Sem medo da prisão, suspeitos publicam na internet, tortura e encoxadas

Casos de crimes compartilhados na internet se tornaram frequentes no Brasil

Em São Paulo, uma jovem foi torturada e as imagens foram compartilhadas por mais de 10 mil pessoas; em outro vídeo publicado no Facebook, um gato é chutado com força por um rapaz. Foto: Divulgação
Em São Paulo, uma jovem foi torturada e as imagens foram compartilhadas por mais de 10 mil pessoas; em outro vídeo publicado no Facebook, um gato é chutado com força por um rapaz. Foto: Divulgação

Com a facilidade de publicação e compartilhamento de conteúdo nas redes sociais, muitos criminosos usam a internet para se promover. Recentemente, casos de homens que filmavam as partes íntimas de mulheres dentro do metrô de São Paulo ganharam repercussão. Da mesma forma, agressores de uma adolescente de 15 anos, divulgaram imagens de uma sessão de tortura, que foi replicada mais de 10 mil vezes no Facebook.

Vídeos de brigas de garotas, por exemplo, são facilmente encontradas na internet. Para o especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello, isso reforça a banalização e a glamourização da violência do País.

“A internet é o terreno perfeito para banalizar e glamourizar. As pessoas querem mostrar que são superiores, que têm poder. Nesses casos do Metrô, por exemplo, não é mais interesse sexual, o interesse é postar na internet”.

A facilidade de filmar sem ser percebido pode ser um motivador para quem pratica esse tipo de crime. Mas um funcionário do aeroporto de Belém, no Pará, não teve sorte. Ele foi gravado por outra pessoa enquanto usava um tablet para filmar as partes íntimas de uma mulher, na escada rolante.

No fim do mês passado, um vídeo feito por um rapaz e publicado no Facebook causou revolta em internautas. Nas imagens, ele aparece atraindo um gato e em seguida chuta com força o animal. O flagrante caracteriza crime de maus-tratos, cuja pena pode chegar a até três anos de cadeia.

Em 2010, outro vídeo de agressão ficou conhecido na internet: o de uma advogada de Sorocaba (SP) discutindo e agredindo uma mulher, a melhor amiga, que seria com o marido dela. A própria agressora ligou a câmera. No ano passado, ela foi condenada em segunda instância a pagar quase R$ 68 mil à vítima.

O presidente da ONG Safernet, Thiago Tavares, explica que existem vídeos de brigas que podem ser utilizados como forma de denúncia e ajudam a punir os envolvidos.

“Cada caso precisa ser analisado individualmente. Nos já vimos diversas imagens violentas que ajudaram a polícia”.

Mas ele observa que nos casos de gravações feitas nos transportes públicos, há um padrão de comportamento específico dos criminosos.

“Nós constatamos que vídeos e fotos gravados no transporte públicos são exibidos na internet como se fossem uma espécie de troféu. Inclusive, há uma competição entre os agressores que frequentam essas páginas para ver quem grava e divulga o vídeo ou o abuso mais ousado contra as mulheres”.

Compartilhar: