Sem segurança, marginais arrombam túmulos nos cemitérios de Natal

Prefeitura afirma que manutenção dos jazigos é de responsabilidade das famílias

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Em vez que inspirar paz e tranqüilidade, os cemitérios públicos de Natal invariavelmente apresentam uma cena chocante: túmulos destruídos. A Prefeitura de Natal coloca a responsabilidade pela manutenção do espaço do último descanso sobre as famílias.

A cena é presenciada até mesmo em uma das necrópoles mais organizadas da capital, o cemitério de Nova Descoberta. A regra para os cuidados nos cemitérios é a seguinte: a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) preserva a área comum (ruas, centro velatório e outros do tipo) e cada família fica responsável pela manutenção do seu jazigo.

Em geral, os familiares dos mortos também pagam a zeladores uma quantia para a limpeza e a conservação das partes metálicas dos túmulos. É o que a aposentada Francisca das Chagas Queiroz faz. “O túmulo da pessoa da minha família está bem cuidado porque eu pago. E aqui é muito organizado.”, disse a aposentada sobre a mãe que faleceu há cerca de um ano e está enterrada no cemitério de Nova Descoberta.

No entanto, sobre o Cemitério do Alecrim, tombado como patrimônio histórico de Natal, sua opinião não é a mesma. “Só do túmulo do meu já pai levaram duas cruzes de bronze”, comentou sobre os furtos que já se transformaram em tradição.

Segundo a filha de dona Francisca, Rosana de Souza, em função de terem arrancado os adornos do túmulo, a tampa ficou rachada e a família terá que trocar. Ela também teme realizar visitas ao cemitério mais famoso da capital. “Lá tem aquele pessoal que se veste de preto que só entra para fumar maconha”, contou.

Rosana de Souza ainda afirma já ter encontrado ossadas humanas fora dos túmulos no Alecrim. “No alecrim, a gente anda e vê logo os túmulos quebrados, um crânio”, acrescentou. Assim como sua mãe, ela diz nunca ter visto ossos humanos jogados pelo Cemitério de Nova Descoberta. Mas basta andar um pouco pelas quadras para constatar túmulos quebrados. Além disso, os furtos das partes metálicas, geralmente em bronze, viraram problemas comuns nos cemitérios da cidade.

Em visita ao Cemitério de Nova Descoberta na manhã desta segunda-feira (12), o secretário de Serviços Urbanos, Raniere Barbosa, afirmou que a situação da necrópole estava “dentro da normalidade”. Sobre os túmulos deteriorados, ele afirmou que a Prefeitura notifica as famílias para que elas tomem as providências. “Nós não podemos fechar um túmulo aberto. Seria uma exumação sem autorização das famílias. Nós notificamos a família, mas eles não vêm. Só vêm quando vão enterrar outro parente”, disse o titular da Semsur.

No entanto, Barbosa disse também que a secretaria irá avaliar alguma medida jurídica para se punir os familiares que abandonam os túmulos. Ele também reafirmou a responsabilidade da Prefeitura com a área comum dos cemitérios. No que diz respeito à segurança, o secretário informou que vai instalar câmeras de segurança. Para tanto, a licitação já foi concluída. Ele também disse que os cemitérios contam com seguranças noturnos, o que ameniza o problema dos furtos. “As famílias alegam que os furtos acontecem mais à noite”, acrescentou.

Quando uma família compra um terreno em um cemitério, ela recebe uma “carta de aforamento”. No processo administrativo para essa cessão de uso contínuo, o familiar também assina um termo de compromisso. Esse documento cita o decreto que regula a situação dos cemitérios em Natal, segundo informou o chefe do setor de cemitérios da Semsur, Kellington Gama.

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