Sesi Big Band e carioca Taryn Szpilman farão shows imperdíveis

Com entrada franca e repertório especial, a parceria será exibida para mossoroenses e natalenses

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Nesta sexta (28) e sábado (29), as duas maiores cidades potiguares, em seus dois palcos tradicionais, terão um espetáculo daqueles que até o mais desligado dos sujeitos já colocou na agenda. Uma parceria entre o Serviço Social da Indústria de Natal (Sesi) e o Fest Bossa & Jazz, trará a Sesi Big Band e a cantora Taryn Szpilman para natalenses e mossoroenses. Ambas as apresentações acontecerão às 20h – aquela no Teatro Dix-Huit Rosado; esta, no Alberto Maranhão. Com entrada gratuita e cerca de 01h40 de duração, o show abrirá o caldeirão de influências do maestro Eugênio Graça, um português que há quatro anos desembarcou em Natal para comandar um dos principais projetos musicais do Estado.

Se o jazz moderno fincou base numa espécie de independência sincronizada, com a sublimação do conceito de improviso, em meados da década de 1940, com o surgimento do bebop, o tradicional, através de suas big bands, acolheu a liderança de um ‘grande maestro’, como uma voz unificadora de talentos instrumentais. Entre os anos 1920 e 1950, a formação foi soberana, como a trilha perfeita da primeira metade do século XX, em o Dixieland, o New Orleans, o Swing e o Chicago eram os gêneros massificados – era o som da América pujante, emblemática como matéria-prima para F. Scott Fitzgerald e sua Era do Jazz. É dessa fonte que a Sesi Big Band retira sua matéria-prima.

Nomes como Fletcher Henderson, excepcional arranjador e versátil em sua espontaneidade, Benny Goodman, o rei do swing, preciso em sua execução, Duke Ellington, talvez a maior influência nesse estilo jazzístico, com sua consciência negra aliada ao fato de ter sido um dos pioneiros compositor exclusivos, são alguns tipos que ajudaram a expandir o jazz para além dos salões norte-americanos. “É a partir daí que teremos blues, música brasileira, com uma MPB instrumental, jazz, suingue, funk”, diz Eugênio, cabeça de um grupo com 22 músicos de várias vertentes. A proposta de tocar temas famosos do grande público, com algo específico do repertório jazzístico tem agradado a plateia incipiente – porém, curiosa.

“Tem sido muito boa [a receptividade do público potiguar]. Não tínhamos ideia que tanta gente tinha vontade de ouvir esse tipo de música com essa linguagem”. A surpresa de Eugênio é atenuada com a performance da Sesi Big Band. “Não ficamos estáticos, parados no palco, como a maioria dos músicos de jazz. E as pessoas se entusiasmam com isso”. O teste foi feito durante a abertura da Arena das Dunas, em meio a torcidas de ABC e América, com temas conhecidos, com Brasileirinho. A mesma empolgação é esperada neste final de semana, a partir do momento em que o primeiro acorde ecoar na Capital do Oeste – a lista de números inclui Chico Buarque, Dizzy Gillespie, e o clássico Georgia On My Mind, composta por Hoagy Carmichael e Stuart Gorrell, mas imortalizada por Ray Charles.

Para Juçara Figueiredo, produtora do Fest Bossa & Jazz, cuja quinta edição está agendada para acontecer entre 21 e 24 de agosto próximo, na praia da Pipa, oferecer shows gratuitos ajuda a fomentar a cultura jazzística em um Estado isolado pela cultura de massa. “O jazz está na moda. Apesar de a mídia não divulgar, os festivais vêm crescendo. Hoje quando você fala em jazz, todo mundo gosta, ouve. Essa é uma tendência. Mas é um trabalho de formiguinha que, aos poucos, vem surtindo efeito. E essa parceria com o Sesi é um casamento feliz”. A mesma Sesi Big Band forma a Bossa & Jazz Street Band, veterana do festival organizado por Juçara. Assim como a carioca Taryn Szpilman, responsável por um dos melhores shows da edição de 2012 do Fest Bossa & Jazz.

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