Sem receptor compatível, rins captados no RN vão para o Rio Grande do Sul

Como não apareceu ninguém daqui, o próprio sistema tratou de identificar um receptor de outro estado

Como não apareceu ninguém daqui, o próprio sistema tratou de identificar um receptor de outro estado. Foto: Divulgação
Como não apareceu ninguém daqui, o próprio sistema tratou de identificar um receptor de outro estado. Foto: Divulgação

A primeira captação de órgãos deste ano foi realizada ontem no Hospital Walfredo Gurgel, segundo informou a Organização de Procura de Órgãos, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Dois rins de um doador com morte encefálica comprovada foram retirados para transplante mas, apesar da fila de espera girar em torno de 30 pacientes ativos, não foi encontrado nenhum receptor compatível no RN. Os órgãos extraídos tiveram que ser enviados ainda na tarde de ontem para o Rio Grande do Sul.

A coordenadora da Central de Transplantes do RN, Artenise Revoredo, informou que existem diversas variáveis para se concretizar um transplante. “Temos que avaliar diversos requisitos dos pacientes que estão na lista de espera. Quando se trata de um paciente renal crônico, há quesitos na compatibilidade genética e/ou sanguínea que o paciente pode rejeitar. Daqueles pacientes que estavam ativos para o transplante, nenhum podia receber. Por isso, os rins não ficaram no Estado”, explicou Artenise.

“Hoje essa lista de espera por transplante de rim pode ter aumentado e até aparecido um possível paciente receptor compatível. Mas não podemos esperar para que não haja possíveis prejuízos, como descarte do órgão”, afirmou Artenise Revoredo. Segundo ela, um programa informatizado do Sistema Nacional de Transplante cruza os dados do órgão extraído com os receptores automaticamente. Quando as informações do órgão são lançadas no sistema, ele identifica apenas as pessoas compatíveis.

“Como não apareceu ninguém daqui, o próprio sistema tratou de identificar um receptor de outro estado. Nesse caso, um receptor do Rio Grande do Sul. Claro que ficamos tristes em não poder priorizar um paciente daqui, mas graças a Deus conseguimos um paciente compatível. Isso é o que importa”, destacou a coordenadora da Central de Transplantes do RN.

Os rins seguiram do Hospital Walfredo Gurgel, armazenados em uma caixa térmica, direto para o Aeroporto Augusto Severo, em um vôo comercial, sob a guarda do comandante da aeronave. Chegando ao destino, o procedimento padrão é de ser imediatamente encaminhado para a unidade de saúde onde será feito o ato cirúrgico.

O sucesso da captação dos rins só foi possível graças à ação conjunta de vários atores como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Macaíba, onde o paciente estava internado; o Hospital Walfredo Gurgel, que realizou a captação dos órgãos; e o Samu Metropolitano, que fez o transporte do paciente.

“Agora todas as informações a respeito do transplante serão repassadas aos familiares do doador. As famílias passam por momentos de dor e, mesmo assim, conseguem tirar do coração um gesto de solidariedade, capaz de salvar outra vida. Isso faz com os familiares se sintam mais tranqüilos quanto à utilização do órgão de seu ente querido”, destacou Artenise Revoredo.

Para este ano, a Central de Transplantes espera aumentar o número de doações através do investimento na educação continuada, direcionada aos profissionais das unidades hospitalares e à população em geral. “Percebemos claramente que a educação continuada reflete em um aumento no número de doações”, explica a coordenadora. Até o mês de novembro do ano passado foram realizados 54 transplantes de medula óssea, 49 de rim e 166 transplantes de córnea.

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