Sindicatos questionam investimentos feitos na segurança pública do Estado

Policiais dizem que praticamente nada mudou na rotina da categoria

Foto: Wellington Rocha
Foto: Wellington Rocha

Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Após o fim dos jogos da Copa do Mundo em Natal o Governo do Estado deu diversas coletivas para mostrar tudo o que foi feito e o que foi adquirido para Mundial e que irá ficar de legado para todo o Estado após o fim da competição.

No que diz respeito à segurança, o Governo alega que utilizou um recurso no valor de R$ 37 milhões, que foi voltado para diversas atividades, como a compra de 60 novas motocicletas do tipo BMW de 650 cilindradas, 200 viaturas do tipo Renault equipados com tablets e 1200 radio-comunicadores para agilizar as informações entre os policiais militares e civis. Novos coletes e munições também teriam sido adquiridos. Apesar do entusiasmo apontado pelo titular da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), Eliéser Girão, que chegou a afirmar que o Brasil vive um “novo momento na segurança e que a tendência é que o setor do Estado melhore cada vez mais”, os sindicatos que representam os policiais civis e militares ainda não conseguiram “enxergar” todo esse investimento.

“Até agora não chegou nenhum investimento para nós. Continuamos com viaturas velhas sendo usadas. Eles falaram que algumas viaturas novas foram utilizadas na Copa, mas esse número foi muito pequeno, não atendeu demanda alguma. Em Mossoró, por exemplo, das 17 viaturas, apenas 3 estão em dia, pois são locadas. As demais estão com documentação atrasada e não poderiam sair das garagens. Além disso, temos policiais dirigindo os carros com uma habilitação que eles não podem dirigir viaturas”, argumentou Djair Oliveira, presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do RN (Sinpol-RN).

No início do mês, o Sinpol chegou a agendar um ato para entregar munições e coletes utilizados por policiais que estavam vencidos. Porém, Eliéser Girão pediu para que eles não fizessem isso e prometeu soluções, que até agora não foram mostradas. “Desde aquele dia nada mudou. Ainda estamos com os coletes e munições vencidas”, disse Djair.

Sem ter retorno do Governo, o Sinpol vem realizando com os policiais uma operação denominada Polícia Legal. Na ação, a diretoria do sindicato orienta os agentes e escrivães a, por exemplo, não realizarem procedimentos como tomada de depoimentos ou cumprimento de mandados sem a presença de um delegado, bem como só se deslocar para qualquer missão policial equipado com colete adequado e armamento fornecido pelo Estado. Para as viaturas, é recomendado não sair em diligências em veículos atrasados e também sem efetivo mínimo de três policiais.

Além de tudo isso, a esperada valorização profissional e a criação do Estatuto do Itep ainda não foram solucionadas. “Infelizmente o que escutamos até agora foram apenas promessas e por isso que tomamos algumas atitudes, já que ainda estamos impedidos judicialmente de promover qualquer paralisação. Ainda não fomos valorizados profissionalmente e estamos esperando alguma resposta. Estou tentando uma reunião com o secretário para discutir esses investimentos que foram feitos para a Copa e saber o que isso trará de benefício para os policiais civis”, destacou o presidente do Sinpol. “Das 200 viaturas que ele comprou, 150 são para a Polícia Militar e apenas 50 para a Polícia Civil. Nem de perto isso vai ser suficiente para atender a demanda. Só em Natal temos 37 unidades que precisam de novas viaturas, imagine em todo o Estado”.

PMs “mais satisfeitos”

Se de um lado os policiais civis nada têm para comemorar, a situação para os militares está um pouco melhor. Entre o final de maio e o início de junho, após ameaçar paralisar as atividades por tempo indeterminado, a categoria conseguiu algumas conquistas importantes.

A Lei de Promoção de Praças, considerada indispensável para a valorização profissional dos PMs e também dos militares do Corpo de Bombeiros, foi aprovada pela Assembleia Legislativa e deve passar a vigorar a partir de 2015. “Foi uma conquista histórica. Algo que vem corrigir um erro histórico com os policiais militares do RN. Tinha policial que entrava como soldado e se aposentava na mesma posição. Isso não era justo. Agora temos condições de ascensão na categoria”, afirmou Eliabe Marques, presidente da Associação de Subtenentes e Sargentos Policiais e Bombeiros Militares do RN (ASSPMBM/RN).

Outra “vitória” foi a aprovação do aumento salarial de 32%, que será concedido de forma escalonada, sendo 6% a partir do dia 1º de setembro de 2014; 8% a partir do dia 1º de março de 2015; 9% a partir do dia 1º de setembro de 2015 e 9%, a partir do dia 1º de março de 2016. Apesar da comemoração, Eliabe alega que a categoria tem se mantido atenta para que o Governo cumpra tudo o que prometeu. “Hoje o que nós temos de realidade são apenas promessas. Vamos saber mesmo se o Governo irá cumprir com tudo o que ele prometeu a partir de setembro, que é quando a primeira parcela do aumento será paga”.

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