Servidores da Saúde farão greve por contenção de gastos do Governo

Categoria alega que medidas para corte de custos estão prejudicando os servidores e a população usuária do sistema público

Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

 

Nas próximas semanas os servidores da rede pública estadual de Saúde poderão deflagrar mais uma greve por tempo indeterminado. A segunda paralisação da categoria neste ano será colocada em discussão com os servidores em assembleia geral que será realizada na próxima sexta-feira (29). Dessa vez, a greve virá como uma resposta ao Governo do Estado contras as medidas estabelecidas pela Secretaria de Estado de Saúde Público (Sesap) para conter os gatos.

Para o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública (Sindsaúde-RN), a categoria vem sofrendo com os constantes “ataques”. “A determinação de corte de gastos do Governo vem com o intuito de atacar principalmente a nós, trabalhadores, uma vez que a medida influencia na nossa remuneração, na mudança da jornada de trabalho e na desassistência aos hospitais”, destacou Manoel Egídio, coordenador geral do Sindsaúde.

Na manhã desta quarta-feira (27), dezenas de servidores fizeram um ato na frente da Unicat (Unidade Central de Agentes Terapêuticos) e no Hospital Walfredo Gurgel, de modo a chamar a atenção da população e do poder público.

Segundo a coordenação geral do Sindsaúde, entre as medidas de contenção da crise financeira estão o corte dos plantões eventuais, a redução do atendimento e até mesmo o corte de alimentação de servidores e acompanhantes. A portaria que altera o expediente foi publicada na sexta-feira passada e estabelece o aumento da jornada de trabalho dos servidores com 40 horas semanais, exceto para aqueles que trabalham na assistência ao paciente. Dessa forma, a jornada de 6h diárias, passará a ser de 8 horas diárias a partir de setembro, dividida em dois turnos de trabalho, com uma ou duas horas para descanso/almoço.

A medida muda completamente a jornada de 6h estabelecida há 8 anos na lei do Plano de Cargos, Carreira e Remunerações (PCCR) e pegou os servidores de surpresa, já que eles terão que alterar suas rotinas devido ao novo horário. Além disso, a nova jornada afeta o bolso dos trabalhadores, já que o governo não irá garantir auxílio alimentação ou auxílio transporte.

Com as mudanças, a Unicat, que funcionava ininterruptamente das 7h às 19h, agora terá horário de almoço e “fará a população esperar ainda mais pela burocracia dos serviços”, destacou Manoel Egídio. “Isso irá complicar para o servidor e para a população, pois ela ficará sem atendimento durante os intervalos de almoço”, disse.

De acordo com José Almeida, servidor da Unicat, muitos usuários vêm do interior e já são obrigados a esperar longas horas por atendimento. Agora, a espera será maior. “Nós não podemos concordar com isso. Temos que evitar que essa mudança permaneça e lutar para que os serviços sejam oferecidos à população com excelência. Além de esperar para ser atendido, o usuário sofre com o desabastecimento de medicamentos”, afirmou.

Para Almeida, se a greve for restabelecida entre servidores, a Unicat será uma das unidades mais afetadas. “Com a greve, restará ao usuário comprar seu medicamento – que na maioria das vezes são de alto custo – ou esperar para que os serviços sejam retomados”, disse.

Compartilhar: