Shakespeare inspirou o ator Kevin Spacey para ‘House of Cards’

Ator lança documentário sobre suas viagens com ‘Ricardo III’ no teatro

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Quando Kevin Spacey começou a gravar a série House of Cards, do Netflix, sentiu-se grato por ter recentemente voltado a encenar Shakespeare. Foi baseado em dois pesos pesados do bardo, Ricardo III e Iago, que Michael Dobbs escreveu o thriller político em 1990, adaptado pela primeira vez para uma série na TV britânica.

Spacey assumiu na versão norte-americana o papel de Frank Underwood, um democrata do sul com grandes ambições e poucos escrúpulos, depois de ter encenado Ricardo III. A produção que excursionou por vários lugares é objeto do documentário Now In The Wings on a World Stage.

Como o tirano de Shakespeare, Frank com frequência dirige-se diretamente para a plateia, fazendo observações cáusticas e compartilhando seus planos maquiavélicos.

Em House of Cards, cuja segunda temporada foi disponibilizada em fevereiro, “olho apenas para a câmera” sublinha Spacey. “Na peça, olho diretamente nos olhos do público de todo o mundo e sinto essa relação. Isso ajudou muito quando cheguei ao set de gravação, pois lembrava com alegria e prazer da plateia, de como o público gosta dessa cumplicidade.”

Ricardo III, encenada por Kevin Spacey, foi uma das cinco dirigidas por Sam Mendez durante três anos como parte do The Bridge Project, criado por veteranos do palco e da tela e mais o produtor executivo da Brooklyn Academy of Music, Joe Melillo, “A ideia é unir americanos e britânicos realizando um trabalho clássico em grande escala.”

Spacey queria trabalhar novamente com Sam Mendez desde que atuou em Beleza Americana, de 1999, dirigido por ele, e que rendeu aos dois o Oscar. Os dois permaneceram em contato depois que Kevin instalou-se em Londres e tornou-se diretor artístico do Old Vic Theater, onde começará sua 11.ª temporada no fim deste ano – ele pretende deixar a função em 2015.

“Só decidimos que faríamos Ricardo III quando nos aproximamos do fim da primeira temporada do The Bridge Project”, disse o ator. “Turnês como esta, em que uma companhia de atores roda o mundo como fizemos, durante todo esse tempo, não são mais feitas. Foi algo épico, e achei que, se registrássemos isso num filme, mostraríamos o que é o teatro para nós que nos dedicamos a ele.”

Kevin Spacey retornará ao palco do Old Vic Theater em 28 de maio, quando interpretará o lendário advogado de defesa e trabalhista Clarence Darrow num monólogo de David W. Rintels, que ficará em cartaz até 15 de junho. E embora esteja escalado para começar a gravar a terceira temporada de House of Cards logo em seguida, o teatro continua sendo sua maior prioridade.

“Quando comecei no The Old Vic, decidi que não assumiria nenhum trabalho que me afastasse do teatro por mais de oito semanas”, justifica. “House of Cards foi o primeiro que aceitei, já em minha nona temporada, quando me afastei por seis meses.

Quanto à popularidade de House of Cards, ele observa que “as pessoas sempre foram fascinadas por política e histórias que tratam especialmente de poder. Mas acho também que a série mostra em que ponto estamos no campo político neste momento – o quão pouco está sendo feito, o quão frustrante é isto. Não importa onde você esteja, assistir a um programa sobre um Congresso imaginário que realmente cumpre aquilo que se propõe…” Spacey faz uma pausa, mostrando alguma reserva na sua avaliação de Frank. “Na verdade, ele passa dos limites. Não é o melhor exemplo. Mas quando remontamos à história, vemos muitas figuras políticas que foram canalhas maquiavélicos, incrivelmente rudes. É interessante ver que o público gostou”.

 

Fonte: Estadão

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