‘Serra Pelada’ é o ‘Scarface’ brasileiro, diz ator Wagner Moura

A obra segue a estratégia de aproveitar longas da Globo Filmes na televisão

O ator Wagner Moura caracterizado como Lindo Rico em cena de 'Serra Pelada'. Foto:Divulgação
O ator Wagner Moura caracterizado como Lindo Rico em cena de ‘Serra Pelada’. Foto:Divulgação

Wagner Moura volta à Globo na noite de hoje com uma senhora careca e uma cara de mau daquelas. Interpreta Lindo Rico, um dos antagonistas de “Serra Pelada”, filme de Heitor Dhalia que estreia como minissérie três meses depois de ocupar os cinemas.

A obra segue a estratégia de aproveitar longas da Globo Filmes na televisão.

“Acho saudável esse intercâmbio do cinema com a TV. Quero que as coisas sejam vistas por muita gente. Não vejo conflito entre sucesso popular e integridade artística”, disse o ator em entrevista por telefone.

Para Moura, que também atuou como produtor no projeto, “Serra Pelada” foi feito “para a galera”.

“As novas gerações vão ver um pedaço de terra sem lei durante a ditadura militar. É história do Brasil, mas é também um filme de gângster, o ‘Scarface’ brasileiro”, diz, em referência ao clássico norte-americano sobre a máfia.

Originalmente, Moura interpretaria o protagonista vivido por Juliano Cazarré. Mas, por problemas de agenda —atuaria em “Fellini, Black and White”, cancelado após a morte do diretor Henry Bromell—, acabou ficando fora.

Por fim, pediu para assumir o personagem que ele mesmo sugeriu criar —Lindo Rico nasceu para “bater de frente” com o de Cazarré.

“Serra Pelada” deve ser o único trabalho de Moura na TV por um tempo. Novelas estão descartadas por enquanto. O próximo trabalho em vista deve ser uma adaptação do livro “Dois Irmãos”, de Milton Hatoum, dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

“É um projeto antigo, mas acho que agora tomou um rumo na Globo”, diz Moura.

A assessoria da emissora afirma não ter informações sobre a obra.

Se na TV Moura tem aparecido de forma bissexta, no cinema há três projetos para este ano: “Praia do Futuro”, de Karim Aïnouz, que concorre ao Urso de Ouro em Berlim; “Trash”, de Stephen Daldry (“Billy Elliot”), em montagem; e “Rio, Eu te Amo”, ainda em filmagem.

O trabalho mais ousado ficará para 2015: a versão para cinema da biografia de Carlos Marighella (1911-1969), escrita pelo jornalista Mário Magalhães, que marcará a estreia de Moura na direção.

O filme será uma coprodução com a O2 e o roteiro está sendo escrito por Felipe Braga (“Mandrake”). Moura, que no momento faz a captação, acredita que será um filme “grande”, “caro”, de cerca de R$ 10 milhões.

“Quero trazer de volta a figura de Marighella. Foi um homem incrível que dedicou a vida a uma causa, uma coisa que a minha geração não sabe o que é. A gente não sabe quem são nossos heróis.”

NA TV
SERRA PELADA
Estreia da minissérie
QUANDO hoje, às 22h27, na Globo

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