Sete presos fogem da João Chaves e rota de fuga já era conhecida pela PM

Fuga aconteceu na madrugada dessa terça. Detentos utilizaram uma corda para escalar o muro da unidade

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Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

O Complexo Penal Doutor João Chaves, na Zona Norte de Natal, tem vivido momentos turbulentos nos últimos dias. Depois da prisão do diretor da unidade, Rondinelli Santos, por supostamente ter utilizado três detentos para fazer uma reforma em uma residência de propriedade dele, que fica localizada no bairro Passagem de Areia, em Parnamirim, na Grande Natal, na madrugada desta terça-feira (15) sete presos conseguiram fugir do local.

De acordo com informações da Polícia Militar, os sete homens estavam em duas celas e fugiram por um buraco que fizeram no teto. Por volta de 1h da madrugada, eles começaram a sair e utilizaram uma corda para subir um muro que dá acesso ao Complexo Cultural da Zona Norte, que fica ao lado do presídio. Ainda segundo a PM, a rota de fuga já foi utilizada outras vezes por detentos da João Chaves.

Na manhã desta terça, a Coordenadoria de Administração Penitenciária do RN (Coape) divulgou o nome dos fugitivos: Antônio Fabricio Lopes de Lima, Felipe Matias Santos da Silva, Matheus Felippo Aires da Costa e Mário Sérgio de Souza do Nascimento – que respondem por crimes de roubo – além de Jackson Patrício da Cruz Vilar, que responde por receptação, Cosme Belizário Alves Neto, que responde por furto, e Gustavo Costa da Silva, que é acusado por tráfico de drogas. Até o fechamento desta edição, nenhum dos foragidos havia sido recapturado.

Essa não foi a primeira fuga que aconteceu na João Chaves em 2014. No final de março, um bandido conhecido como Lindem Johnson Silva Ferreira, de 21 anos, que tinha sido preso no final do ano passado depois da durante a Operação Revide – onde mais de 100 policiais civis deram cumprimento a 17 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão na Grande Natal que desarticularam uma grande quadrilha de roubos de carros, saiu pela porta da frente do Complexo. O incidente gerou revolta na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos do RN (Deprov), que considera Linden Johnson um bandido de alta periculosidade.

“Na noite que ele fugiu, só tinha um policial na penitenciária, pois os outros tinham saído na viatura. Esse policial estava ocupado preenchendo uma papelada e ele aproveitou para sair pela porta da frente”, destacou Rondinelle Santos, que na época ainda era o diretor da João Chaves. Até hoje Linden Johnson segue foragido.

As fugas de presos não são os únicos problemas da João Chaves. No início de abril, uma comitiva formada por representantes do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciário (CNPCP) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligados ao Ministério da Justiça (MJ), fizeram inspeções na João Chaves, além do presídio de Alcaçuz, em Nísia Floresta. De acordo com o relatório que apresentaram, eles constaram diversos problemas nos locais, como superlotação e condições insalubres de higiene.

Sejuc exonera o diretor do complexo

No Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (15), a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, publicou a exoneração de Rondinelli Victor dos Santos da direção do Complexo Penal João Chaves e nomeou José Jonilson de Souza para ocupar o cargo.

No DOE também consta que a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc), instaurou uma sindicância o contra Rondinelli Santos, acusado de ter utilizado presos da João Chaves para reformar uma residência de propriedade dele. Segue o trecho: “Determinar a instauração de sindicância, para apurar responsabilidade do agente penitenciário Rondinelli Victor dos Santos, matrícula nº. 169.125-2, por suposta irregularidade disciplinar residual ao crime de corrupção e pela improbidade administrativa, em razão deste ter usado presos no trabalho de reforma de sua residência, conforme veiculado na mídia potiguar e nacional”.

O Ministério Público divulgou um vídeo que mostra a chegada do diretor e dos três detentos à residência de Rondinelli. Os presos estão soltos, sem nenhum tipo de algema e um deles desce do carro para ir abrir o portão do imóvel. Um dos detentos sobe a escada que dá acesso ao primeiro andar do local.

Algum tempo depois, as imagens mostram Rondinelli deixando a casa no carro oficial da João Chaves e os detentos ficando no local, trabalhando sozinhos sem nenhum tipo de supervisão. Um dos presos que prestou depoimento na delegacia, confirmou a versão dada pela defesa de Rondinelle, alegando que eles tinham sido levados para o Centro de Detenção Provisória de Pirangi (CDP) para medir uma cela da unidade. Depois, eles foram até a casa da mulher do diretor, que tinha sido operada 10 dias antes.

De acordo com os advogados de Rondinelli, por não constarem nos autos do processo, eles não estão preocupados com as imagens. “Na realidade, no processo não existe o protocolo dessas imagens, por isso nós não estamos analisando essas imagens. O que consta no auto da prisão é o depoimento dos três apenados e dos dois PMs que realizaram a prisão afirmando que não houve o flagrante dos presos fazendo qualquer tipo de trabalho na residência de Rondinelli. Por isso fizemos o pedido para a retirada do flagrante”, explicou Alan Almeida.

Ainda segundo o advogado, qualquer tipo de imagem só pode ser utilizada em um processo caso ela não tenha sido editada. “Por lei, imagem editada não serve como prova em nenhum processo. Ela precisa ser limpa. Esse é um entendimento inclusive que é utilizado no Superior Tribunal de Justiça”, finalizou.

O titular da Sejuc, Júlio César de Queiroz, afirmou em entrevista para o Jornal de Hoje que no dia da prisão, nenhum serviço estava previsto para o CDP de Pirangi. Ele ainda lembrou que as saídas dos presos precisam ser autorizadas e nenhum que está em regime fechado pode deixar o presídio.

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