Servidores em greve protestam em frente à Prefeitura e vaiam secretário

Categoria cobra mais segurança nas unidades de todas as regiões da cidade, mas pleito ainda não foi atendido

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Marcelo Lima

Repórter

O secretário de saúde de Natal, Cipriano Maia, foi vaiado hoje pela manhã em frente a sede da Prefeitura de Natal. Coincidentemente, o secretário usou a entrada principal do Palácio Felipe Camarão enquanto servidores da Saúde municipal, em greve, promoviam manifestação no local.

Em greve há 31 dias, os servidores receberam ontem uma proposta da Prefeitura de 5,68% de reajuste salarial. A reivindicação da categoria é de 18%.”Ontem as negociações foram extintas porque o prefeito disse aos secretários que não podia dar mais. Sobre as condições de trabalho, eles não apresentaram nada”, contou Jefferson de Oliveira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN).

Segundo o diretor, a pauta de reivindicações dos servidores da saúde municipal inclui 18 pontos, mas a Prefeitura só chegou com contraproposta para o reajuste salarial. “Infelizmente a greve vai continuar”, disse. Conforme Oliveira, Natal possui cerca de 6 mil servidores na saúde e metade deles aderiram ao movimento.

Para efeito comparativo, os sindicalistas sempre lembram o reajuste salarial oferecido aos servidores que ocupam cargos comissionados de até 166% aprovado pela Câmara Municipal. “Muitos são cabos eleitorais. E para nós que lidamos com a vida da população, ele [Carlos Eduardo Alves] oferece 5%”, ressaltou Célia Dantas durante seu discurso para a população e para a categoria.

 

Insegurança

No que diz respeito à melhoria nas condições de trabalho dos servidores, a falta de segurança é a principal reivindicação. Na quarta-feira (7), um homem entrou armado na unidade básica de Saúde Aparecida localizada no bairro de Mãe Luíza. “Mais quatro ficaram do lado de fora. Dessa vez, não deu tempo de fazer nada porque o segurança sacou a arma primeiro e ele correu”, contou Kátia Cristiano Faustino, agente de saúde que trabalha na unidade.

No momento, a unidade realizava o programa de saúde “Quarta da Gestante” com orientações específicas para este público. “A unidade estava cheia de gestantes, se fosse a Quarta do Idoso acho que seria ainda pior”, avaliou. Depois do susto, uma das mulheres grávidas passou mal e tomou uma garapa (açúcar diluído em água) preparada pela agente de saúde.

A unidade ficou fechada até a quarta-feira desta semana à espera de segurança para voltar a funcionar. “A gente fechou as portas naquela semana, mas chegou outro segurança e teve promessa de mais rondas da polícia”, falou Kátia Faustino. “A sensação é terrível. Para piorar, as salas lá não têm porta. Quando tem, não tem chave”, expôs a situação. Só neste ano foram quatro assaltos na unidade Aparecida. Em 2013, o sindicato contabiliza 11 arrombamentos.

A vulnerabilidade também afeta os cidadãos que necessitam de atendimento. Segundo o diretor do Sindsaúde, Jefferson Oliveira, o carro de um usuário da unidade de saúde do Vale Dourado foi levado de assalto do estacionamento. O fato ocorreu uma semana depois do assalto à administradora da unidade no dia oito de abril, quando levaram o celular da servidora. No dia seguinte a este assalto, os servidores paralisaram as atividades.

Na unidade básica de Cidade Satélite, os servidores também decidiram paralisar as atividades por falta de segurança. “Como é uma unidade 24 horas não pode ficar sem segurança, que são guardas municipais ou seguranças privados”, disse o diretor sindical. Ainda segundo ele, a Prefeitura só tem enviado profissionais armados dar mais segurança às unidades de saúde depois de casos concretos de violência.

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