Simplicidade vencedora

Os líderes aliados tinham duas opções brilhantes e temerárias para chefiar suas tropas na Segunda Guerra Mundial. O inglês Montgomery,…

Os líderes aliados tinham duas opções brilhantes e temerárias para chefiar suas tropas na Segunda Guerra Mundial. O inglês Montgomery, estrategista cerebral e o norte-americano Patton, um tático tão perfeito quanto desastrado ao abrir a boca. Monty e Patton travavam um duelo de egos suficiente para estragar todos os planos contra os nazistas.

Winston Churchill, o premier, e Franklin Roosevelt escolheram um simplório e eficiente: Dwight David “Ike” Eisenhower, escolhido Comandante Supremo, silencioso e eficiente, saiu varrendo Hitler e humilhou seu chefe de guerra, Rommel, retomando o controle da Europa e libertando a Civilização da tirania sociopata dos inimigos. Seu estilo acabou levando-o à cadeira principal da Casa Branca por dois mandatos. Ike consagrou a simplicidade.

Fazendo o lógico sem invencionices, o América matou o ABC no primeiro clássico da Arena das Dunas. Foi mais time o jogo inteiro e poderia ter imposto uma goleada constrangedora ao atordoado rival. O ABC perdeu-se em bobagens fora de campo e o técnico Roberto Fernandes abusou de errar.

O América venceu ao ocupar o meio-campo, como fazem as tropas obstinadas. Tomou a área sob a regência afinada do seu camisa 10, Arthur Maia, o melhor do jogo. Fabinho fez uma partida monstra, quase Fabinho de dois anos atrás. Arthur Maia, iniciais de Arthur Moreira, o Lima dos pianos homogêneos, desfilou criatividade, a velha e insuperável diferença do futebol. Construiu com um passe medido, gramado impecavelmente grato pela sutileza, o primeiro gol, marcado pelo atacante Adriano Pardal.

Arthur, o Maia, fez ele mesmo o segundo, cobrando uma falta despretensiosa. Todos os que conversaram comigo após a partida dizem que não, mas o goleiro Bruno Fuso falhou. Certo que a bola foi desviada, de cabeça, por um jogador alvinegro, mas estava ainda assim ao alcance de sua mão.

O América consumou o jogo e fez cantar seu torcedor em êxtase escarlate de paixão, com finalização de Rafinha, aproveitando, livre, uma falha do zagueiro Suéliton, o qual marcou um golaço, empatando por poucos minutos a partida.

O América venceu sem atrasar a entrada do time em campo nem esconder escalação, tampouco tratar mal a repórter do canal Esporte Interativo, jornalista Dessana Araújo, que perguntou e recebeu de resposta, silêncio de hostilidade, se alguém seria substituído no segundo tempo. E foi. Linneker entrou para nada e saiu, episódio que marcará sua carreira. Lúcio Curió, quando deixou a gaiola dos reservas, era tarde.

Faça o simples, ensinavam nossos antigos professores. O besteirol e o laboratório de factóides no ABC estão enchendo o saco de um tibetano paciente. O técnico Roberto Fernandes é competente o suficiente para não precisar desses truques malsucedidos. É certo que falta-lhe um time, Michel Smoller, Rayro e o próprio Linneker, nunca deveriam ter vestido a camisa do ABC.

Arthur Maia tem estatura de soldadinho de chumbo e mostrou, ontem futebol generalesco. É canhoto digno das grandes gerações. E é Arhur, como um certo Antunes de Coimbra, glória da camisa 10.

 

Motivação contra o CRB

A vitória no clássico embala o América para o confronto decisivo contra o CRB, decisão de uma vaga para a semifinal da Copa do Nordeste. O América leva o jogo aos pênaltis se ganhar de 2×0 e igualar o placar de Maceió. Se fizer 3×0, passa direto. Se for 3×1, o CRB estará classificado. Gol fora de casa vale dois, a exemplo da Copa do Brasil.

 

Henrique e Garibaldi

Torcedor do América, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves levou a melhor sobre o primo, ministro e senador Garibaldi Filho, alvinegro desde os tempos de Juvenal Lamartine. Os dois estavam na Arena das Dunas. Henrique com toda pinta de candidato a governador já que Garibaldi é capaz de abrir mão de um amigo, se vier com a sugestão do seu nome.

 

ABC e a Copa NE

O ABC está com o primeiro turno praticamente perdido, em mais uma falha do planejamento cantado e decantado. O ABC precisa entender a importância de estar presente na Copa do Nordeste do próximo ano. A ausência em 2014 é uma das motivações para o desempenho de baixo nível até agora.

 

Marginais na Bernardo Vieira

Marginais fantasiados de torcedores voltaram a se engalfinhar antes de ABC x América. O ringue foi a Avenida Bernardo Vieira onde os bandos se encontraram, gerando terror aos moradores próximos e aos motoristas. A polícia chegou e desceu o bastão, como é merecido para esse tipo de corja.

 

Sem solução

O mais revoltante é que não há solução visível para a guerra dessa gente. Se o confronto causasse problemas apenas para eles, menos mal. Que se destruíssem, não fariam a menor falta. O ruim é que os cidadãos e cidadãs de bem pagam pela covardia de quem treme quando vê chegar a Tropa de Choque, tão indispensável em futebol quanto uma bola.

 

Comparação

Foi o Governo Lavoisier Maia (1979/83) que tinha como slogan “É comparando que o povo entende”, criado pela agência Dumbo. Muito bom. Ontem, pouco mais 11 mil pessoas compareceram ao Arena das Dunas para o primeiro clássico jogado ali. Público festejado por setores da imprensa muito mais próximos ao deslumbramento que propriamente da isenção.

 

Diferença grande

Em 1976, num 22 de fevereiro, ABC e América botaram 42.526 pessoas no Castelão (Machadão) num jogo semifinal da Taça Cidade do Natal, que nada valia além de um troféu. O campeonato para valer viria depois.

 

Público e população

Depois e por certo período, a Taça Cidade do Natal passou a representar o primeiro turno. A cidade beirava os 300 mil habitantes. O ABC venceu com gol de Zé Carlos Olímpico. Tinha um time capaz de enfiar cinco ou seis, brincando, no atual.

 

Escalações

ABC: Hélio Show; Fidélis, Pradera, Vágner e Vuca; Drailton, Danilo Menezes (Joel Maneca) e Zé Carlos Henrique; Noé Silva, Zé Carlos Olímpico e Noé Macunaíma (Raimundinho). Técnico: João Avelino. América: Sombra; Ivã Silva (Cosme), Queiróz, Alberto e Olímpio; Zeca, Garcia (Paúra) e Alberi; Pedrada, Hélcio Jacaré e Ivanildo Arara. Técnico: Sebastião Leônidas.

 

Alecrim e Globo

Dois líderes improváveis nas previsões gerais. Estão fazendo um bom papel. O Globo, então, nem se fala. Surgiu sem barulho e está comendo pelas beiradas, como a gente fazia com papas de aveia preparadas por nossas vovós.

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