Servidores protestam e SMS nega que pretenda fechar o Sandra Celeste

UPA de Cidade da Esperança foi aberta no início de janeiro, mas ainda não tem pediatra

Após implantação da classificação de risco, média de atendimentos foi  reduzida para cerca de 200 por dia. Foto: José Aldenir
Após implantação da classificação de
risco, média de atendimentos foi
reduzida para cerca de 200 por dia. Foto: José Aldenir

Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

 

Servidores, sindicalistas e usuários realizaram na manhã desta quarta-feira (5) um protesto em frente ao Pronto Socorro Infantil Sandra Celeste, contra a possibilidade de fechamento da unidade pediátrica que hoje é responsável por atender a demanda de Natal e Região Metropolitana, no atendimento de urgência e emergência. A Secretaria Municipal de Saúde negou que vá fechar o Pronto Socorro, mas garantiu que é necessário um reordenamento do atendimento pediátrico em Natal a fim de garantir o atendimento à população nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) de Pajuçara, na zona Norte de Natal, e Cidade da Esperança, na zona Oeste.

Em reunião realizada na segunda-feira (3), no Sindicato dos Médicos do RN, pediatras que trabalham no Hospital Sandra Celeste solicitaram a intervenção do Sindicato na decisão da Prefeitura de fechar a unidade de saúde e transferi-los para as Unidades de Pronto Atendimento. Hoje à tarde, os pediatras e funcionários do Sandra Celeste se reuniram com a secretária adjunta de Saúde para discutir o futuro do Pronto Socorro do Sandra Celeste. Atualmente, o Pronto Socorro Infantil Sandra Celeste conta com 215 funcionários nas diversas áreas de atuação e mais 20 pediatras por meio da Cooperativa Médica do RN (Coopmed-RN). Diariamente, são realizados cerca de 200 atendimentos, mas esse número já foi maior, antes da implantação do sistema de classificação de risco.

Os médicos estão preocupados com a manobra da Secretaria de Saúde de Natal em transferir os pediatras para as UPAs, pois acreditam que esta é apenas uma medida eleitoreira para a abertura da Unidade. Mas, que não existe compromisso em manter o serviço pediátrico para a população. “Na UPA do Pajuçara, por exemplo, o serviço pediátrico é prestado, em boa parte do tempo, por clínicos gerais. Isso não pode acontecer, pois este atendimento coloca em risco a vida da criança, já que o clínico não está preparado para esta função”, disse Sônia Godeiro.

A pediatra Sônia Godeiro criticou a postura do Município em transferir os profissionais para outras unidades. Para ela, o necessário é ampliar a oferta de serviços, haja vista que hoje a situação da pediatria em Natal é precária. “O governo já fechou quatro grandes serviços e isso não tem lógica. Substituir um serviço por outro não é a solução. A Secretaria está querendo fazer uma maquiagem, desmantelando o que já existe. É bom deixar claro que as crianças de Natal precisam dos dois serviços funcionando plenamente e cabe a Prefeitura oferecer esses serviços. O Pronto Socorro Sandra Celeste é necessário e indispensável, pois a situação já é complicada”, destacou a pediatra.

A diretora do Sindicato dos Servidores em Saúde do RN, Célia Dantas, que esteve na manhã de hoje no protesto, explicou que atualmente o Pronto Socorro Infantil Sandra Celeste conta com 15 leitos de observação, e a ideia da Prefeitura, segundo a sindicalista, é transferir os profissionais para abrir cinco leitos de observação pediátrica na UPA de Cidade da Esperança e três leitos na UPA de Pajuçara. “Eles querem fechar a urgência e emergência e deixar os leitos aqui apenas de retaguarda, como se fosse apenas para internamento. Queremos, na verdade, que se abra mais serviços de pediatria. Os profissionais não querem ser transferidos e os pediatras já disseram que não saem daqui”, afirmou Célia Dantas.

Célia Dantas reconhece que por questões estruturais é necessária a transferência para outro prédio, mas que não haja interrupção no serviço prestado à população. “Aqui já não comporta a demanda, nem tampouco a estrutura é a ideal para os profissionais e a população. Queremos as quatro UPAs funcionando, com pediatria e o serviço do Pronto Socorro Sandra Celeste ainda aberto”, ressaltou a diretora do Sindicato.

A dona de casa Maria Cristina da Silva, mãe de três filhos, levou o filho de sete anos para atendimento no Pronto Socorro Sandra Celeste. Ela, que mora no Planalto, estava colhendo assinaturas de um abaixo-assinado contra o fechamento da unidade. “Lá no Planalto não tem pediatra e tenho que vir para cá, que já é muito difícil de chegar, pois não passa nenhum ônibus por perto. Sei que se tivesse pediatra na UPA de Cidade da Esperança é mais perto para mim, mas isso aqui não pode fechar”, afirmou a dona de casa.

A técnica de enfermagem Kelly Jane ratificou a posição do Sindicato e disse que não concorda com a transferência dos serviços. Diante da incerteza, o clima entre os profissionais é de tensão. “É interesse comum de todos que fazem o Pronto Socorro Sandra Celeste que não se feche esse serviço. As UPAs vieram para somar e não para redistribuir o serviço. Hoje, não sabemos se seremos transferidos, se ficaremos aqui, e enquanto isso fica o clima de incerteza. Com isso tudo, quem mais perde é a população”, desabafou a técnica de enfermagem.

Compartilhar:
    Publicidade