaria realizou Processo Seletivo Simplificado para contratação de pessoal necessário à manutenção e ampliação dos serviços, melhoria do funcionamento dos prontos atendimentos, particularmente do Hospital dos Pescadores que passou a contar com um gerador de energia, serviço de raio-X, algumas melhorias na estrutura de funcionamento e reposição de pessoal para melhorar o funcionamento das equipes.

Desde o último dia 6 de janeiro, a UPA de Cidade da Esperança entrou em funcionamento com a contratação de pessoal temporário. O setor de urgência e emergência pediátrica ainda não foi aberto na UPA por falta de profissionais. O Pronto Socorro Infantil Sandra Celeste, depois de mais de dois sem funcionar, voltou a oferecer a população de raio-X, desde o final do mês de novembro. No início de janeiro, a unidade passou por um reordenamento no processo de atendimento com a adoção da classificação de risco e com o aporte de pessoa na área de enfermagem, com a chegada de sete técnicos de enfermagem.

De acordo com a administradora do Pronto Socorro Sandra Celeste, Lígia Gomes, desde que a classificação de risco foi implantada houve uma redução de 40% no atendimento. “Melhorou bastante o funcionamento do Pronto Socorro, pois passamos a receber apenas os pacientes que são de nossa responsabilidade. Os casos ambulatoriais estão sendo encaminhados para as unidades básicas de saúde. Hoje atendemos uma média de 180 a 200 pacientes por dia, mas esse número já chegou a ser próximo dos 400 atendimentos diários. Com isso, diminui a sobrecarga de trabalho, bem como conseguimos distribuir melhor os insumos e equipamentos”, afirmou Lígia Gomes.

Cumprindo a determinação judicial, ainda no mês de janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde viabilizou a abertura de dez novos leitos de UTI do Hospital Memorial, que já estão funcionando e dando retaguarda à rede. Além disso, a Secretaria conseguiu junto ao Ministério da Saúde a habilitação de outros nove novos leitos de UTI no Hospital Universitário Onofre Lopes, que deverão entrar em funcionamento nos próximos 30 dias.

Enquanto isso, a Maternidade das Quintas e a Maternidade de Felipe Camarão esperam pela reforma e ampliação, além do Centro de Controle de Zoonoses, que precisa passar por obras de recuperação. A regularização na aquisição de medicamentos ainda enfrenta dificuldades. O déficit de profissionais ainda tem comprometido o funcionamento da rede municipal de saúde. A SMS pretende equacionar, parcialmente, a carência, com a contratação de um novo contingente de servidores temporários nos próximos 60 dias. O edital do Processo Seletivo Simplificado deverá ser publicado até a próxima semana e com a seleção de pessoal para as diversas áreas da saúde, inclusive administrativa.

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