Sinais da exaustão? – Vicente Serejo

Até o próprio marketing, sempre criativo, parece já não conseguir mais esconder os sinais de exaustão na formulação de um…

Até o próprio marketing, sempre criativo, parece já não conseguir mais esconder os sinais de exaustão na formulação de um discurso que possa ser recebido como novo. É que as estrelas da nossa Hollywood política são tão as mesmas, e há tanto tempo, que não há conceito capaz de vesti-las com o bom talhe da modernidade. Tudo soa falso. Com o gosto forte daquele déjà-vu que os franceses usam quando querem expressar algo démodé, cansado, caído no desuso, com o fastio das coisas sem gosto.

O que pode erguer no sentimento popular a ideia de mudança, se ainda ilustram o novo aqueles mesmos rostos que ocupam a cena política há cinquenta anos – filhos uns, primos outros, afilhados outros mais? Quem governou até ontem, ao lado de um governo que hoje precisa ser condenado, impondo a mesma pedra no jogo da mudança? Ou quem, derrotada em nome da reconstrução e do avanço, punida nas urnas, agora é valorosa companheira, uma aliada dos duros adversários de ontem?

O que é a união entre personagens tão diferentes? De histórias tão contraditórias, de passados tão distantes? O amor ao Rio Grande do Norte e a seu povo como querem fazer acreditar? Ou estariam unidos pelo interesse comum de manutenção do poder, ainda que tenham vergonha de mostrar as suas costas marcadas pelas chicotadas de uns contra os outros? Ou este é o papel das legiões caudatárias, o destino miserável de quem troca de símbolo e de honra de acordo com o poder de cada novo rei posto?

Tudo é mudança. Sim. Como? Com eles mesmos, há quarenta anos? Ou com outros, há mais de trinta? Ou com quem já foi crucificado em nome da justiça dos homens? Ou mudaremos com os filhos sob o patrocínio dos pais? Ou dos primos? Ou dos irmãos e irmãs na doçura familiar do sangue? Ou serão os queixosos, derrotados e abandonados de ontem, aqueles que irão nos salvar? Ou o socialismo manco com seu rastro de desmandos escandalosos, a iluminar caminho nosso para um novo tempo?

Nem o disfarce de uma frente política nos foi dado como pano de boca. Os desiguais se unem e prometem mudança sem que se pareçam. Ora, se se parecessem, seriam adversários nos métodos e nas práticas. São? Nesse socialismo de araque, com esse liberalismo de faz de conta, nessa democracia que decide na mesa da sala de jantar o destino de um povo que por conta da omissão de todos eles hoje não tem em quem se refugiar na insegurança? A quem lançar seu grito de medo? O futuro de sua miséria?

Mudança, união, renovação. Todas as palavras de ordem falecem diante de compromissos que não podem ser escritos sem signatários para garanti-los. Todos, aliados ontem ou adversários hoje, são responsáveis pelo passado que construíram como govenadores, senadores, deputados, vereadores, muitos deles ao longo de décadas. Onde lavarão as mãos e as bocas para que as palavras e os gestos cheguem à sociedade limpos de todas as velhas nódoas? Pode ser tarde. Muito tarde. Tarde demais…

MISTÉRIO

Ninguém entendeu a declaração do deputado Felipe Maia cobrando a decisão da governadora Rosalba Ciarlini nas eleições deste ano. Afinal de contas, não se sabe se o DEM é o seu partido ou o seu algoz.

RETRATO – I

Começa a cair nos olhos dos observadores mais isentos uma crise de gestão no sistema municipal de saúde. Um fracasso tão grande quanto foi no mandato anterior do hoje prefeito Carlos Eduardo Alves.

MAIS – II

Na véspera de fechar o segundo ano de administração, a saúde municipal não consegue acompanhar o mesmo ritmo de eficiência das outras áreas. E falta tudo na rede de postos. Dos médicos aos remédios.

ALIÁS – III

Por falar em fracasso, além de pompa e circunstância, nada mais tem sido demonstrado na área jurídica da Prefeitura de Natal. O caso do lixo revela em traços e cores uma Prefeitura órfã de assessoramento.

AGENDA- I

Vai engordando, pouco a pouco, a agenda de problemas do candidato Henrique Alves com a guerra de deputados estaduais e federais na busca de bases eleitorais. No interior o chapão anda em pé de guerra.

DE – II

Um lado, o deputado Walter Alves com seu poder de fogo; do outro, a ambição do vice João Maia na busca de eleger a irmã; o PSB engolindo bases aliadas, além das tramas de um tucanato sem fronteiras.

PIOR – III

Todos negam e tudo acaba na conta de Henrique Alves, candidato a governador, a começar da crise relações com o primo e prefeito Carlos Eduardo Alves descumpridos com o próprio pai, Agnelo Alves.

AVISO

O prefeito de Parnamirim, Maurício Marques, esperou o segundo mandato para botar as unhas de fora e mostrar que tem aliado e não tutor. O que pode ser o sinal de que terá um candidato próprio em 2016.

REAÇÃO – I

Os aliados mais próximos da deputada Gesane Marinho admitem sem panos mornos: a não aliança do PSD com o PT, na estadual, só beneficia Robinson e Fábio, pai e filho, mas liquida no plano estadual.

ALIÁS – II

Há no PSD gente que afirma um grande risco do PSD sair das urnas sem eleger um deputado estadual. Sem bases bem consolidadas a eleição majoritária, em decorrência, só se for nascida de um fenômeno.

REAÇÃO – I

A pressa em transferir os vôos nacionais e internacionais dia 30 próximo pode ser um gol contra nessa copa das improvisações. O sacrifício imposto aos usuários vai gerar uma reação de grandes desgastes.

EXEMPLO – II

Sem a conclusão das obras de acesso – viadutos e rodovias – a viagem daqui pra lá ou de lá pra cá vai exigir de uma hora a uma hora e meia. Ou seja: a vítima tem de sair de cada três antes da decolagem.

MISSA

Amanhã, no salão de eventos Juvenal Lamartine, no Aero Clube, será celebrada a missa de sétimo dia da morte de Pery Lamartine. Piloto e um dos historiadores da aviação civil no Rio Grande do Norte.

ENQUANTO…

Isto a OAB local e nacional esbanjam a fratura dos seus cofres e da coragem de suas metas sem razão ou prioridade: vai com o time todo disputar um jogo de futebol em Budapeste. A OAB não é a mesma.

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