Sem saída – Rubens Lemos

Na democracia de um sábado, o país saberá se sua seleção é feita de homens ou de meninos. É contra…

Na democracia de um sábado, o país saberá se sua seleção é feita de homens ou de meninos. É contra o Chile, encadernado freguês e ofensivo de agora, que ufanistas, frios e rabugentos saberão o quanto valeu aquela Copa das Confederações do ano passado.

Sim, a Copa das Confederações do chocolate na Espanha, campeã do mundo envelhecida e da decantada recuperação da autoestima e do respeito pelo futebol brasileiro. Jogou-se bem em 2013, mas menos o produto legítimo nacional.

O futebol forte e rápido, de marcação na saída de bola, desconcertou os adversários que foram asfixiados, um por um, até que o êxtase recomeçou na histeria tão normal de quem prefere maquiar a carranca a enxergar o óbvio da mudança de costumes e conceitos.

É o mata-mata. Expressão pavorosa de sistema eliminatório. A partir de amanhã, não haverá curativo. Ou sobrevive ou morre. Permanecerão os fortes, sortudos e obstinados e cairão os azarados e fracos.

O time do Brasil é apenas Neymar e sua turma. David Luiz é um senhor zagueiro, mas ficou para alemão, norueguês ou eslovaco enaltecer beque e volante. Aqui era terra fértil de meio-campistas e goleadores. De dribladores e estilistas, de malandros malabaristas.

Chão de alegria, improviso, algazarra, irresponsabilidade desmoralizadora de estrangeiros. Naturezas e conteúdos de Neymar sem frescuras e adereços eletrônicos. De Neymar sem a censura que usou para proibir fotografias de uma maria-chuteira nua na Playboy.

Quando o Brasil pisar no gramado neste sábado, cervejas e corações congelados, é hora de guardar no armário a muleta da tradição. É esquecer 1962. Garrincha se foi. Evitar a repetição dos gols de 1998 e 2010, vitórias tão enganosas sobre os chilenos quanto dolorosas foram as consequências nos resultados seguintes.

Brasil e Chile jogam de chuteiras com a pátria bonitinha e arrumada de arena urrando a favor de Felipão. O grito pode ser o fator de desequilíbrio. Também é uma ameaça, porque homem que é homem não chora na hora do hino, esperneia de glória depois que vence. A vaia ocasional pode desestruturar.

Difícil para quem já viu craques sobrando. Opta-se pela pura e simples observação impassível de um jogo sem expectativas de genialidade. Neymar, a exceção substantiva, acaba virando verbo, de tanto ser conjugado em prece de desespero coletivo.

Mordida da Fifa

Cruel a dentada da Fifa em Luisito Suárez, o centroavante do Uruguai, literal mordedor. Feia a atitude dele, ao meter os dentes no italiano. Gesto que não influiu no resultado.

Caso médico

Suárez tem atitudes hidrófobas, repentinas e que precisam ser estudadas por psiquiatras. Dentes reincidentes. Já fez outras duas vezes.

Estranho

Suárez é o Hannibal Lecter da bola. Canibal. Mas tirá-lo da Copa do Mundo inteira soa estranho. O Uruguai enfrenta a Colômbia, que é melhor time. Se passar, pega o Brasil. Desde que a seleção vença o Chile.

Paralelo com Neymar

Suárez estaria fora. Se Neymar tiver o azar de ser suspenso, agora não vale de pretexto caso o Brasil não passe às semifinais. Bastidores postiços. Dentaduras ardilosas. Só faltaram arrancar os dentes do atacante uruguaio.

Pernambuquinho lúcido

Dentre todos os astros da imprensa, apenas o eterno craque vascaíno Juninho Pernambucano demonstrou isenção. Bateu com o veneno sutil das faltas que aprendeu a cobrar no Sport com Moura, depois ídolo do América em Natal.

Exagero

Juninho Pernambucano chamou atenção para o exagero: “Suárez errou, mas é o criminoso da Copa? Mais um abuso da Fifa. Nove jogos suspenso? Vai ver que não foi uma mordida Padrão Fifa, achei demais.” Foi demais, Pernambuquinho.

Mexer nos brios

O moralismo Padrão Hipocrisia mexe com os brios de um país feito de vitórias sobre desvantagens e provocações. Os uruguaios, que não são um primor de técnica, vão entrar contra a Colômbia dando dentadas na grama e alucinados para enfrentar o Brasil. Para eles, dentada rima com marmelada.

CR7

Cristiano Ronaldo não jogou bem a Copa do Mundo. Mas veio machucado, até cortou o cabelo para dar sorte e se misturou com um bando, um fardo de caneleiros sem talento de Portugal. CR7 está fadado a brilhar no Real Madrid. Até quando houver fôlego e arranque.

Em 1998 foi assim

O Chile tomou um baile brasileiro. O volante César Sampaio fez os dois gols iniciais dos 4×1 das oitavas, Ronaldo Fenômeno fechando a goleada com duas cutiladas, uma delas, de pênalti. No dia 27 de junho de 1998, 48.500 pagantes compareceram ao lendário Parc des Princes, em Paris. Marcelo Salas marcou para o Chile.

Times

Zagallo escalou o Brasil com Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair(Gonçalves) e Roberto Carlos; César Sampaio, Dunga, Leonardo e Rivaldo; Bebeto(Denílson) e Ronaldo. O Chile apostava na dupla Salas e Zamorano e perdeu com Tapia; Fuentes, Margas, Reyes e Ramirez (Estay); Aros, Cornejo, Acuña (Musrri) e Sierra (Vega); Marcelo Salas e Zamorano. Técnico: Nelson Acosta.

Segurança

A afirmação oficial de que Natal foi a sede mais segura e sossegada entre as 12 da Copa do Mundo na primeira fase demonstrou a capacidade de nossa polícia. É um time valoroso e preparado.

Continuidade

Mais do que gerar orgulho, o desempenho impõe a continuidade da eficiência. Não é possível que a cidade tenha sido guarnecida apenas para os gringos. A cidade é dos seus filhos. Naturais e adotados.

Gilmar

A notícia de que Gilmar pode deixar o ABC e seguir para o exterior não deve causar sobressalto no clube. Gilmar fez uma excelente reta final de 2013, formando dupla eficaz com Rodrigo Silva, mas caiu de produção este ano. Sem ele, também não é João Henrique o jogador ideal para jogar pelo lado direito, abastecendo o homem de área com passes precisos.

Baile

O Baile em Preto e Branco pelos 99 anos do ABC, hoje, 22 horas no Olimpo Recepções, consagra o poder agregador do conselheiro Antônio Gentil, um sobrenome apropriado como poucos ao dono. Cordial, habilidoso, costurou na fleuma o encontro de gerações e tendências alvinegras. Gentil é uma lembrança de Rubão, meu pai, quando víamos jogos nas antigas cadeiras numeradas do Castelão, tome jurássicos 1979 e pelaí.

Atacante

No América, a expectativa é pela contratação de um atacante para revezar ou ser reserva de Rodrigo Pimpão. O América só conta com ele hoje para se movimentar perto da área, depois da saída de Adriano Pardal.

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