Sem substituto, “pitbull” holandês é esperança contra argentino Messi

O atleta versátil só se tornou um especialista em carrinhos e desarmes no Hamburgo

De Jong equilibra bola na cabeça: volante marcador começou a carreira como um atleta bem mais ofensivo. Foto: Divulgação
De Jong equilibra bola na cabeça: volante marcador começou a carreira como um atleta bem mais ofensivo. Foto: Divulgação

Alguns jogadores ficam marcados por lances isolados que protagonizaram em grandes partidas. Para Diego Maradona, é a “Mão de Deus” ou o golaço contra a Inglaterra, em 1986. Para Ronaldo, os dois gols da redenção na final da Copa de 2002. E para Nigel de Jong, a imagem que se consolidou no imaginário popular é a voadora no peito de Xabi Alonso na final de 2010, uma das mais violentas partidas da história dos Mundiais. A cena é exagerada, mas é exatamente essa “pegada” que Louis van Gaal espera ter à disposição na semifinal contra a Argentina, nesta quarta-feira, em São Paulo.

Quando De Jong ficou de fora das quartas de final contra a Costa Rica, por lesão, o treinador holandês foi claro: não há um substituto com as mesmas características, e o marcador incansável é essencial para o esquema laranja. Os costarriquenhos jogaram na defensiva, e a habilidade de roubar bolas do volante não foi tão sentida. Contra o camisa 10 argentino Lionel Messi, porém, é inimaginável Van Gaal pensar em um time sem De Jong.

“Não posso dizer qual será nosso time, porque não sei qual será a escalação da Argentina. Há pontos de interrogação ali também”, despistou Van Gaal na última terça. Mas depois, o treinador se referiu a uma possível volta de De Jong com um sorriso no rosto. O meio-campista duro no desarme, com pouca criatividade no passe, que vem de temporadas apagadas no Milan, tornou-se peça essencial do time que surpreendeu a própria Holanda ao chegar nas semifinais.

O curioso é que o jogador que personifica a mudança de estilo do futebol holandês, criticada veementemente por grandes nomes do futebol do país como Johan Cruyff, nem sempre foi visto como um marcador agressivo. Nigel começou a carreira no Ajax como lateral direito, meia ou até ponta. O atleta versátil só se tornou um especialista em carrinhos e desarmes no Hamburgo, em 2006, sob o comando de Huub Stevens – a mudança foi tão drástica que rendeu o apelido de “Rasenmäher”, alemão para “cortador de grama”, em alusão às suas entradas rasantes no gramado.

Com o possível retorno de De Jong, a Holanda deve voltar ao 3-5-2 que se provou difícil de ser combatido por tantas seleções na Copa, abandonando o ousado 3-4-3 mostrado contra a Costa Rica. O mais provável é que saia um atacante, Memphis Depay, para a volta do volante, permitindo que o meia Sneijder tenha menos responsabilidades defensivas e encoste mais na dupla Robben-Van Persie.

Esse é o principal efeito da presença do “pitbull” holandês em campo – permitir que os jogadores mais talentosos tenham tempo e espaço para criar os gols. Van Gaal já mostrou que não vai mudar seu modo de pensar no meio da Copa do Mundo, e se a Holanda quiser chegar à final pela quarta vez em sua história, é provável que dependa tanto de Arjen Robben quanto de Nigel de Jong.

Fonte: Terra

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