Seminário reúne governadoráveis para debater educação no RN

Candidatos mostraram propostas e especialistas cobraram aplicação de lei para incentivo a leitura

Candidatos ao governo do Estado  foram confrontados com a realidade da educação no RN. Auditório ficou completamente lotado por educadores. Foto: José Aldenir
Candidatos ao governo do Estado
foram confrontados com a realidade da
educação no RN. Auditório ficou
completamente lotado por educadores. Foto: José Aldenir

Marcelo Lima

Repórter

 

Promovido pelo Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), o Seminário Prazer em Ler convidou os cinco candidatos a governador do Estado para um diálogo com profissionais da área. O destaque era para projetos de incentivos de novos leitores, mas boa parte dos candidatos não passou do discurso genérico de que “educação é prioridade”. A participação dos governadoráveis ocorreu na manhã de hoje primeiro dia do evento no Praia Mar Hotel.

O candidato Araken Farias (PSL) saiu pela tangente quando a mediadora perguntou como ele sustentaria seus projetos e investimento na educação com as corriqueiras frustrações de receita do Estado. Além disso, o candidato precisou de uma “cola” para falar sobre suas propostas de educação para a nossa equipe de reportagem.

Farias defende as seguintes propostas para estimular novos leitores: construir bibliotecas em todas as escolas, recomposição do acervo existente e melhorar a formação de professores, utilizando mais decisivamente a Escola de Governo.

O candidato Robinson Farias (PSD) quando questionado sobre novas estratégias para incentivar a leitura pela nossa equipe de reportagem, ele preferiu falar sobre uma lei de sua autoria (1.169/2009) solenemente ignorada pelo poder público estadual segundo o próprio IDE. Dentre outros aspectos, a lei obriga a criação de bibliotecas em todas as escolas públicas do Estado. Ou seja, a lei entrou para o hall das que “não pegaram”.

O ex-presidente do legislativo estadual também falou sobre suas propostas para retirar o Rio Grande do Norte do ranking negativo do Ensino Médio. Desde 2010, o Estado está entre os piores do Brasil nesse nível de ensino. Em 2012, quando foi divulgado novo resultado que avaliou o Ensino Médio dos Estados, o Rio Grande do Norte continuava na mesma posição.

O candidato do PSOL, professor Robério Paulino, também não fez o dever de casa. Enquanto nossa equipe de reportagem entrevista a coordenadora do IDE, o candidato foi consultá-la para saber qual o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Rio Grande do Norte.

Antes de começar o diálogo com os professores, ele falou das propostas para a educação. Paulino pretende multiplicar de forma intensiva e recuperar os acervos das bibliotecas. Ele também pretende fundar uma editora estadual para baratear o preço dos livros. Nossa equipe de reportagem não encontrou com os candidatos Henrique Alves (PMDB) e Simone Dutra (PSTU) no evento.

Especialistas

No que diz respeito às estratégias para formar novos leitores, a coordenadora do IDE, Cláudia Santa Rosa, vê a biblioteca pública como figura central. “A biblioteca é a grande protagonista disso, onde os projetos acontecem é show”, classificou.

Professores e demais incentivadores da leitura querem que, pelo menos, o que está na lei seja cumprido: toda escola tenha uma biblioteca. Mas isso seria só o alicerce para o desenvolvimento de um estado leitor. “Que cada município tenha uma biblioteca publica aberta no final de semana e a noite”, completou Santa Rosa.

Quem trabalha com educação também espera pelo Plano Estadual de Educação comece a ser discutido. Na década passada, o Rio Grande do Norte não elaborou seu plano de educação. A meta é que cada município, Estado e a Federação elabore um plano do tipo a cada 10 anos. Nessa década, as discussões só estão no âmbito do governo segundo contou Santa Rosa.

Para a vereadora e fundadora do IDE, Eleika Bezerra, as candidatos tem que mostrar o que realmente é prioridade para eles, pois “esse discurso que educação é prioridade está muito desgastado. Se tudo é prioridade, nada é prioridade”. Para ela, o governo do Estado deveria passar a gestão da UERN para o governo Federal, já que a prioridade constitucional do Estado, é com o ensino médio.

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