Seleção Brasileira não sabe o que é perder para o Chile há 14 anos

Estatística desfavorável aumenta desejo de vingança dos rivais

Rivaldo disputa bola no Estádio Nacional, em Santiago do Chile, pelas eliminatórias da Copa, em 2000: última derrota do Brasil contra a seleção chilena. Foto: Divulgação
Rivaldo disputa bola no Estádio Nacional, em Santiago do Chile, pelas eliminatórias da Copa, em 2000: última derrota do Brasil contra a seleção chilena. Foto: Divulgação

Num estádio conhecido pelo feijão tropeiro servido em seus bares, basta os donos da casa repetirem a receita habitual para conservar a freguesia. Marcado para a hora do almoço, às 13h deste sábado no Mineirão, o confronto que abre as oitavas de final alimenta uma longa escrita. Desde a última vitória do Chile, por 3 a 0, em Santiago, pelas Eliminatórias, em 2000, o Brasil acumula invencibilidade de 12 jogos diante do rival, com dez vitórias, 36 gols a favor e sete contra.

Como estatísticas só servem para explicar o passado e para aumentar o apetite de vingança, espera-se que o Chile dispute a vaga como quem briga por um prato de comida.

Armação no Maracanã

Valentes pela goleada por 4 a 0 que eliminou o Brasil da Copa América de 1987, os chilenos acreditavam mais do que nunca no grito, comum à toda América espanhola, de que “sim, se pode” vencer o time mais forte. Antes de a bola rolar em Santiago para confronto das Eliminatórias para a Copa de 1990, Romário se atracou com o zagueiro Ormeño e levantou a blusa para mostrar a marca da dentada que levara no peito. As duas expulsões antes de o jogo começar anunciavam um confronto sem fim.

No jogo de volta, ao se atirar na direção de um sinalizador luminoso que caíra no gramado do Maracanã, o goleiro Rojas usou um estilete escondido nas luvas para cortar o próprio rosto e deixar o campo como vítima da própria armação. Na tentativa de virar, no tapetão, o jogo que o Chile pedia por 1 a 0, os únicos pontos que Rojas ganhou foram na testa, além de uma cicatriz eterna pelo seu banimento do futebol.

Se a impossibilidade de vencer o rival fosse motivo para autoflagelação, o atual goleiro do Chile já teria marcas por todo o corpo. Desde o seu primeiro confronto com o Brasil em 2007, Bravo sofreu 23 gols em 7 jogos

“Temos uma tremenda oportunidade de derrotar o anfitrião. Só dependemos das nossas próprias armas”, disse o goleiro logo depois de o cruzamento botar o Chile no caminho do Brasil, novamente no Mineirão, onde os dois empataram em 2 a 2, em abril de 2013, em jogo no qual Felipão não contou com jogadores que atuavam na Europa.

Antes, Brasil e Chile haviam jogado apenas uma vez no Mineirão, com vitória dos donos da casa por 2 a 1, em 1980, gols de Zico e Cerezo. Ao contrário daquele época em que o torcedor tinha a escalação como música para os ouvidos, o amistoso do ano passado trouxe ruídos. Além de constatar que ainda não tinha uma base para a Copa das Confederações, Felipão usou o jogo para deixar Ronaldinho Gaúcho pelo caminho. Apesar de morar em Belo Horizonte, o craque foi o único que chegou atrasado à apresentação para aquele amistoso.

Acostumado com o feijão tropeiro do Mineirão, o torcedor local espera uma vitória mais saborosa e substancial, que dê energia para o resto da caminhada. A julgar pelo retrospecto e pelos rivais indigestos que estão por vir, ganhar do Chile não enche barriga de ninguém. Para quem está do outro lado do balcão, no entanto, o Brasil é um prato cheio para transformar o jejum em banquete.

Fonte: O Globo

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