Silêncio de ferro – Vicente Serejo

Insiste um velho carabineiro das terras de Mossoró, mui conhecedor de suas lutas desde tempos de antanho. De quando Lampião…

Insiste um velho carabineiro das terras de Mossoró, mui conhecedor de suas lutas desde tempos de antanho. De quando Lampião e seu bando saíram corridos, depois do combate feroz travado à sombra da torre magra da igreja de São Vicente e Jararaca tombou ferido com suas vísceras de fora arrancadas por um tipo de fuzil e foi enterrado vivo. Do seu martírio acordou santo, como se vivo fosse e hoje faz milagres no cemitério de lá, mesmo Mossoró não tratando com paz, respeito e pão-de-ló.

Dizem até outros alabardeiros mais danados que embora caídos de todo orgulho, vítimas de um tempo de privação, nem assim arrefeceu seu ânimo, desde Cantópolis ao território de Tibau. E tanto é verdade que se espera, depois da derrocada que destrambelhou a candidatura da governadora Rosalba Ciarlini e jogou fora o mandato do deputado Betinho Rosado, uma luta renhida, dessas que aos fracos abate e aos fortes só faz exaltar, no belo poema condoreiro de Gonçalves Dias à bravura dos tamoios.

Pois bem: é que Mossoró, como Canudos, não se rendeu. Mas, também nunca foi aquela Troia de Taipa. Teve sempre ao lado a força da máquina oficial a mover as suas cremalheiras, criando heróis e vilões. Agora, não. Mossoró pode até não ser a cidade livre do mandonismo oligárquico, mas anda à procurar de um novo líder de verdade que, no fragor de uma luta, conquiste o bravo coração do seu povo e arrebate a vocação vitoriosa de sua gente, mas sem golpes baixos, sem as tramas e sem adesão.

Conseguirá? Ninguém sabe. Os tempos são outros. De coragens mais verdadeiras do que nunca e conquistas hoje tecidas por fios e atavios que já foram mais fáceis, quando Mossoró não despertara para a liberdade que lhe puseram nos ombros como um laurel. Dizem os que conhecem o mais íntimo de sua alma que Mossoró tomou gosto pela luta e sairia às ruas com o voto nas mãos para reconquistar as suas praças. Plantando em cada mossoroense as platibandas da luta nascida de sua própria vocação.

Mas, assim recomendam outros, é preciso ter cuidado. Se por um lado o autoritarismo foi a sua perdição, devorando um governo, mandatos e irmãos, por outro ainda sobrevive o sentimento de forte reação. Há tramas e sussurram vozes dissimuladas, dando conta de que a vingança renascerá das trevas brevemente e virá sobranceira e sedutora. A rigor, Mossoró não deseja abafar ninguém, como no samba de Noel. Só quer mostrar que as paliçadas de sua cidadela não cedem nem a tiros e supetões.

E assim, sem mais delongas, e como quer a tradição, quem é coxo parte cedo. Espera-se que as armas e os barões assinalados com suas armaduras reluzindo no peito e contando toda história dos seus feitos, saiam às ruas. E, quem sabe, desta vez, até Lampião ressurgirá, qual Fênix, das cinzas. E com seu fuzil coiceiro e roncador retomará, com uma vaidade que nem foi a sua, mas agora é, o gosto pela liberdade. E sem ser, como sempre aceitou, uma prisioneira de sua própria vitória, depois de toda luta.

 

PATAMAR – I

O deputado Walter Alves, segundo cálculos dos seus próprios concorrentes, poderá chegar à Câmara com uma votação em torno e até superior a duzentos mil votos. Para ser o mais votado de sua bancada.

NÃO – II

Significa que só por isso ele será o líder das bancada do Rio Grande do Norte. Mas pode servir para credenciá-lo a pensar em ser candidato a governador. Um sonho do senador Garibaldi Filho, seu pai.

CUIDADO – I

Partiu da área jurídica a recomendação para que o deputado Betinho Rosado não tentasse discutir no Tribunal Superior Eleitoral a sua inelegibilidade sentenciado no TER. Lá seria uma operação arriscada.

RAZÃO – II

A indicação do filho para seu lugar teria que ser tomada até dia 15. Se a decisão lhe desfavorável, mas depois do prazo, não havia como indicar seu nome. A solução mais segura foi fazer logo a indicação.

BEM – III

Ao contrário da decisão envolvendo o mandato do deputado Gustavo Carvalho. O Tribunal reconheceu que não houve dolo, portando, culpa. Por isso Carvalho está livre para disputar o mandato de deputado.

MAIS – IV

Com a candidatura de Betinho Segundo, agora são candidatos a federal: Walter Alves, Felipe Maia, Rafael Mota e Fabio Faria. E a deputado estadual: Márcia Maia, Gustavo Fernandes e Larissa Rosado.

EXCESSO – V

A classe política, nesse ponto, é ousada. Não acredita num processo de exaustão começando exigir um processo de mudança. E como legitimam suas vitórias com votos, fica difícil contestar suas conquistas.

NÚMEROS

São de muito pouca valia e densidade números colhidos quinze dias antes da propaganda na tevê. Vale bem mais, com efetivo poder de persuasão, o comício eletrônico. Os próprios candidatos sabem disso.

POESIA – I

O poeta Abel Silva, autor de letras gravadas e cantadas pelos maiores nomes da MPB, vai autografar na Festa Literária de Pipa seu livro ‘PoemAteu’, uma edição da 7 Letras. Aliás, os últimos exemplares.

TAMBÉM – II

Na tenda da Cooperativa Cultural, em Pipa, também autografam Mário Magalhães, autor da biografia de Carlos Mariguella, Nélida Piñon, José Miguel Wisnick, Rodrigo Lacerda e Chacal. Vai até sábado.

PRESENÇA

Até fim de agosto o presidente do Instituto Histórico, Valério Mesquita, marca o lançamento em Natal do livro de Almino Afonso sobre os últimos dias do Governo Jango. Ele era ministro e foi testemunha.

POESIA

De Abel Silva que está em Natal e participou da mesa da homenagem a João Ubaldo Ribeiro, versos do seu poema ‘Merecimento': Nada havia / ou pudesse fazer / por tamanho amor: / a não ser merecer’.

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