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Semana Santa é prato principal de comerciantes do Mercado do Peixe

Data: 21 março 2013 - Hora: 17:46 - Por: Portal JH

Reinaldo Costa trabalhava no setor de publicidade da rádio Antena 1, em Belém do Pará, no ano de 1990, quando apostou em Natal como destino nas férias. Encantado pela Cidade do Sol, ele trocou a metrópole amazônica pelo calor nordestino. Desde então, a venda de anúncios radiofônicos deu lugar a ciobas, garoupas e robalos. Dono de um box no Mercado do Peixe, há quatro anos sustenta uma clientela com alto poder aquisitivo, que mantém a tradição de comer pescados durante a Semana Santa. “Escolhi Natal para viver porque me apaixonei pelo que vi. Naquela época, era muito gostoso poder sentar na praia, tomar cerveja e comer um tira gosto sem medo de ser assaltado”.

Ainda que o hábito alimentar do brasileiro tenha mudado, nos últimos anos, é o período cristão que alavanca suas vendas. “A mídia e os médicos nos ajudaram muito, quando começaram a falar sobre os benefícios do peixe para a saúde. Vendo, em média, 70, 80 quilos por dia, mas na Semana Santa chega a 700, nos três dias (sobretudo a Sexta-feira da Paixão, o Sábado de Aleluia e o domingo de Páscoa)”. Com preços que oscilam entre R$ 17 e R$ 25, Reinaldo também comercializa o crustáceo que empresta o nome ao estabelecimento (Império do Camarão).

Um dos médicos que contribuem para a fama de Reinaldo vender pescados de qualidade superior é o neurocirurgião Fernando Cunha. Frequentador assíduo do Mercado, o católico de 56 anos elogia o espaço e a tradição dos dias que representam a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Cristo. “Sempre venho aqui. O lugar é limpo, tem um bom serviço e peixe fresco. Gosto de brincar na cozinha, e como todo mundo que gosta de cozinhar, venho pessoalmente comprar o que vou fazer. Na Sexta da Paixão, só como peixe. Enquanto o sábado é o dia do jejum e da abstinência”.

O peixeiro paraense entrega a garoupa embalada e analisa a estrutura do prédio público que poderia ser melhor aproveitado como destino gastronômico natalense. “Se você andar da Bahia a Manaus, não tem mercado melhor, em termos de limpeza, qualidade e variedade, que esse aqui. E olhe que conheço vários. Falta publicidade, inserir na rota do turista, para aumentarmos o fluxo” – sem o mesmo padrão gustativo, peixes vendidos em supermercados representam o prato principal na mesa das pessoas. O fato de recusarem cartões de créditos (Reinaldo é o único que aceita em todo o Mercado) seria um dos motivos para a redução de clientes do Mercado.

Já na Peixaria do Lúcio, a tradição é estendida pelo tempo que seu dono mantém o box no Mercado. São mais de 30 anos em contato com pescadores, fiéis, consumidores semanais, pobres, ricos, todo tipo de gente que supera o odor do Canto do Mangue e procura seu comércio. “Hoje em dia vendemos muito mais peixe que antigamente. As pessoas estão mais conscientes sobre a boa alimentação.

Quem chega com pouco dinheiro, compra atum, tainha, guaiuba, com preços em torno dos quinze reais. Já o rico quer cioba, arabaiana e badejo, que eu vendo por vinte reais. Tenho cliente que vem toda semana e gasta R$600 com peixe para dividir com a família”.

Lúcio Rodrigues diz que vende três mil quilos durante toda a Semana Santa. “É a época que vende mais”. O que para a aposentada Neire Uchôa é indiferente. De olho na garoupa que Lúcio manipula, a também dona de casa vem, a cada 15 dias, do Barro Vermelho para rechear o almoço e o jantar. “Mas só quando estou com empregada em casa”. Católica praticante, ela gosta do atendimento e da limpeza do Mercado. “Isso tudo nos oferece uma confiança no produto, que tem ótima qualidade. Cumpro o ritual da Semana Santa, mas compro peixe por gostar mesmo”.

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