Servidores do Itep avaliam retomada de greve durante assembleia hoje à noite

Categoria não gostou do descumprimento do acordo firmado com o governo na última paralisação

Djair Oliveira cobra do governo do Estado a regularização dos pagamentos das escalas que ainda não foram fechadas. Foto: Divulgação
Djair Oliveira cobra do governo do Estado a regularização dos pagamentos das escalas que ainda não foram fechadas. Foto: Divulgação

Alessandra Bernardo
Repórter

Inconformados com o descumprimento do acordo firmado entre a categoria e o executivo estadual, os servidores do Instituto Técnico Científico de Polícia (Itep/RN) se reúnem hoje à noite para avaliar a possibilidade de retorno da greve, interrompida no último dia 9 de outubro. Eles reclamam ainda o corte dos plantões, que está impossibilitando o fechamento das escalas de diversos serviços essenciais no órgão.

O problema das escalas, conforme explicou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública (Sinpol/RN), Djair Oliveira, faz com que muitos servidores tenham que trabalhar sem receber o valor real do adicional noturno a que teriam direito. Ele citou ainda a devolução de servidores para seus órgãos de origem, o que pode aumentar ainda mais o caos já existente no órgão.

“Já estamos no final de dezembro e ainda há escalas que não foram fechadas e que o Governo do Estado, que está impondo essa situação, ainda não disse como irá pagar aos funcionários por elas. Aqueles que estão preenchendo as escalas já definidas estão recebendo o adicional noturno de forma irregular, para jornadas de 24h de trabalho. Por isso, vamos nos reunir e avaliar um possível retorno da paralisação”, explicou Djair.

Ele denunciou ainda que o sindicato vem sendo proibido de participar das reuniões entre o executivo estadual e o Ministério Público, quando são discutidas as jornadas de trabalho e outras medidas que também prejudicam os servidores do Itep. E que foi expulso da reunião realizada na semana passada e também impedido de participar do encontro na última sexta-feira, quando até mesmo a imprensa pode entrar.

“Repudiamos essa medida e estamos avaliando ingressar com uma ação judicial contra o Estado. Estas medidas estão sendo adotadas sem que o sindicato tenha o direito de participar das reuniões com a cúpula do Governo e o Ministério Público, que vem discutindo a jornada de trabalho no órgão, além de outras medidas igualmente preocupantes, como a devolução de servidores para órgãos de origem”, afirmou o presidente do Sinpol/RN.

 

Serviços essenciais podem ser parados em todo o RN

A alteração da escala de serviço dos servidores técnico-especializados do Itep pode fazer com que alguns setores do órgão fiquem sem atendimento durante vários dias pelos próximos meses, entre eles, as necropsias, exames de conjunção carnal (em casos de violências sexuais), corpo de delito, flagrantes de entorpecentes e até a remoção de cadáveres.

Isso porque, conforme o ex-diretor geral do órgão, Nazareno de Deus, o Ministério Público determinou a troca das escalas de 24h de serviço por 48h de descanso dos servidores peritos para escalas de 24h por 72h, o que comprometerá diretamente a execução dos serviços periciais.

O problema é que não há efetivo suficiente para cobrir todos os intervalos que ficarão vagos, o que pode fazer com que o Itep seja obrigado a parar serviços essenciais. Para Djair Oliveira, a suspensão de procedimentos inadiáveis prejudicará muito a solução de crimes graves, uma vez os exames necessários para a confirmação destas violências podem deixar de serem feitos por até dez dias do mês. “Com isso, bandidos não poderão permanecer presos, por falta da constatação do crime”, alertou.

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