Semurb tem até o próximo dia 27 para autorizar ‘novo’ projeto do hotel da BRA

Grupo se compromete a cumprir todas as exigências do Plano Diretor

De acordo com o novo projeto, o hotel terá um modelo sustentável e será totalmente abastecido com energia solar. Foto: Wellington Rocha
De acordo com o novo projeto, o hotel terá
um modelo sustentável e será totalmente
abastecido com energia solar. Foto: Wellington Rocha

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

A Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb) tem o próximo dia 27 deste mês para aprovar ou não o novo projeto com alterações entregue pelos controladores do antigo hotel da BRA, na Via Costeira, cujas obras foram paralisadas em 2006 por causa de um andar a mais no projeto original. A nova proposta já está no gabinete do secretário Marcelo Toscano desde a última sexta-feira, dia 27 de dezembro. O titular da Semurb não retornou as ligações de O Jornal de Hoje feitas hoje pela manhã para dar maiores detalhes.

O grupo NATHWF, dono do investimento e que já desembolsou mais de R$ 50 milhões nas obras, encaminhou no ano passado à Justiça Federal documento concordando com todas as modificações exigidas pelo Plano Diretor da cidade no projeto do hotel, onde se compromete a demolir não só o último andar do imóvel, como todo o lado que estava em desacordo com a legislação. Ainda segundo o novo projeto, o hotel será totalmente abastecido com energia solar e ressuscitará dentro de um modelo sustentável para agradar os ecologistas.

O projeto novo também sinaliza com a construção de um espaço público na área onde será plantada uma praça, um mirante e um estacionamento para quem quiser desfrutar da vista. Só pede para que a recepção original seja preservada porque sua demolição mataria o projeto do centro de convenções projetado para 2,5 mil pessoas.

Tamanha reviravolta no impasse que vem marcando a construção do hotel tem uma explicação: quem vem tratando diretamente do problema, sem intermediários, é o irmão de Humberto Folegatti, Walter, que hoje é o representante legal do grupo que possui três hotéis em Porto Seguro, um Hotel em Campina Grande, um Hotel em Recife e, em Natal, o Hotel Natal Praia e, na Via Costeira, o conhecido como da BRA.

De olho nos 400 postos de trabalho diretos e indiretos proporcionados pelo hotel, o secretário municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seturde), Fernando Bezerril, retomou no ano passado uma série de contatos o empresário Walter Folegatti, representante legal do grupo de investidores. “Um equipamento desse porte não poderia ficar parado, faltava apenas um entendimento com começo, meio e fim e foi isso que aconteceu”, resumiu o secretário, que mantém um processo semelhante em relação ao Hotel dos Reis Magos, na Praia do Meio, cuja reconstrução implicará na demolição total do prédio possivelmente ainda este ano.

As obras do “Hotel da BRA” estão paralisadas desde 2006, deixando ali um esqueleto de concreto com as visíveis marcas do abandono. Em novembro do ano passado, a Justiça Federal concedeu um prazo de 90 dias para que o grupo NATHWF retomasse o diálogo com a União, o Ministério Público Federal, o município de Natal e o Ibama, e fechasse um acordo para garantir a conclusão da obra.

A construção foi inicialmente embargada pela Semurb, mas continuou por força de uma liminar judicial. Isso levou a Procuradoria da República a entrar com uma ação civil pública, exigindo a paralisação da obra.

Em 2007, a Procuradoria enviou uma petição à Justiça Federal, exigindo a demolição do pavimento considerado irregular, mas a empresa novamente recorreu e ganhou. Em 2008, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região concedeu liminar autorizando a retomada da construção, mas a Procuradoria Geral do Município se opôs, sob a alegação de que a decisão suspendia a demolição dos pavimentos, não o embargo. “Desde o embargo da obra pela prefeitura, há sete anos, até as sucessivas liminares para garantir a construção e o abandono efetivo do canteiro da obra, grande parte dos conflitos se deu para falta de comunicação entre as partes envolvidas”, analisa Fernando Bezerril.

No começo, a intransigência dos advogados do grupo de investidores irritou o prefeito Carlos Eduardo, ainda em sua gestão anterior, motivando declarações suas como “Natal não é cidade de ninguém para que pessoas de fora venham nos ditar o que fazer”. Hoje, baixada a poeira, o grupo que já colocou R$ 50 milhões no “Hotel da BRA” de recursos próprios resolveu recuperar o investimento, que não estará pronto para a Copa, como estava nos planos do grupo ao retomar as negociações.

Prejuízo para os donos é só o começo do problema

O tempo e maresia foram impiedosos com o esqueleto do que é mais conhecido como o “Hotel da BRA”, na Via Costeira. A companhia de aviação não existe mais e o que restou da estrutura do prédio, que vem sendo sistematicamente saqueado em material de construção, mostrou a que ponto pode chegar a falta de comunicação entre uma empresa e o poder público.

Hoje, a entrada do prédio que dá para o mar começou a ser reparada como tentativa de diminuir a ação dos ladrões, vândalos e pichadores. A Polícia Militar também começou a dar mais atenção à obra, para que tão logo tenha seu projeto de reconstrução aprovado deverá passar por uma cuidadosa pericia estrutural para saber, a esta altura, o que pode ser ou não reaproveitado.

É a mesma situação de abandono vivida por décadas pelo Hotel dos Reis Magos, na Praia do Meio, que fez os proprietários (Grupo de Hotéis Pernambuco) decretarem a demolição total do imóvel erguido nos anos de 1960. Quando o empreendimento for retomado, ele renascerá aos poucos, primeiro em forma de uma grande praça para então adquirir a forma que o mercado indicar.

É uma forma inteligente de não perder dinheiro em tempos em que esse artigo anda tão escasso. Infelizmente, também não é o caso do que popularmente é chamado de Hotel da BRA. O investimento ali de R$ 50 milhões de dinheiro próprio do grupo dos Folegatti esse, em boa parte, está perdido. É esse o prejuízo que a empresa tentará recuperar por meio de um novo investimento que no primeiro momento deve dobrar o prejuízo.

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