Servidores da Fundac e Ipern entram em greve hoje por tempo indeterminado

Servidores promoveram mobilização em frente ao prédio da Fundac, no Centro Administrativo, na manhã desta terça-feira

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Acumulando perdas salariais de 36% e sem reajuste há cinco anos, os funcionários da Fundação Estadual da Criança e do Adolescente (Fundac) e do Instituto de Previdência dos Servidores do Rio Grande do Norte (Ipern) iniciaram greve por tempo indeterminado nesta terça-feira (20). Eles realizaram mobilização em frente aos prédios dos dois órgãos durante esta manhã e aguardam uma posição do Governo do Estado para negociar o fim do movimento. Já os servidores estaduais da administração direta e indireta fizeram ato público pedindo a integralização do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração, no Centro Administrativo, em Lagoa Nova.

Segundo o secretário geral do Sindicato dos Servidores da Administração Indireta (Sinai), Santino Arruda, apenas as perícias médicas realizadas no Ipern não serão afetadas pela paralisação. Já no caso da Fundac, responsável pela custódia dos adolescentes em conflito com a lei em todo o Estado, serão garantidos os 30% dos serviços essenciais, que incluem os serviços de alimentação e saúde dos internos.

“São seis anos sem repor as perdas salariais, sem contar na defasagem, que hoje já supera os 36%, prejudicando todos os servidores dos dois órgãos, que possuem uma importância muito grande para o Estado. Tentamos negociar com o governo estadual desde fevereiro passado, mas até o momento, não recebemos a atenção devida e, não há mais como esperar sem que as categorias paralisem as atividades”, disse.

Santino explicou que desde o início do ano que os servidores tentam negociar as reivindicações com o Governo do Estado, mas que sempre foram marcadas reuniões que não chegaram a acontecer por falta de interesse do executivo. Ele afirmou ainda que, há três semanas, seria realizada uma reunião com o secretário de Administração e dos Recursos Humanos (Searh), mas nenhuma proposta foi feita. E, desde a quarta-feira da semana passada, os servidores aguardam por uma nova reunião, mas o secretário Alber da Nóbrega não responde.

“Estamos aguardando um posicionamento da Searh e, enquanto isso, paralisamos as atividades por tempo indeterminado, até que esse entendimento seja feito. Durante esse período, somente as perícias médicas serão feitas pelo Ipern e na Fundac, o atendimento básico aos internos. Já as audiências estão suspensas”, explicou Santino Arruda, lembrando que no final da tarde desta terça-feira (20), as categorias se reunirão para avaliar o movimento.

A reportagem de O Jornal de Hoje tentou entrar em contato com o titular da Searh, Alber da Nóbrega, para falar sobre a greve iniciada pelos servidores da Fundac e do Ipern e suas reivindicações, mas o secretário não atendeu nem retornou as ligações, feitas na manhã desta terça-feira.

Unificação do atendimento de reivindicações

Já os servidores da administração direta e indireta também realizaram ato público no Centro Administrativo Estadual, pedindo a unificação do atendimento das pautas de reivindicações das duas categorias, como a integralização do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) destas. O movimento, em frente ao prédio da Secretaria do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas), terminou com uma caminhada pelo local.

Conforme o Sindicato dos Servidores da Administração Direta do Rio Grande do Norte (Sinsp/RN), a categoria está revoltada com a política salarial praticada pela gestão da governadora Rosalba Ciarlini, que deve implantar, no contracheque deste mês, o pagamento de 10% aos servidores das secretarias que ainda não conseguiram integralizar os 100% do PCCR.

Para eles, a medida é descabida e discriminatória por não contemplar os servidores da administração indireta e, diante disso, devem continuar as negociações com o executivo até o atendimento da pauta de reivindicações. Eles reclamam ainda que o Estado está desrespeitando a justiça ao se negar a cumprir a Lei Complementar 432/2010, por não implantar os 70% do PCCR no contracheque e, ao mesmo tempo em que argumenta falta de recursos, concede reajuste de 100% aos assessores jurídicos.

Fundac sob intervenção há mais de dois meses

Sob intervenção judicial desde o dia 12 de março passado, a Fundac enfrenta sua primeira greve de servidores. Conforme Santino, apenas os serviços de alimentação e cuidados com a saúde dos adolescentes sob custódia do Estado devem ser mantidos. Uma das dificuldades enfrentadas pela Fundac há mais de um ano e meio é a demora da conclusão das obras de reforma do Ceduc Pitimbu, que deveriam ter sido entregues desde o final de outubro passado. Falta de pagamento e entraves financeiros são os principais motivos alegados pelo órgão, para explicar a situação.

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