‘Show das Comunidades’ está ameaçado por falta de apoio público

Projeto acontece há 11 anos e já revelou novos talentos potiguares

Fernando Luiz assegura que toda a parte burocrática foi cumprida dentro dos  prazos exigidos pelos órgãos públicos, como o envio dos ofícios e os pagamentos de taxas. Foto: Caninde Soares
Fernando Luiz assegura que toda a parte burocrática foi cumprida dentro dos
prazos exigidos pelos
órgãos públicos, como o envio dos ofícios e os pagamentos de taxas. Foto: Caninde Soares

O evento de número 79 do Show das Comunidades, projeto musical contemplado pela Lei Djalma Maranhão realizado em áreas periféricas da cidade, programado para ser realizado na quarta-feira da semana passada, dia 27 de novembro, não aconteceu em função de uma série de problemas operacionais. Ao longo desse período, nenhum show havido sido cancelado, mas agora, apesar de já ter agendado as duas próximas edições, no Parque das Dunas (dezembro) e Nova Natal (janeiro), o projeto corre o risco de acabar. Para que isso não aconteça, o idealizador do evento pretende pedir apoio a Prefeitura de Natal, por meio da Fundação Cultural Capitania das Artes, para que se responsabilize por toda a logística do evento.

O músico Fernando Luiz, idealizador do projeto que começou em 2002, conta que durante os 11 anos de existência do Show das Comunidades já enfrentou alguns problemas pontuais com relação à iluminação pública, policiamento, intervenção viária e até dificuldades de patrocínio, mas nada que não fosse solucionado a tempo de realização do evento. Desta vez, problemas com a Urbana, Semsur e Cosern impediram a realização do evento, que culminou com a interdição do palco de show, feita pelo Corpo de Bombeiros.

“Pela primeira vez desde sua criação tivemos todos os problemas que se possa imaginar que não permitiram que o show programado para o conjunto Pajuçara II se realizasse. Cumprimos toda a parte burocrática dentro dos prazos exigidos pelos órgãos públicos, como o envio dos ofícios e os pagamentos de todas as taxas”, afirmou o músico Fernando Luiz. Ele conta que, depois do acidente envolvendo a Boate Kiss, no Rio Grande do Sul, no início do ano, aumentou o rigor para liberação de eventos, mas que vinha seguindo, desde agosto, todas as determinações. “Agora, vou solicitar o apoio logístico da Prefeitura para garantir a continuidade do projeto, pois do jeito que está não dá para continuar. Hoje, tenho que ir aos bairros para pedir ajudar aos comerciantes locais. Lutamos pela valorização dos artistas das comunidades “.

O primeiro problema realizado foi relacionado com a coleta de lixo. Conforme realizado nas edições anteriores, a Companhia de Serviços Urbanos de Natal realizava a limpeza do local antes e depois do evento. Na quarta-feira passada, a Urbana não enviou uma equipe para fazer a limpeza do local, mas garantiu que faria a limpeza do pós-evento. A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) não enviou os 600 metros de gambiarra para iluminar o local a tempo. Fernando Luiz conta que foi necessário entrar em contato com o secretário Raniere Barbosa para agilizar a instalação, que só foi feita por volta das 19h30.

Na véspera do evento, Fernando Luiz conta que pagou uma taxa a Cosern referente a instalação da energia elétrica, mas que no dia foi informado que a Companhia não poderia ligar a energia, alegando que não tido instalada a caixa de energia elétrica. “Nos shows anteriores, a Cosern não havia feito esta exigência e como poderíamos adivinhar esta nova recomendação se não nos comunicaram? Acredito que pelo fato de realizarmos este evento ao longo desse longo período, o mínimo seria sermos informado dessa nova exigência”, ressaltou Fernando Luiz. Diante da situação, foi necessária a contratação de um gerador.

“Depois de tudo isso, veio o golpe de misericórdia. Os bombeiros interditaram o show, alegando que o palco estava armado sob fios de alta tensão. Só que o palco estava armado no mesmo local do Pajuçara Fest, um evento que é realizado anualmente, no mês de julho, com a autorização do Corpo de Bombeiros. Portanto, se eu utilizei a mesma planta baixa do Pajuçara Fest, aqui cabe mais uma pergunta: porque então o Show das Comunidades foi interditado?”, indagou Fernando Luiz.

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