Servidores da Saúde em greve prometem fechar unidades básicas na capital

Categoria não aceita reajuste de 2% oferecido pela prefeitura. paralisação teve início em 15 de abril

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Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

Em greve desde o dia 15 de abril, os servidores municipais da saúde realizaram mais um protesto na manhã desta segunda-feira (28) em frente à Policlínica da zona Norte de Natal. De lá, os servidores saíram em caminhada até a Maternidade Leide Morais, onde foi realizado um abraço simbólico à instituição, cobrando a retomada dos serviços na unidade. O Sindicato dos Servidores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaude-RN) promete intensificar as ações de greve durante essa semana e fechar todas as unidades básicas de saúde do município até a próxima sexta-feira (2).

A coordenadora geral do Sindicato, Simone Dutra, disse que apesar de duas semanas de paralisação, os servidores ainda estão aguardando a Prefeitura de Natal agendar uma nova audiência com o secretário de Saúde, Cipriano Maia, e as demais secretárias envolvidas, mas ainda não tem prazo definido. “Enquanto isso, nós damos prosseguimento a nossa greve que segue por tempo indeterminado”, afirmou a sindicalista. Simone disse que a greve está com uma adesão em torno de 60% dos servidores, índice maior do que a greve realizada no ano passado.

Os servidores da saúde decidiram suspender a vigília que fariam nesta tarde, no Aeroporto Augusto Severo, para recepcionar o prefeito Carlos Eduardo, pois o prefeito chegou na manhã de hoje, enquanto os servidores estavam reunidos em ato público na zona Norte. Simone Dutra considera que a viagem do prefeito Carlos Eduardo não aconteceu em um bom momento, onde diversas categorias do município estão em greve.

“Iríamos recepcioná-lo no aeroporto para dizer que nada andou, que as negociações estão paradas e que ele dê uma atenção maior a saúde e uma prioridade aos servidores, pois além das questões salariais que estamos reivindicando, lutamos por melhores condições de trabalho. O caos que tinha o ano passado, está ainda pior. Mas vamos dizer a ele que na cidade que terá Copa, a situação da saúde é essa: falta água nos hospitais, faltam medicamentos básicos, faltam profissionais. A Copa, esse megaevento, é contraditório com as condições que vive a maior parte da população pobre. A Copa vai acontecer dentro dessa realidade e nós temos a função de tirar a máscara que o governo tenta vender lá fora. A situação está cada vez pior”, destacou a coordenadora geral do Sindicato. Simone disse que o sindicato deve intensificar os protestos durante o período da Copa do Mundo.

Em relação a Maternidade Leide Morais, os servidores denunciam o atraso na reforma da unidade. “A reforma iria durar quatro meses, mas vai durar quase um ano. A impressão é que adiam o término da obra, para não ter que tirar os servidores daqui que estão nas outras unidades”, afirma Célia Dantas, do Sindsaúde-RN. Atualmente, os servidores da Maternidade Leide Morais estão cedidos a outras unidades, como a Maternidade das Quintas, o Sandra Celeste e a UPA do Pajuçara.

Em frente a Policlínica da zona Norte um cartaz mostra um dos problemas que assola a maioria das unidades de saúde: a insegurança. A realização dos exames de hemograma está suspensa devido ao furto do equipamento. Em relação ao funcionamento da unidade, o diretor Robson Gomes, disse que a greve não tem alterado a rotina de atendimentos na Policlínica, pois a adesão dos servidores foi mínima.

O diretor do Sindicato, Jefferson Cleyton, disse que no último sábado, quando foi realizado o Dia D da Campanha de Vacinação, algumas unidades de saúde não realizaram a vacinação, como é o caso da Unidade de Saúde do Pirangi. “Essa semana mais servidores devem aderir a paralisação e a nossa meta é fechar todas as unidades básicas de saúde até a próxima sexta-feira”, afirmou.

Negociações

Os servidores da saúde estão com atividades paralisadas desde o dia 15 de abril, em uma greve que vem ganhando adesão. Além dos servidores da saúde, estão em greve também os professores, agentes de saúde e de endemias e servidores das demais secretarias da Prefeitura. Apesar disto, as negociações não avançaram.

A única reunião ocorreu na terça-feira (22), na Secretaria Municipal de Planejamento, Fazenda e Tecnologia da Informação (Sempla), com a titular da pasta, Maria Virginia Ferreira Lopes e representantes dos sindicatos em greve. No encontro, a secretária afirmou que não sabia o que dizer aos servidores, já que não havia nenhuma nova proposta do governo, além dos 2% de reajuste salarial. O Sindicato cobra uma nova audiência e uma proposta que atenda às reivindicações dos servidores em greve.

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