Seturn sai do silêncio e diz que bilhetagem eletrônica unificada já existe em Natal

Sistema estaria em funcionamento em 41 veículos alternativos integrados ao transporte público

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Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

A bilhetagem eletrônica unificada entre os operadores convencionais e opcionais do sistema público de transporte em Natal – situação reivindicada há anos pelo Sindicato de Transportes Alternativos de Passageiros do Estado do Rio Grande do Norte (Sitoparn) – já existe. O que falta é concluir a implementação do processo em todos os veículos opcionais que compõem o sistema. Essa afirmação é do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Natal (Seturn).

Segundo a classe dos empresários, dos 82 alternativos em atividade em Natal, 41 já funcionam com o mesmo sistema de bilhetagem eletrônica utilizado pelos ônibus. Nilson Queiroga, consultor técnico do Seturn, apresentou a O Jornal de Hoje as descrições de um projeto piloto de unificação da bilhetagem que teve início em dezembro de 2012, quando foram colocados seis opcionais em operação trafegando nas Linhas 38 – Planalto/Praia do Meio e 40 – Planalto/Mãe Luiza.

“A bilhetagem eletrônica unificada existe antes mesmo da lei que foi aprovada. No final de 2012, alguns permissionários nos procuraram para, junto ao Seturn, encontrar uma solução de trabalharmos no mesmo sistema”, disse Queiroga. “Nós passamos a exigir deles o mesmo padrão de compromisso trabalhados pelos empresários, com qualidade na prestação de serviço, garantia de ordem e cumprimento de horários. Hoje, 41 alternativos funcionam com o nosso mesmo sistema, dando o suporte complementar ao transporte público de Natal”, afirmou.

Por entender que os alternativos podem servir à comunidade de “forma mais racional, e com flexibilidade” para atender áreas periféricas, o Seturn afirmou que foi agregando mais alternativos no projeto piloto. De 2012 para cá, as demandas das Linhas 57 – Mãe Luiza/Nova Descoberta; 54A – Ponta Negra/Campus; 314A – Nortelândia/Igapó; 314B – Nortelândia/Igapó; 503 – Planalto/Natal Shopping/Via Direta e 604 – Felipe Camarão/Centro/Cidade da Esperança, por exemplo, passaram a ser atendidas por alternativos.

“Esse projeto piloto das linhas opcionais têm o acompanhamento operacional feito pelo Seturn, com a utilização do NatalCard, caracterizando a unificação da bilhetagem eletrônica. Os 41 alternativos em operação fazem uso do nosso mesmo sistema”, disse Nilson Queiroga.

Para o consultor técnico do Seturn, os números provam que a bilhetagem unificada não só funciona para ambos os operadores do sistema, como garante o faturamento próprio e margem de lucro de cada veículo. No último mês de março, por exemplo, apenas os veículos alternativos que estão integrados ao sistema de bilhetagem – ligados à Cooperativa Transcoop-Natal – conduziram 170.980 passageiros. Desse número, 106.938 passageiros utilizaram a bilhetagem eletrônica.

Este vespertino chegou a repercutir diversas vezes a indignação do Sindicato dos Transportes Alternativos, Sitoparn, quanto ao descumprimento da bilhetagem eletrônica unificada. Apesar de a Lei que institui a unificação estar em vigor há pouco mais de seis meses, a categoria dos alternativos afirma que não há funcionamento do sistema e que ainda é necessário a publicação de um decreto definitivo por parte da Prefeitura de Natal.

Em audiência pública realizada no dia 4 de abril na Câmara Municipal de Natal, o Sitoparn chegou a alegar que não existe efeito prático da Lei da Bilhetagem Eletrônica Unificada e que o Seturn poderia estar articulando contra a efetivação desse processo. Diante das críticas do Sitoparn, Nilson Queiroga é categórico: “Só abre a boca para falar isso quem está fazendo ‘agito’ ou quem não sabe que a bilhetagem unificada já existe”, declarou.

“O nosso propósito é que todos os carros que operam no transporte público de Natal, convencionais e opcionais, venham a usar a bilhetagem eletrônica unificada. Mas há resistência por parte de alguns proprietários de alternativo. Volto a dizer que o sistema já existe, mas é preciso cautela para concluir todo o processo”, disse Nilson.

“Cooperativa terceirizada”

O Sitoparn confirmou a O Jornal de Hoje que há alternativos rodando no sistema público de transporte de Natal com a referida unificação do sistema de passagens eletrônica. Entretanto, o vice-presidente do Sindicato, Nivaldo Andrade, defendeu que essa “unificação” garantida pelo Seturn é, na verdade, uma “terceirização”.

Para Nivaldo, os permissionários do transporte alternativo ligados a cooperativa Transcoop-Natal são contratados pelos empresários. “Tudo isso que ele [Nilson Queiroga] falou não passa de uma blefe. Esses 41 alternativos são de uma cooperativa terceirizada, criada pelo próprio Seturn com esse objetivo. Quando eles dizem que o sistema está unificado, eles querem dizer que o sistema é terceirizado”, criticou.

Ao explicar a crítica feita ao Seturn, Nivaldo Andrade afirmou que cada alternativo incluso nesse sistema recebe uma espécie de valor contratual de R$ 11 mil reais. “Eles recebem esse dinheiro e prestam o serviço orientado pelo Seturn. Eles rodam os dias, lugares e horários que o Seturn quer, de modo que o usuário não sinta falta do transporte. No final do dia, tudo o que o permissionário fatura vai para os empresários”, disse.

“Esses permissionários aceitam as condições impostas pelo Seturn porque a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) deixa a gente sem condições legais de rodar, querendo que fiquemos nas mãos dos empresários. Nós, permissionários do Sitoparn, não aceitaremos isso”, destacou.

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