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Simplicidade e disciplina caracterizam primeiros colocados na UFRN

Data: 03 janeiro 2013 - Hora: 14:29 - Por: Conrado Carlos

Se, por um lado, o primeiro lugar no processo de seleção para entrada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte deixa em aberto um futuro profissional exitoso, por outro, serve de incentivo e demonstração de que o caminho rumo ao sucesso está pavimentado. Assim que o Núcleo Permanente de Concursos (Comperve) confirmou os campeões nas áreas Humanas, Tecnológica e Biomédica, uma espiral de emoções dominou Mateus Augusto Araújo Costa, aprovado com a maior nota entre os classificados em Medicina (Área Biomédica). O jovem mossoroense de 18 anos, aluno de uma escola estadual de Assu até a 7ª série, recebeu uma ligação da namorada que julgava ser apenas apoio quanto a expectativa do resultado.

“Eu não esperava nem passar. Senti dificuldades na prova, saí arrasado e disse para minha mãe que não iria passar. Quando minha namorada ligou e disse que eu tinha ficado em primeiro lugar, não acreditei”. Como toda história vitoriosa, disciplina e organização foram os pontos-chave. “Me sacrifiquei muito, estudando horas, mas valeu a pena. Agora eu quero comemorar com minha família, namorada e amigos”. Enquanto fala com a reportagem, Mateus tem a cabeça raspada, em meio a um batalhão de fotógrafos na festa montada pelo cursinho onde tratou dos últimos preparativos. Ao som do tema da vitória de Airton Senna, o garoto recém-saído da adolescência teve seu dia de pop star.

Em poucos minutos, ainda com Mateus sentado e com últimos fios capilares cortados por professores, chega Maria Clara Ribeiro Dantas Bezerra. Primeiro lugar no curso de Direito (Humanística II), ela terminou o 2º grau no Colégio Marista de Natal. Na manhã desta quinta-feira (03), estava em seu quarto, quando tocou o telefone. Era um amigo, também aprovado em Direito. “Ele foi o primeiro na primeira fase. Eu fiquei em segundo. Na segunda fase, nós trocamos de posição. Quando ele me ligou, não acreditei. Sempre tirei notas boas e nunca fui muito de sair, mas não esperava ser a primeira”. Fã de Cazuza e literatura, a jovem cita que ler é seu maior hobby e que passará o restante do dia ao lado dos familiares.

No outro extremo da cidade, em Nova Parnamirim, Louise Araújo de Medeiros sorria sem parar. Ao telefone, após um ano em que estudou, em média, cinco horas por dia, fora as aulas, a praticante de voleibol e roqueira nos intervalos pré-vestibulares estava acompanhada de amigas, que faziam barulho, durante a ligação. Ela ficou no topo de engenharia elétrica (Tecnológica II). “Peraí, menina, que estou falando com um homem de um jornal. É sério”. Silencio estabelecido, fala em paixão para mover montanhas diárias, sobre tios engenheiros e a rotina até a aprovação. “Sempre estudei e fui uma aluna na média. Nunca fiquei em recuperação. No 2º ano, comecei a focar no vestibular. Abdiquei de festas e muita coisa para chegar aqui”.

Longe da comemoração, em um dia normal de trabalho, o técnico judiciário João Batista de Souza Leão Neto, 29 anos, estava tranqüilo no fórum de Poço Branco, município 60 km distante da capital potiguar. Com o segundo grau concluído no Colégio Nossa Senhora das Neves em 2000, está há dois anos empenhado na aquisição de conhecimentos que justifiquem a entrada na área diplomática do Itamaraty. Como teste, arriscou a prova de Direito noturno (Humanística II) para manter-se ativo para o sonho maior. Qual não foi sua surpresa ao ser confirmado como o primeiro dos aprovados. “Já faço Direito na UERN, e fiz a prova como treino, para testar o grau de dificuldade”. A prova do Ministério das Relações Exteriores será em março. Até lá, João ingressará na UFRN com a bagagem adquirida no emprego no Tribunal Regional Eleitoral.

Por sua vez, Rodrigo Silva, 18 anos, também recebeu a notícia do lugar mais alto do pódio no curso de Arquitetura e Urbanismo (Tecnológica I) em Vitória da Conquista, distante 527 km de Salvador, Bahia. Em breve visita os avós, o aluno do Colégio Contemporâneo, onde estuda há seis anos, é daqueles que evita a pressão de intermináveis horas diante dos livros. “As pessoas esperam que eu diga que estudei dez horas por dia. Mas minha tática foi manter sempre duas, três horas e intensificar apenas nos meses finais. Tive muito apoio dos professores, com aulas objetivas e boas dicas”. Com a chegada em Natal programada para o próximo domingo, Rodrigo celebrará com amigos e demais parentes o novo caminho trilhado com esmero. (CC)

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