Servidores cobram reposição de medicamentos na Unicat e hospitais do RN

Categoria realizou novo protesto na manhã desta quarta-feira (3)

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Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Indignados com a constante falta de medicamentos na Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat) e em hospitais do Rio Grande do Norte, os servidores estaduais da Saúde fizeram, novamente, um protesto em frente ao órgão para cobrar o abastecimento de remédios e insumos básicos para o atendimento de pacientes, na manhã desta quarta-feira (03). Eles também protestaram contra as medidas de contenção de gastos anunciadas pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) e as mudanças na jornada de trabalho dos profissionais.

O coordenador-geral do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), Manoel Egídio, explicou que entre os 28 tipos de medicamentos e materiais em falta somente na Unicat, alguns são de alto custo, como o Alenia, usado para pacientes com asma, e morfina.

A situação também é complicada no Hospital Walfredo Gurgel, maior hospital público do Estado, onde faltam itens básicos como ataduras de crepom, agulhas descartáveis, esparadrapo e remédios como tramal, analgésico usado para pacientes de ortopedia e pós-operatório. “Há medicamentos que estão em falta há um ano e o secretário estadual de Saúde só faz dizer que não é verdade, mas quem está sofrendo na pele a falta de dezenas de remédios é a sociedade, que está sendo desrespeitada assim como os servidores. Além disso, todos estão sendo prejudicados por essa mudança da jornada de trabalho na Unicat, que agora é de oito horas, com intervalo para almoço. Já os usuários, que chegam ainda durante a madrugada, têm que esperar até as 8h para entrarem no prédio, ou seja, mais tempo de espera ao relento”, explicou.

Ele disse também que entre os medicamentos em falta atualmente no Walfredo Gurgel estão analgésicos para pós-operatório, principalmente os de ortopedia, cujos pacientes sofrem dores muito fortes. E que o problema é piorado pela precária condição de funcionamento da unidade, que já possui pacientes internados que estão em macas nos corredores de três andares do prédio.

“Ontem à noite, uma idosa alérgica à dipirona e com fratura do fêmur e tíbia passou por cirurgia ortopédica e não tínhamos analgésico para administrar à ela no pós-operatório, porque só temos esse medicamento ou paracetamol, que só serve para baixar febre menor que 38 graus. Ela passou a noite gemendo de dor, uma coisa terrível. Não tínhamos tramal ou outra substância semelhante, que é o mais indicado nestes casos e que é básico em uma unidade de saúde que faz procedimentos de ortopedia”, desabafou Egídio.

Na unidade, também faltam ataduras crepom, usadas em imobilizações de membros e curativos para queimaduras. Conforme o servidor, ontem (2), o hospital recebeu alguns pacotes contendo 12 peças, que acabaram quase instantaneamente, tamanha necessidade do produto nos procedimentos básicos realizados dentro da unidade. “É um item básico e muito usado, para se ter ideia, um pacote só dá para usar em dois ou três pacientes. Mais que isso, só com muita economia de curativo, o que não é recomendado por comprometer a proteção necessária”, disse.

Servidores da Unicat relatam assédio moral

A alteração da jornada na Unicat é apenas um dos pontos de reclamação dos servidores da saúde, que relatam também casos de assédio moral dentro do órgão, o que teria sido motivo para três afastamentos em menos de um ano, como afirmou Agliberto Rocha. O último, segundo ele, pediu transferência há poucos dias, alegando humilhações e perseguição por parte da direção da unidade, que não se pronuncia à imprensa.

“Estamos sofrendo assédio moral diariamente, com humilhações, falta de comunicação sobre o que está acontecendo aqui dentro e até essa alteração de horário de trabalho, que começou a valer na última segunda-feira. Ainda não sabemos como vai ser, porque há pessoas que não têm condições de pagar alimentação todos os dias ou de ir e voltar para casa para almoçar. A direção da Unicat não tem diálogo com os servidores”, disse.

Ontem (2), a Sesap divulgou nota oficial à imprensa, em que desmentia a lista de medicamentos em falta que está circulando na internet desde o final de semana e afirmando que são apenas dez, e não mais de 30, medicamentos em falta atualmente na Unicat. E que, na relação, constam nomes que estão sendo distribuídos normalmente pelo órgão, medicamentos não padronizados pelo SUS, outros itens padronizados para distribuição por parte dos municípios, além de medicamentos que são fornecidos em apresentações diferentes e que estão disponíveis em estoque.

Greve a partir da próxima semana

Em assembleia geral realizada no início desta semana, os servidores estaduais da saúde decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira (08). Eles reivindicam a suspensão das medidas de redução de custos, que vem sendo implantada nos últimos dias pela Sesap e o Governo Estadual, após a redução de mais de R$ 100 milhões em verbas para a área neste ano. O não repasse de recursos para a saúde, anunciados em agosto passado pelo próprio secretário, Luiz Roberto Fonseca, também contribuíram para as ações emergenciais.

Entre as medidas anunciadas, estão a alteração no horário de atendimento ao público na Unicat, a mudança das jornadas de trabalho, a suspensão dos plantões eventuais e o atraso no pagamento do 13º salários dos servidores, além do corte da alimentação dos próprios profissionais e acompanhantes de pacientes internados em hospitais públicos do Estado. “O governo gastou a verba da Saúde com outras coisas que não eram prioridades e agora está penalizando os servidores e a sociedade que necessita dos serviços prestados. Não aceitamos isso”, enfatizou Manoel Egídio.

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