Sejuc espera que exoneração do diretor da João Chaves seja publicada nesta semana

Rondinelli Santos (foto) foi preso em flagrante sob suspeita de utilizar detentos para reforma em imóvel

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Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Depois de ser preso em flagrante por supostamente ter utilizado detentos para realizar um trabalho em uma residência de sua propriedade nesse sábado (12), o diretor do Complexo Penal João Chaves, Rondinelli Santos, deve ter sua exoneração do cargo publicada no Diário Oficial do Estado ainda esta semana. Pelo menos esse é o desejo do titular da Secretaria do Estado de Justiça e da Cidadania (Sejuc), Júlio César de Queiroz.

“Eu já tinha pedido a exoneração dele desde o último dia 2 de abril, mas os procedimentos burocráticos ainda não permitiram que essa exoneração fosse publicada. Porém, com esses acontecimentos espero que essa publicação aconteça até amanhã, no máximo até o final de semana”, destacou. Rondinelli é agente penitenciário e estava na direção da João Chaves como cargo comissionado. “Depois que ele for exonerado, nós iremos instalar um procedimento administrativo e esperar o desenrolar das investigações para saber qual será a punição”, explicou Júlio César.

De acordo com os advogados que fazem a defesa de Rondinelli, o fato que está sendo divulgado não condiz com a verdade. Segundo eles, Rondinelli protocolou na João Chaves que iria levar os três presos para o Centro de Detenção Provisória de Pirangi para fazer a medição de uma cela que está por ser construída. De lá, ele passou em casa para ver a mulher, que foi operada há 10 dias. Porém, Júlio César de Queiroz afirmou que nenhum serviço no CDP de Pirangi estava previsto. “Olha, existem alguns serviços que são feitos e que se utilizam os detentos. Porém, essas demandas sempre ficam registradas e precisam ser autorizadas. Na data que esse problema aconteceu (último sábado), não tinha nenhuma demanda no CDP de Pirangi e lá não existe nenhuma obra para ser executada”.

Ainda segundo o secretário, imagens comprovariam que Rondinelli estaria utilizando os presos para reformar um imóvel. “Eu não quero fazer nenhum julgamento antecipado, porém, já existem imagens que saíram que mostram os presos fazendo esse trabalho para o Rondinelli. Eles aparecem trabalhando em um imóvel que é do Rondinelli, que fica perto da casa onde ele mora”.

A prisão

No final da tarde de sábado, o comandante geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o coronel Francisco Araújo, recebeu uma denúncia anônima que afirmava que Rondinelli Santos tinha levado três presos para fazer uma reforma na residência dele. De imediato, o coronel enviou duas viaturas para o local, que fica no bairro Passagem de Areia, em Parnamirim. Chegando lá, os policiais constataram o ato e prenderam as quatro pessoas, além de apreenderam o carro oficial do presídio, que foi utilizado para transportar os presos.

Alegando que o seu cliente não tinha cometido nenhum crime e que apenas teria levado os presos para fazer um serviço no Centro de Detenção Provisório de Pirangi, os advogados de Rondinelli entraram com um pedido de liberdade provisória, que foi atendido pela justiça e Rondinelli foi solto no final da noite de domingo (13), depois de passar todo o dia preso. A defesa também fez um pedido para livrar o flagrante, mas esse não foi atendido.

No início de abril, Uma comitiva formada por representantes do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciário (CNPCP) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligados ao Ministério da Justiça (MJ), fizeram inspeções na João Chaves, além do presídio de Alcaçuz, em Nísia Floresta. De acordo com o relatório que apresentaram, eles constaram diversos problemas nos locais, como superlotação e condições insalubres de higiene.

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