Show do Quinteto Violado abre nesta 6ª os festejos juninos no RN

Grupo pernambucano faz releitura dos clássicos de Luiz Gonzaga

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Conrado Carlos

Editor de Cultura

Prazeroso como as cervejas aí debaixo, é o que anuncia o Quinteto Violado para o show em que cantam temas de Luiz Gonzaga, marcado para a próxima sexta-feira (11), às 21 horas, no Teatro Riachuelo. Como uma espécie de largada para as Festas Juninas, que este ano ganharão o incremento do clima da Copa do Mundo que promete extasiar o país, a apresentação terá o auxílio luxuoso de um trio de forró pé de serra para executar a sonoridade do Rei do Baião. A releitura proposta pelos pernambucanos, cujo DVD com o set de Gonzagão concorre ao Prêmio Música Brasileira de 2014, vai além da mera sujeição aos clássicos.

Xote, xaxado, ciranda, baião e numa quadrilha com as marchinhas da época do mestre serão oferecidas ao público, como parte de um patrimônio artístico muitas vezes tratado como meramente regional. “Luiz Gonzaga é universal. É um sujeito que saiu do interior do Nordeste e conseguiu fazer sucesso em todo o país, em um tempo que não existia internet, só falando de sua realidade, de suas dores e alegrias”, diz o professor universitário João Manfredi, paulista de nascimento e confesso apaixonado pela cultura nordestina. “Aqui é onde está o verdadeiro Brasil, a origem de tudo. Por mais que o cosmopolitismo de Rio e São Paulo sejam sedutores, o brasileiro precisa aprender a valorizar a arte feita no Nordeste”.

Formado no começo dos anos 1970, o Quarteto Violado tem em sua longa trajetória, que inclui viagens ao exterior, uma de suas forças. Enaltecidos por Gilberto Gil e Caetano Veloso, os então jovens oriundos da capital Recife, bem como de distantes municípios sertanejos – dentre os nomes que o grupo gerou, gente do quilate de Toinho Alves e o tecladista e arranjador Dudu Alves. “Eles são ótimos. Vi em diversas ocasiões, principalmente nos anos 1990, quando morei em Recife. A versão que eles fizeram para Asa Branca é a mais conhecida, mas todo o repertório é digno de nota”, elogia Manfredi. O referido arranjo para o tema mais foi aclamado pelo próprio Luiz Gonzaga, que o considerava o mais bonito já realizado.

O show conta a história do Quinteto Violado na música brasileira, através da vida e dos costumes do povo nordestino. Folguedos populares, a missa do vaqueiro, homenagens a ícones brasileiros, como Adoniram Barbosa, Jackson do Pandeiro e Geraldo Vandré, as cirandas e o carnaval, tudo entra no raio da turma que fez uma das mais exitosas excursões de um artista nacional pelo exterior, ao levarem “O Guarani”, de Carlos Gomes, por seis países europeus. “Deveria ser uma honra para Natal assistir esse show do Quinteto [sobre Gonzagão]. É a perfeita junção entre um ícone e músicos que seguem em atividade depois de tanto tempo”.

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