Servidores da Saúde do Estado entram em greve na próxima quarta-feira

Motivo alegado pela categoria é a quebra de acordo pelo Governo do Estado

Greve foi aprovada durante assembleia campal realizada hoje em frente ao Walfredo Gurgel. Foto: Heracles Dantas
Greve foi aprovada durante assembleia campal realizada hoje em frente ao Walfredo Gurgel. Foto: Heracles Dantas

Fernanda Souza

fernandasouzajh@gmail.com

A saúde do Estado vai entrar em greve na próxima quarta-feira (19). Em assembleia campal realizada na manhã desta sexta-feira (14), em frente ao Hospital Walfredo Gurgel, a categoria aprovou o movimento paredista. A programação é que no dia 19, a partir das 9h da manhã, os servidores se reúnam em frente ao hospital e promovam um ato público seguido de caminhada até a Governadoria.

Na tarde de hoje, os dirigentes do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN) vão iniciar reuniões com os servidores e definir quais os serviços que serão reduzidos e fechados. “Em 2013, fechamos os ambulatórios, o ambulatório de queimados do Walfredo Gurgel e suspendemos as cirurgias eletivas. O CRI também paralisou o atendimento. Mas todas as reduções de serviços e atendimentos serão decididos em acordo”, disse Rosália Fernandes, diretora do Sindsaúde/RN.

Ela também explica que a greve foi deflagrada porque o governo teria quebrado compromissos assumidos em 2013. “O Governo não enviou o Projeto de Lei para a Assembleia Legislativa, que era para ter ido desde o ano passado e modificou os prazos para a implantação da nova tabela do Plano de Cargos, que só será implantada em março, para nível elementar; em junho para nível médio e em setembro, para nível superior. Mas a correção do internível para a classe A, que já é para este mês, ainda vai passar pelo trâmite necessário e a folha salarial já fecha na semana que vem. Queremos 12% de reajuste salarial, que é o mesmo reajuste dado aos médicos. Nosso salário continua de acordo com a tabela de 2012, que não cumpre o que diz o Plano de Cargos, Carreira e Remuneração e sofremos perdas salariais”, explicou a dirigente.

Outras reivindicações pleiteadas são a limitação da quantidade de pacientes por profissional, mudança de nível e convocação de concursados. “Nossa última mudança de nível foi publicada em 2011 e tem pessoas que estão paradas no tempo de serviço. Precisamos da convocação dos concursados, que irá ajudar na diminuição da sobrecarga de trabalho. Também somos contra a municipalização de oito hospitais do interior, que significa praticamente o fechamento dos serviços. As prefeituras não têm nem como assumir a atenção básica e estes pacientes vão acabar é vindo para Natal e continuar sobrecarregando os servidores”, disse Rosália Fernandes.

Um dos funcionários da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), que preferiu não se identificar, denunciou a falta de medicamentos no órgão, que é o responsável pelo abastecimento dos hospitais e unidades de saúde do Estado. “As prateleiras estão vazias e tem fornecedores que estão se recusando a fazer a entrega dos medicamentos alegando que o Governo não paga”, disse.

Sônia Suely, técnica de enfermagem do Walfredo Gurgel, relata uma rotina de desabastecimento e de sobrecarga de trabalho diária. “Faltam insumos, medicamentos importantes e trabalhamos com um número reduzido de pessoal. O Governo baixou uma portaria que proíbe plantões remunerados, o ponto que batemos não recebemos comprovante e ainda se houver uma falta de plantão levamos três faltas. No plantão de ontem fiquei sozinha com nove crianças, mas há setores como a neurologia e a clínica médica, que ficamos com mais de 10 pacientes. Ontem, 54 pacientes foram divididos para quatro técnicos, e pacientes com dependência extrema, como os traqueostomizados. Mas há casos de mais de 20 pacientes para cada técnico”.

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